Perigo: adultos e crianças estão sem água potável e bebem a água do Rio Juruá nas regiões alagadas

O período de enchente do Rio Juruá a cada ano deixa desabrigadas e em condições precárias muitas famílias que construíram suas casas e margens e também em bairros como a Lagoa e outros e ficam isolados pela cheia do rio. A canoa é o único meio de transporte e acesso dos moradores para suas casas na saída para o trabalho e na volta no final da tarde. A maioria das casas também ficam sem energia elétrica desligada pela Eletrobrás por motivo de segurança.

A dona de casa Raquel Nogueira, por exemplo, mora com o marido e os cinco filhos numa área alagadiça no bairro da Lagoa há mais de 10 anos. Os filhos menores tem um ano e meio e três anos. Ela diz que tem um grande cuidado para não acontecer nada de ruim seus filhos e reclama que estão sem água potável e afirma que a família bebe a água do Rio Juruá, que também recebe os dejetos e o lixo das residências da localidade.

“ A gente bebe dessa água mesmo, tanto os grandes quanto as crianças. Usamos também a água para lavar roupas e fazer as coisas da cozinha. Nesses anos que moramos aqui já estamos até acostumados com a enchente do rio. Mas, espero um dia conseguir uma casa num lugar melhor para morar. A situação aqui é muito difícil, principalmente neste período da enchente e pelo perigo que as crianças correm”, disse Raquel.

Dona Raquel reclama ainda do desligamento da rede de energia elétrica que causa muitos problemas, pois ela fica sem ter onde guardar os produtos da alimentação e ainda sem a televisão para assistir as novelas, que são das poucas diversões da família. “ Estou perdendo as novelas, que são a única diversão da gente. Mas, o pessoal da Eletrobrás diz que a energia elétrica é desligada para garantir a nossa segurança e não podemos fazer nada”, disse.

Muitas famílias estão na mesma situação de dona Raquel e neste momento precisam do apoio das autoridades que precisam fornecer urgentemente água potável para as casas isoladas, principalmente no bairro da Lagoa. Na maioria das vezes os moradores não tem dinheiro nem para cobrar comida. A questão do fornecimento da água potável é sem dúvida é de saúde pública para evitar que essas pessoas se contaminem ao beberem a água do rio.

Add a comment (0)

Moradores da Lagoa bloqueiam Ponte da União depois da Eletrobrás desligar energia do Trapicho

Muitos moradores dos bairros da Lagoa e Miritizal interditaram a Ponte da União no final da tarde desta segunda-feira (02) depois que a Eletrobrás desligou a rede de energia elétrica que atende consumidores do local conhecido por Trapicho que estavam fornecendo através de rabicho energia para outras casas localizadas na área alagada pela enchente do Rio Juruá .

Revoltados com o desligamento da energia os moradores queimaram pneus e colocaram outros entulhos no leito da ponte impedindo o tráfego de veículos e causando rapidamente um grande engarrafamento dos veículos e caminhões que estariam saindo ou chegando na cidade pela Variante da BR-364 e também se dirigindo ao município de Rodrigues Alves.

Os moradores alegavam que não havia necessidade de desligar a energia no local porque a água ainda está longe de atingir o trapicho, mas a Eletrobrás determinou o desligamento depois de receber e comprovar denúncia de que moradores estavam cedendo sua energia para casas localizadas na área da alagação causando grande risco de eletrocutar alguém caso um fio caísse na água.

O gerente da Eletrobras, José Melo, informou que energia foi desligada nos bairros da Lagoa, Miritizal e em outras comunidades como Boca do Môa, Praia Grande, depois de uma vistoria da equipe técnica da empresa, para garantir a segurança dos consumidores e evitar que fatalidades que aconteceram em anos anteriores e também porque moradores do Trapicho estavam fazendo ligações clandestinas.

“ Nossa única preocupação é garantir a segurança dos consumidores e evitar fatalidades que aconteceram nos anos anteriores. Entendemos a situação e a necessidade das pessoas, mas com energia não se brinca e todos os anos realizamos esse desligamento para preservar a vida. Caso um fio da rede caia na água pode causar a morte de muitas pessoas”, disse.

