Tarauacá, cem anos: hoje é dia de festa!

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Tarauacá completa cem anos hoje – as bicicletas são marca registrada da cidade (Foto: Angela Peres/Secom)

Agência de Notícias do Acre - Onides Bonaccorsi Queiroz

 Cem anos. É a idade que Tarauacá completa hoje, 24 de abril de 2013.

Muito bem comemorados em uma programação variada. Eventos musicais, culturais, militares, religiosos e esportivos pontuaram a agenda nos últimos seis dias. O governo do Estado foi parceiro da Prefeitura de Tarauacá na realização da festividade.

E hoje tem mais. Durante o dia, competições esportivas e, à noite, dois shows: com o cantor Zezo e Banda, do Rio Grande do Norte, e com a cantora Sandra Melo e Banda, de Rio Branco.

Um pouco da história do município

No final do Século 19 ocorreu a migração de nordestinos – os chamados “arigós”, sobretudo cearenses, para a formação e exploração de seringais nativos na região amazônica. Em 1899, chegou ao Acre um grupo de emigrantes na confluência dos rios Muru com o Tarauacá, fundando o Seringal Foz do Muru.

Tarauacá surgiu na confluência dos rios Muru e Tarauacá (Foto: Angela Peres/Secom)

Fundado em 1º de outubro de 1907 por Antônio Antunes de Alencar, o povoado foi transformado em vila e batizado de "Seabra", em homenagem a José Joaquim Seabra, ministro da Justiça e Interior no governo de Rodrigues Alves.

Tarauacá obteve sua autonomia por meio do decreto federal 9.831, de 23 de outubro de 1912, tornando-se, então, município, que foi instalado apenas em 24 de abril de 1913, data em que se comemora o aniversário da cidade.

Rua Dona Constância de Menezes, no início do século passado (Foto: arquivo)

Essa época marca também a decadência do Ciclo da Borracha, com a ascensão da produção dos seringais plantados na Malásia. O fato representou um grande impacto na economia do Estado.

Grupo Escolar João Ribeiro, o mais antigo da cidade, ontem e hoje (Fotos: arquivo e Angela Peres/Secom)

O decreto federal 14.383, elevou, em 1920, Seabra à categoria de cidade, com a denominação Tarauacá, que significa “rio dos paus ou das tronqueiras”.

A Igreja São José é um dos primeiros marcos da cidade (Fotos: arquivo e Angela Peres/Secom)

O Novenário de São Francisco, uma das tradições tarauacaenses

O paraense Raimundo Eustáquio de Moura morava num seringal próximo à Vila Seabra (atual Tarauacá) com a família. Viajava nos rios da região, a serviço. Numa dessas viagens, houve um naufrágio e Raimundo prometeu a São Francisco de Assis que, se conseguisse sobreviver, ergueria uma igreja e fundaria uma missão em sua devoção.

Foi atendido e, mudando-se para a vila, iniciou o serviço religioso do Novenário em 1924, com um pequeno quadro do santo. Em 1929, mandou trazer uma imagem de São Francisco.

Com a ajuda dos romeiros, construiu uma capela, onde eram realizados os novenários anualmente, de 24 de setembro a 4 de outubro, dia de São Francisco. O evento era iniciado com um grande toque de alvorada e salva de fogos. Os romeiros vinham de muito longe pagar suas promessas e agradecer as graças recebidas.

Em 1940, com licença concedida pelo bispo D. Henrique Ritter, foi fundada uma irmandade e colocada a pedra fundamental para a construção de uma nova igreja, em clima de solenidade.

Contra a vontade do fundador da missão, o vigário da época preferiu transferir as novenas para a Paróquia São José, e a nova igreja não foi construída. Raimundo, desgostoso, não mais tomou parte nos novenários, apenas assistia às novenas. Faleceu em 1959.

