Alcoólicos Anônimos (AA) realizam XIV Congresso, em Guajará

AA-1A irmandade dos Alcoólicos Anônimos (AA) nos diversos municípios da região realizou em Guajará (AM), de 22 a 27 de Maio, o XIV Congresso com o tema Sacrifício – Unidade – Sobrevivência, que reuniu centenas de homens e mulheres que compartilharam suas experiências, forças e esperanças no objetivo de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.

O senhor Carlos, que tem o cargo de Custódio Regional do AA e a incumbência de colaborar com sua experiência nas áreas de atuação das regiões, destacou que a irmandade tem crescido muito na região com a chegada de pessoas que sentiram a necessidade de se curar do alcoolismo que é uma doença, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).  

“O AA é um movimento anônimo de leigos que está implantado em mais de 180 países e trabalha em cooperação, convivendo com dificuldades e diferenças, para ajudar pessoas que estão sofrendo com o alcoolismo. O único requisito para se tornar um membro é o desejo de parar de beber. Não estamos ligados a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, organização ou instituição, não desejamos entrar em qualquer controvérsia, não apoiamos e nem combatemos quaisquer causas. Trabalhamos em busca da nossa sobriedade, pois a medicina até hoje não encontrou um remédio que cure o alcoolismo”, disse.  

Carlos conheceu a irmandade do AA em Parintins (AM) há 33 anos, através de um padre que viu seu sofrimento e o convidou à participar das reuniões. Ele iniciou a ingerir bebida alcoólica aos 11 anos, gostou pela alegria que dava e assim desenvolveu uma pré-disposição para o alcoolismo.

“No início foi muito bom, mas logo apareceram os problemas e prejuízos. Então, a sobriedade é uma das metas da nossa sociedade, porque ela nos dá oportunidade de realinhar a nossa vida que foi desalinhada pelo álcool. Ninguém bebe para fazer ameaças, matar ou ser preso. O álcool é uma doença que não tem cura e o nosso propósito é manter-nos sóbrios para ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade”, afirmou.

 Segundo Carlos sua missão é participar dos eventos e acompanhar o crescimento da irmandade como um servidor e quando necessário contribuir com algumas informações e está muito feliz em ver o crescimento da irmandade na região, afirmando que está levando uma boa impressão do trabalho que ele viu ser mostrado no Congresso em Guajará e nas visitas aos demais locais. 

“Percebemos o AA em evolução e crescimento e apesar das dificuldades continuamos a transmitir nossa mensagem a quem está necessitando sendo fundamental as pessoas que estão fazendo parte terem a consciência de que precisam do outro que está do lado para conseguir se manter longe do álcool”, lembrou.

Para Carlos a maioria das pessoas ainda tem preconceito e quando vem um bêbado na sarjeta já o condena e discrimina porque entendem que ele é um vagabundo, irresponsável, não presta, mas na verdade o álcool é o que o torna uma pessoa má e muda sua maneira de pensar e o leva ao alcoolismo ficando rejeitado pela sociedade.

“O alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo. É a pior das drogas, pois é legalizada e se torna a porta para as outras. Não consigo compreender as pessoas que defendem a legalização das drogas porque seria um caos para a humanidade”, afirmou.

Carlos afirmou que para se livrar do alcoolismo inicialmente é necessário que a pessoa queira verdadeiramente se livrar da doença e em seguida procurar as entidades do AA espalhadas por todo o Brasil.

O amazonense Nelson é Delegado da Área 22, que acompanha os trabalhos do AA no Estado do Amazonas, participou do congresso em Guajará e avaliou que o congresso de Guajará foi muito positivo pelo fortalecimento que a irmandade recebe com a presença de todos os participantes.  

“Na realidade o AA é a minha vida. Preciso dar continuidade ao tratamento e a permanência é o que me dá força para continuar com minha sobriedade. Conhecemos novos companheiros, esses eventos são mais um aprendizado, pois sempre estamos aprendendo quando compartilhamos. Existe um grupo em Guajará que está com um bom trabalho e esperamos continuar esse trabalho para beneficiar as pessoas que necessitam e estão querendo se livrar do alcoolismo”, disse.

Cunha é um dos delegados do AA em Cruzeiro do Sul que tem quatro grupos em funcionamento – 1º Passo, Nova Vida, Renascer em Cristo e Renovação – que funcionam em diversos bairros atendendo as pessoas que sentiram que estava na hora de parar de ingerir bebida alcoólica.

Segundo Cunha o AA teve inicio no vale do Juruá5 pelo município de Mâncio Lima e está montado no anonimato e em 36 princípios sendo 12 passos, 12 tradições e 12 princípios que norteiam o caminho da sobriedade, pois o álcool atinge a maioria das pessoas.

“A maioria das pessoas que se afundam no álcool são aquelas que estão em dificuldade e não vem outra porta. Infelizmente através do álcool elas chegam às outras drogas. Compartilhamos nossas experiências para ajudar uns aos outros. A condição para participar do AA é apenas estar disposto a se livrar do álcool. Nos mantemos com cooperação, não aceitamos nem doação de autoridades, como aconteceu recentemente com o Judiciário que queria doar um recurso para nós, agradecemos a boa vontade, mas não aceitamos  porque é uma das nossas tradições. Não somos contra as pessoas que vendem bebida alcoólica ou que bebem, apenas trabalhamos pela sobriedade”, disse.

O delegado do AA destacou a realização do Congresso em Guajará com a presença de pessoas de Manaus, Rio Branco, Eirunepé, Ipixuna e Cruzeiro do Sul e agradeceu o apoio da Igreja Católica que abriga a maioria das sedes dos grupos em suas paróquias dando uma grande contribuição a entidade.

“Sou um alcoólatra em recuperação e trabalho pela sobriedade. É melhor estar em recuperação do que na sarjeta. Estamos na luta para salvar vidas de pessoas, pois o álcool está fazendo muitas vítimas na nossa cidade e no mundo. O álcool faz desastres na família mundial e não escolhe suas vítimas. O AA, apesar de não ser a única saída, está trabalhando pelo espiritual, emocional e físico das pessoas. Nosso remédio é ministrado pela boca através da palavra nas nossas reuniões e recebido pelo ouvido das pessoas que estão afetadas e estamos sempre a disposição para atender alguém que esteja necessitando se livrar do alcoolismo”, afirmou.

Powered by Bullraider.com