Segundo José Melo a Eletrobrás desligou a energia de cerca de 400 consumidores localizados nos bairros atingidos pela enchente do Rio Juruá porque o local se torna perigoso pela presença do grande volume de água e da energia e que o rio já ultrapassou sua cota de alerta. Depois de uma negociação com os manifestantes e avaliação da equipe técnica da Eletrobrás a energia foi restabelecida em alguns locais.

Melo enfatizou que o representante da comunidade se comprometeu em verificar se as pessoas continuariam fazer as ligações clandestinas e foi avisado que caso seja identificado qualquer irregularidade deste porte a energia será desligada para garantir a segurança das pessoas.

O promotor de Justiça, Alekine Lopes, que compareceu ao local da manifestação e intermediou a negociação entre manifestantes e a equipe técnica da Eletrobrás, informou que a energia no local foi desligada para garantir a segurança das pessoas e evitar acidentes com vítimas fatais por motivo da enchente do Rio Juruá.  

“ Fomos chamados pela Polícia Militar e Eletrobrás para acompanhar a manifestação e buscar uma solução para o impasse onde pessoas da comunidade fecharam a rodovia em protesto pelo corte da energia. Verificamos que algumas casas estavam em condições de continuar com energia e foram religadas. As que não estão vão continuar desligadas por motivo da segurança das pessoas”, disse.  

O líder comunitário conhecido por Chaguinha do povo, um dos organizadores da manifestação e protesto contra o corte da energia na área do trapicho da Lagoa, afirmou que não há nenhum risco para a comunidade porque as águas ainda estão longe de atingir as casas e agradeceu a presença do promotor de Justiça que garantiu a negociação para o retorno da energia.  

“ Quero parabenizar a população da comunidade pela decisão de enfrentar a situação e provar mais uma vez de que o povo unido jamais será vencido. A Eletrobrás sempre faz as coisas do jeito que querem, mas no trapicho a água ainda está muito distante de atingir as casas e não havia necessidade de desligar a energia. Graças a Deus a energia já está sendo religada para atender nossa necessidade”, disse.

Add a comment (0)

Agência Fluvial da Marinha do Brasil fiscaliza embarcações e orienta população para os perigos da navegação

Marinheiros fazem a abordagem dos barcos e a devida orientação, além de cobrar documentação

O Capitão Tenente Carlos Brandão, Agente Fluvial de Cruzeiro do Sul, neste momento de enchente do Rio Juruá, faz um alerta aos ribeirinhos e pessoas que utilizam canoas e barcos nos rios da região para que adotem alguns cuidados básicos para evitar acidentes e os afogamentos que tem ocorrido no Rio Juruá por conta da falta de utilização dos coletes salva vidas e do excesso de velocidade nos barcos.

Capitão Tenente Carlos Brandão, Agente Fluvial de Cruzeiro do Sul

A Agência Fluvial realiza diariamente inspeções e abordagens de canoas e barcos de grande porte que navegam no Rio Juruá com o intuito de orientar, mas também de cobrar a documentação necessária de barcos e seus condutores que precisam estar cadastrados na Agência e capacitados para atuarem na navegação, inclusive os condutores de canoas.

“O trabalho da Marinha do Brasil está sempre focado na conscientização, através de orientação e realização de cursos que estão sempre focados na capacitação dos diversos agentes que estão presentes para navegação para que possamos evitar os acidentes e perdas de vidas que tem acontecido com os afogamentos e na sua maioria poderiam ter sido evitados se medidas de precaução tivessem sido tomadas”, disse.

O Capitão Tenente orienta que a primeira necessidade é os condutores e passageiros de canoas e barcos utilizem o colete salva vidas que com certeza poderia ter evitado muitas mortes por afogamento que aconteceram na região. O excesso de velocidade de barcos, principalmente neste período de enchente, é outra preocupação do comandante que alerta para que os condutores naveguem com mais prudência.

“Orientamos que os condutores e passageiros utilizem o colete salva vidas, que os condutores de canoas e barcos naveguem com uma velocidade compatível, porque tem acontecido um grande número de acidentes provocados pelo choque de embarcações onde os grandes barcos alagam as pequenas canoas que devem sempre navegar mais próximas da margem onde tem menor correnteza e menor rebojo”, orientou.