Entretanto, a tradição que iniciou se fortaleceu, com muitos peregrinos da região, do Acre e de outros estados. Estima-se que, em 2012, o Novenário de São Francisco reuniu, em Tarauacá, mais de 20 mil pessoas.(Fonte: Celestina Mourão, filha de Raimundo Eustáquio de Moura)

 

Fundado em 1924, o Novenário de São Francisco, em Tarauacá, conseguiu atrair mais de 20 mil pessoas em 2012 (Imagem: internet)

 Localização, dados demográficos e geográficos

Tarauacá está 400 km a noroeste de Rio Branco e possui a quarta maior população do estado, 35.590 habitantes, sendo 51,62% por cento urbana e 48,38% por cento rural (IBGE 2010). Ocupa o terceiro lugar entre os municípios do estado em extensão territorial.

Limita-se ao norte com o estado do Amazonas; ao sul, com o município de Jordão; a leste, com o município de Feijó; a oeste, com os municípios de Cruzeiro do Sul e Porto Walter e, a sudoeste, com o município de Marechal Taumaturgo.

Belos cenários no final de tarde, à beira do rio (Foto: Angela Peres/Secom)

A cidade de é banhada pelo rio do mesmo nome, que, no verão, é margeado por quilômetros de praias de areias brancas, cujo banho é opção de turismo e lazer.

Terras Indígenas

Tarauacá é o segundo município do Acre em concentração de terras indígenas, são oito áreas que equivalem a 9,8% da área do município. Os povos vivem em 30 aldeias, com aproximadamente 1.639 pessoas. As etnias predominantes são jaminawas e kaxinawás, ambas da família linguística pano.

Há grande concentração de povos indígenas na região de Tarauacá (Foto: Angela Peres/Secom)

Projetos de Assentamento (PAs)

Tarauacá possui quatro projetos de assentamento (PAs). Destaca-se como o mais populoso o PA Tarauacá, com 266 famílias. Há, também, o Novo Destino, com aproximadamente 217 famílias. O Taquari é o maior assentamento, em área com 56.950 hectares, onde vivem aproximadamente 111 famílias. No PA Amena vivem cerca de 20 famílias.

Unidades de Conservação

A Floresta Estadual do Rio Liberdade foi estabelecida em 2004, a partir do programa de desenvolvimento do estado. Ela ocupa uma área de 120 mil hectares e assegura aos moradores o direito de permanecerem no local, além de regularizar a situação fundiária e proteger a floresta do desmatamento.

A Floresta Estadual do Mogno, de 140 mil hectares e criada no mesmo ano, deve receber atividades de manejo de mogno, além de manter a população em seus locais de moradia e proteger a área contra atividades predatórias ou ilegais nesta região de influência da BR 364. Já a Floresta Estadual do Rio Gregório foi criada no ano 2004, com 213 mil hectares, visando proteger a área e os seus moradores.

A beleza natural se destaca em Tarauacá (Foto: Angela Peres/Secom)

Agradecimentos: João Maia, Marcos Vinícius das Neves e Francisca Aragão.

OBRAS SOBRE TARAUACÁ E OUTRAS REGIÕES DO ACRE

Sugeridas por João Maia, estudioso de história em Tarauacá

- Cláudio de Araújo Lima: “Coronel de barranco”

- José Potyguara: “Sapopema”(contos), “Vidas marcadas” (sobre Tarauacá), Terra caída (sobre Cruzeiro do Sul)

- José Higino de Sousa Filho: “A luta contra os astros”

- Leandro Tocantins: “Formação histórica do Acre” e “Olhos inocentes”

- Ferreira de Castro: “A selva” (sobre os horrores da vida na mata)

- Alfredo Lustosa Cabral: “Dez anos de Amazônia”

- Márcio Souza: “Galvez, imperador do Acre”

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Morre mulher símbolo da luta dos Soldados da Borracha

Perpetua nova 2 mulher morre

Perpétua lamenta e apela à Dilma para que evite novas mortes sem o reconhecimento salarial

Vicência Bezerra da Costa, a Tia Vicência como era conhecida, nasceu no Ceará e veio para o Acre como Soldada da Borracha.

