Caça as bruxas em Mâncio Lima: Prestadores de serviços contratados no período eleitoral reclamam que foram demitidos

“ Fui demitido porque confirmei para a Secretária de Obras que iria votar no 13”, disse um pai que tem cinco filhos e foi afastado do serviço

extrato

A polêmica causada pela afirmação em matéria jornalística que a gestão do prefeito Cleidison Rocha (PMDB), na Prefeitura de Mâncio Lima, mantém desde o início da administração pagamento de servidores, através de prestação de serviços, mesmo sendo contestada, ficou confirmada pelo próprio gestor que afirma que a prática é legal e de conhecimento do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Sempre atacando os adversários, principalmente o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual faz a acusação de ter “derramado dinheiro na eleição” com apoio de empresas da sua família para comprar a consciência da população, o prefeito Cleidison Rocha, agora começa a ser desmascarado por ele próprio e por algumas pessoas que foram contratadas no período eleitoral e demitidas logo em seguida por razões políticas.

A realidade das contratações feitas no município de Mâncio Lima, que segundo o prefeito estão dentro da legalidade, precisam ser imediatamente averiguadas pelos órgãos de fiscalização como o TCE e agora a Justiça Eleitoral, porque não estão como afirma o prefeito e também, com certeza, influenciaram e modificaram o resultado do pleito eleitoral. Algumas contratações feitas no período eleitoral, uma delas, aqui relatada, segundo a servidora contratada, pelo próprio prefeito numa de suas visitas de campanha, logo após a eleição foram depois demitidas porque não votaram em Cleidison Rocha.

Para complicar a situação, na tarde desta segunda-feira (22) dois homens e duas mulheres, que foram contratados pela prefeitura de Mâncio Lima como prestadores de serviço, reclamaram que foram demitidos logo depois da eleição por motivos políticos. Dois deles foram contratados no período eleitoral e logo depois da eleição dispensados, o que se pode comprovar pelo pagamento feito na agência do Banco do Brasil.

“ Comecei a trabalhar no dia 20 de Agosto. O prefeito passou na minha casa e mandou eu ir trabalhar. Não assinei nenhum papel porque numa sexta-feira de tarde, por volta das 6:00 horas, ele foi lá em casa e mandou eu começar. No primeiro mandato votei nele, ele me deu um trabalho, mas seis meses depois fui demitida. Ele soube que eu não ia votar nele e resolveu me dar um trabalho”, disse.

Segundo a demitida, apesar de ter trabalhado apenas um mês ela recebeu dois meses de salário porque o pessoal da prefeitura descobriu que ela não ia votar no 15 e por isso pagaram dois meses e a demitiram no terceiro.

“ Cheguei no banco e tinha dois meses de salário para mim, mesmo eu tendo trabalhado apenas um mês. Perguntei ao diretor da escola porque tinha aquele valor e ele disse para mim ficar com o dinheiro porque no outro mês (setembro) não ia ter dinheiro. Eles me viram na passeata e então já avisaram. Agora, tem é uma lista de muita gente que vai ser demitida. Queria que tivesse Justiça em Mâncio Lima e se o promotor me chamar para depor eu vou na hora”, desabafou.

Outra jovem que foi demitida afirmou que está muito humilhada com a situação, porque chamaram ela para trabalhar no mês de Maio e a demitiram no mês de setembro porque a viram falando com a filha do candidato do 13.

“ Comecei a trabalhar em Maio. Tenho todos os recibos e no último mês (setembro) tive que falar com o prefeito para poder receber porque se dependesse da secretaria de Ação Social não tinha recebido o último mês. Recebi o dinheiro no dia 11 de Outubro e já fui dispensada. Eles fizeram uma reunião na Secretaria de Educação e me dispensaram. Lá não é o Cleidison que manda não”, disse revoltada.

A situação de um pai de família que tem cinco filhos foi ainda mais dramática. Segundo relata, ele foi contratado três meses antes da eleição, trabalhava um mês e outro não e da última vez começou a trabalhar no dia primeiro de Julho e saiu no dia 11 de Agosto.

“ Fiquei sem o meu trabalho porque a Secretária de Obras perguntou se eu ia votar no 15 e disse que não ia. Então, ela disse que não dava mais para continuar trabalhando com ela. O salário que estava recebendo está fazendo falta para minha família e ainda estou sem trabalho. Não é certo o que o prefeito e sua turma fizeram nesta eleição em Mâncio Lima”, disse.

Questionado sobre o assunto o prefeito Cleidison Rocha afirmou que não existe nenhuma demissão na Prefeitura de Mâncio Lima e as afirmações não são verdadeiras. A Secretária de Ação Social, Angela Rocha, que foi acusada de ter demitido uma das jovens, também afirmou que a informação passada pelas pessoas não é verdadeira e que nenhuma demissão foi feita depois da eleição.

Segundo as informações coletadas os prestadores de serviço recebem o salário numa folha no Banco do Brasil e outros com depósito em conta corrente.

Desde a noite desta segunda-feira (22) quando a equipe de reportagem fez contato com as pessoas que foram demitidas que, segundo os mesmos, passaram a ser contactados e assediados por assessores do prefeito para retornarem a suas vagas, de onde foram afastados.

Elson Costa

 

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