Trabalho e proximidade com a população serão as marcas da administração, diz prefeito Burica

Burica

Francisco Ernilson de Freitas, o Burica, 51 anos, tem um currículo inusitado. Ele foi agricultor, diarista, militar, funcionário da Petrobrás, garimpeiro e comerciante. Nascido na região começou a trabalhar aos 10 anos porque o pai havia contraído hanseníase. “De manhã na roça e à tarde na escola”, lembra o prefeito, que, como ele mesmo diz, tem “dificuldades com as letras”.

Depois de levar uma vida de “peão rodado”, Burica, com uma pequena quantia de dinheiro ganho no garimpo, instala-se na então Vila Rodrigues Alves, no ano de 1988. Monta um comércio, depois compra uma “colônha”, um “gadinho” e filho pródigo estava radicado novamente na cidade onde nascera.

 Se Burica tem dificuldades com o vernáculo, por outro lado ele é bom com os números. “Tudo que eu tenho foi conquistado antes de entrar na política”, enfatiza ele, dizendo que soube investir cada centavo de seu pequeno patrimônio. O prefeito diz que é vítima de “adversários desleais”, que o acusam de ilícitos e descaso com o município. “Cometi erros técnicos, mas graças a Deus sou um homem público honrado”, garante.

O último processo eleitoral, todavia, foi traumático para o prefeito. Candidato oficial do atual projeto de governo, com todas as “máquinas” nas mãos (das três esferas de poder), acabou derrotado pelo enrolado ex-prefeito Francisco Vagner Santana de Amorin, o Deda. O resto da história todos já conhecem: Deda teve a eleição cassada e Burica assumiu sob olhares desconfiados do PT e de parte da população.

Os erros administrativos e a força política dos opositores, por assim dizer, ofuscaram aquilo que foi marca na sua administração - as realizações. Senão, vejamos: asfaltamento de todas as ruas da cidade, construção de escolas, postos de saúde, hospital em parceria com governo, a prefeitura garantiu o terreno para a obra, compra de caminhões e apoio aos pequenos agricultores, serviços de infraestrutura, merenda escolar de qualidade, instalação de torres de telefonia e agências bancárias e construção de casas populares, além da implantação da internet no primeiro mês de sua administração. “Vamos instalar também o Ministério Público, um Fórum e uma agência do INSS”, acrescenta o prefeito.

Apesar da crise financeira e dos corte nos repasses constitucionais, Burica, que foi considerado um dos 100 melhores prefeitos do país (prêmio concedido pela Associação Nacional dos Prefeitos e Vice-prefeitos), sabe que a sua segunda gestão será muito cobrada. Ele, por sua vez, tem pretensões nada modestas: Quer ajudar a realizar o sonho da construção de uma ponte sobre o rio Juruá, que interligaria por terra o município, e testemunhar a descoberta e a consequente exploração de petróleo e gás natural na região.

Acompanhado pela mulher e do assessor de imprensa, Mazinho Rogério, ele conversou com a equipe do Voz Norte e concedeu a seguinte entrevista:

Voz do Norte – Por que o senhor foi considerado um bom prefeito e perdeu as eleições?

Burica – Discordo. Eu não perdi as eleições tanto é que sou o prefeito. Tínhamos três candidatos e eu cheguei ao final do pleito em segundo lugar? Não, sabe por quê? Porque só tinha dois candidatos aptos a concorrer, ou seja, o outro era irregular e isso só tumultuou o processo. Por causa de seus problemas com a Justiça, ele (Deda) foi banido da vida pública.

Voz do Norte – Mas o senhor admite que tem um certo desgaste? Por quê?

Burica – Ele é perfeitamente explicável. Recebemos um município totalmente falido, não tinha nada, prédios públicos com energia cortada, débitos com INSS, Eletroacre, servidores sem receber salário e a nossa administração foi muito atacada por adversários inescrupulosos; parte da população da zona rural ainda está vinculada a uma forma atrasada de fazer política e não tínhamos experiência administrativa, enfrentamos uma das maiores crises financeiras da história mundial; não soubemos utilizar o capital político da nossa gestão; e não tivemos uma boa divulgação das nossas realizações.

Voz do Norte – As principais expressões do PT, recentemente, reuniram-se em Rodrigues Alves. O aconteceu nesse encontro e o que o senhor espera de seu partido?

Burica – Fizemos uma avaliação das últimas eleições, onde analisamos as perdas e ganhos, e marcamos o nosso planejamento estratégico para os próximos quatros anos. O meu partido, o PT, através do Diretório Regional, vai dar orientação política e administrativa, além de fortalecer e consolidar as marcas do modo petista de governar.

Voz do Norte – Que marcas são essas?

Burica – A transparência, a responsabilidade fiscal, a inclusão social e participação popular. A minha administração será marcada por muito trabalho e proximidade com as pessoas, principalmente aquelas que residem na zona rural.

Voz do Norte – O senhor quer dizer mais alguma coisa?   

Burica – Quero, em primeiro lugar, agradecer a Deus. Depois aos amigos, eleitores, deputados e senadores, a minha família e especialmente ao governador Tião Viana. Eu herdei dívidas, enfrentei deslealdade, crises e um monte de outras coisas. A população não quer saber disso não.
Ela tá certa. Fomos eleitos para resolver os problemas, e não para ficar dando justificativas. Com a ajuda da população, vamos fazer uma das melhores administrações que o Acre já viu. É preciso mostrar que quando recebemos o município, Rodrigues Alves funcionava com uma Vila, pois o que temos funcionado hoje que beneficiam a população, não existia nada, além dos débitos e problemas herdados da administração anterior. Então, podemos avaliar que nossa administração foi vitoriosa, pois buscamos atender nossa população que com certeza tem hoje um atendimento de qualidade na saúde e na educação, além do grande apoio da prefeitura e do governo do Estado aos produtores rurais. Então, trabalhamos muito e vamos continuar trabalhando para melhorar a vida de população.

www.vozdonorte.com.br - Jorge Natal

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