 Atraída pelas promessas do Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (Semta), chegou ao Acre aos 14 anos de idade, junto com as levas de nordestinos que foram enviados para os seringais amazônicos.

Como os outros 60 mil Soldados da Borracha importados do nordeste, Vicência foi incumbida de coletar o látex para abastecer a indústria de guerra dos Estados Unidos.

Mesmo atravessando todas as dificuldades de viajar amontoada com os outros, tendo o navio acompanhado por caça-minas e aviões de guerra, ter estado sob a mira de um submarino alemão e depois em terras desconhecidas trabalhar árduamente, Vicência nunca perdeu o bom humor.

Autora do Hino do Soldado da Borracha, cantava-o orgulhosamente em todas as solenidades e até o último minuto de sua vida acreditou no reconhecimento do trabalho que desempenhou.

A animação dela contagiava os que duvidavam da equiparação salarial com o soldo dos subtenentes do exército. Benefício que não conseguiu alcançar.

Dona Vicência morreu nas primeiras horas desta quinta-feira (21), vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Ela tinha 84 anos e deixa 4 filhos outros quarenta descendentes, entre netos e bisnetos.

A morte chocou a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB),  autora e relatora do projeto que equipara a pensão dos soldados da borracha ao soldo dos ex-combatentes de guerra, conhecidos como pracinhas. Projeto que, ainda, aguarda para ser incluído na pauta de votação da Câmara. 

 “É mais uma que morre sem ter seus direitos de Soldado da Borracha reconhecidos. Impossível não chorar! Eu fico com o coração sangrando, esperando quem será o próximo.  E lembro que meu pai, também Soldado da Borracha, esperançoso por ter seus direitos reconhecidos,  completou 90 anos. Faço mais um apelo a presidenta Dilma, para que faça justiça! São tão poucos!Preciso que a Bancada do Acre me ajude nessa luta. Já ta ficando muito tarde... Eles não aguentam mais esperar!”, desabafou.

Assessoria

 

 

 

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Artesão que constrói canoas há 40 anos precisa de equipamentos para melhorar produção

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O artesão José Emilde da Silva, 62 anos, montou sua pequena oficina ao lado da sua casa no município de Rodrigues Alves onde diariamente trabalha na construção de canoas de diversos tamanhos cuja venda garante o sustento da família. Ele viveu a maior parte da vida no seringal onde aprendeu a profissão com o pai há mais de 40 anos.

Sempre muito bem humorado o artesão afirma que já construiu pelo menos 100 canoas que são vendidas às pessoas que moram no interior e precisam de barcos para se locomover pelos rios da região. O valor de venda varia de R$ 400,00 a R$ 1.000,00. “É um preço baixo, mas as pessoas não conseguem pagar mais”, disse o construtor.

José Emilde fabricou o primeiro barco aos 15 anos idade e afirma que tudo que sabe fazer aprendeu com seu pai que o ensinou a escolher a árvore, calcular as medidas para não perder a madeira e depois fabricar o barco. “As madeiras mais utilizadas para fabricar canoas é a Jacareúba, Guariúba e o Angelim, que são madeiras de lei”, disse.

Nas mãos do artesão cada árvore derrubada se transforma em meio de transporte nos rios. Atualmente ele retira a madeira no Ramal 3 onde faz os primeiros talhos e depois a transporta ao local de trabalho. “Depois de pronta a embarcação recebe uma camada de tinta para aumentar a durabilidade e fica pronta para venda”, diz com um largo sorriso no rosto.

As canoas fabricadas pelo construtor tem capacidade para até cinco pessoas e levam cerca de cinco dias para ficarem prontas, depois da madeira chegar a oficina. José Emilde afirma que atualmente são poucas as pessoas que sabem a arte que utiliza a estrutura das árvores para fazer boas canoas.

“Hoje, só as pessoas mais velhas sabem fazer canoas da própria árvore e muitos dos que sabiam já morreram. Cada um tem seu talento, alguns constroem aviões, outros motos, carros, mas nenhum desses sabe fazer barcos como eu faço para andar nas águas. Sou muito feliz com minha profissão”, diz bem humorado.

O construtor aproveita para pedir apoio do governo ou da prefeitura para a aquisição de equipamentos que podem melhorar sua atividade. “Ainda tenho fé que vou conseguir uns equipamentos desses distribuídos pelos homens do governo. Eles estão fazendo um bom trabalho pelo povo mais carente apoiando os pequenos negócios”, afirma.

José Emilde afirma que muita gente na Rodrigues Alves já ganhou equipamentos para trabalhar e diz que tem esperança de conseguir algumas ferramentas. “Preciso de uma lixadeira, um pequeno motosserra e outras ferramentas menores, para melhorar minha produção e a qualidade das canoas”, finalizou.

Elson Costa - Fotos: Elson Costa

 

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Marechal Taumaturgo, Porto Walter e Tarauacá terão aeródromos reformados

Tiao viana aerodromos

O governador Tião Viana participou de uma audioconferência com a Secretaria de Aviação Civil, membros do governo do Estado do Acre e Banco do Brasil na Casa Civil

Os aeródromos de Marechal Taumaturgo, Porto Walter e Tarauacá serão totalmente reformados para oferecer melhores condições de acesso e uso. A ação faz parte de uma decisão do governo federal, através da Casa Civil, em parceria com o Banco do Brasil. A proposta é revitalizar a estrutura aeroportuária nacional, num investimento de R$ 7,3 bilhões.

 A ideia é integrar os aeroportos para fortalecer a aviação regional e atender quase a totalidade da população brasileira com aeroportos num raio de até 100 quilômetros de suas cidades. Os projetos e a execução serão feitos pelo Banco do Brasil, que, numa ação emergencial fará uma operação de recuperação rápida, com tapa-buracos, para garantir a trafegabilidade das pistas durante o inverno amazônico.

“Essa é uma decisão importante da presidenta Dilma, em parceria com o Banco do Brasil. Vamos atender a população destas cidades de difícil acesso e num segundo momento contemplar as cidades de Brasileia e Epitaciolândia, que vivem um bom momento de expansão e precisam deste suporte de aeroporto”, disse o governador Tião Viana durante uma audioconferência com a Secretaria de Aviação Civil, governo do Estado do Acre e Banco do Brasil, que aconteceu na Casa Civil, em Rio Branco.

O diretor do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre), Ocírodo Júnior, explica neste primeira etapa será realizada a operação emergencial. “Estes investimentos são totalmente do governo federal. Antigamente o governo do Estado entrava com uma contrapartida. Esta é uma ação importante para garantir o acesso a estes municípios, dando mais qualidade e segurança aos aeródromos”, explicou.

Os investimentos são do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), na ordem de R$ 7,3 bilhões e beneficiarão 280 aeródromos em todo o Brasil. “O Banco do Brasil será o responsável pela elaboração dos projetos e pela execução da obra, que vai atender aos municípios de Marechal Taumaturgo, Porto Walter e Tarauacá. A ideia de envolver o BB foi entregar ao Banco a gestão de um fundo, cuja rentabilidade virá do funcionamento dos aeroportos”, explicou Marcolino Rodighero, superintendente em exercício do Banco do Brasil.

O governador Tião Viana lembrou da importância de alterar o local da pista do aeroporto de Marechal Taumaturgo, que se encontra sobre uma região pantanosa, e do outro lado do rio, o que obriga a população a enfrentar as escadarias do barranco do rio e fazer uma longa caminhada até a pista, percurso especialmente difícil para idosos e doentes. A proposta será analisada do ponto de vista da viabilidade econômica e poderá ser acatada.

Na próxima semana começam as visitas técnicas aos aeródromos, para a elaboração dos projetos e a definição do tipo de investimentos que serão feitos em cada um deles, realizadas pelo Banco do Brasil.

Agência de Notícias do Acre - Tatiana Campos Fotos: Sergio Vale

 

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