Na inspeção realizada na manhã desta quarta-feira (28) pela equipe de marinheiros da Agência Fluvial foi observado que a maioria das pessoas que utilizam as canoas não utilizam o colete salva vidas e mesmo com o grande volume de água no Rio Juruá crianças de pouca idade são transportadas sem o dispositivo de segurança. Numa das canoas a criança usava o colete, mas o condutor da canoa não usava.

“Nossas inspeções são feitas diariamente e em pelo menos duas vezes por semana procuro estar presente. A meta é orientar, mas também fiscalizar a documentação, e uso de equipamentos de segurança. Avaliamos que a Agência está em Cruzeiro do Sul, sentimos que a população precisa de orientação e estamos fazendo palestras nas comunidades ribeirinhas e também em escolas”, afirmou.

O comandante informou que outra ação da Agência Fluvial é a educação e formação dos condutores de barcos, através de diversos cursos que são programados no ano anterior, através do Programa de Ensino Profissional Marítimo para Aquaviários (Prepom) que podem ser acessados no site www.dpc.mar.com.br, no ícone Ensino Profissional Marítimo Para Aquaviários (Prepon).

Além do serviço de fiscalização e orientação a Agência Fluvial também realiza serviço de inscrição de embarcações com a expedição do Titulo de Inscrição de Embarcação (TIE), que é a identificação da embarcação e se assemelha ao IPVA dos veículos, sendo obrigatória sua expedição. O expediente normal é das 8:00 às 11:00 horas e o despacho de embarcações é feito durante 24:00 horas.

“Temos quatro pontos de atuação principal nas Agências, Delegacias e Capitanias dos Portos, através do Sistema de Segurança do Tráfego Aquaviário (SSTA) que tem como fatores principais atuação na segurança da navegação, inspeções navais e inscrição de embarcações, salvaguarda da vida humana no mar, na parte de salvamento, além da proteção ambiental que fiscalização nos postos de combustível flutuante”, disse.  

O Agente Fluvial informa ainda que no caso de acidentes com morte, sem morte ou desaparecimentos a população pode acionar a Marinha do Brasil, que a exemplo do Corpo de Bombeiros, pode colaborar.

Um alerta é feito aos proprietários das pequenas balsas que realizam o transporte de veículos no Rio Juruá, entre os municípios de Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves, sobre as orientações repassadas de que cada veículo pode transportar apenas um veículo em cada viagem. “No caso de flagrante, durante uma inspeção, o condutor que estiver descumprindo as normas pode ser autuado, pagar multa e até ter sua embarcação apreendida”, orientou.

A Agência Fluvial da Marinha do Brasil em Cruzeiro do Sul conta com uma guarnição de 10 militares, além do comandante e funciona com três sessões – Ensino Profissional Marítimo (EPE), Segurança do Tráfego Aquaviário (STA) e de Apoio e tem jurisdição sobre os municípios de Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, no Acre e Guajará e Ipixuna, no Amazonas.

Add a comment (0)

Empresário Zaqueu visita Clínica de Doenças Renais do vale do Juruá e se emociona com a certeza do retorno para continuar a hemodiálise em Cruzeiro do Sul

Zaqueu

O empresário Zaqueu Cândido da Silva, que faz tratamento de hemodiálise em Rio Branco, esteve em Cruzeiro do Sul no final de semana onde visitou a moderna instalação da Clínica de Doenças Renais do Vale do Juruá, onde deverá continuar com a hemodiálise quando iniciar o funcionamento neste mês de Fevereiro e finalmente conseguir retornar para sua casa depois de dois anos fazendo o tratamento na capital.

Zaqueu se emocionou com a estrutura da nova clínica do Juruá que vai garantir o retorno de um grande número de pessoas de Cruzeiro do Sul que fazem o tratamento em Rio Branco e em outros Estados e espera retornar em breve para casa logo que a clínica inicie a funcionar com normalidade. “ Agora é só esperar mais um pouco para retornar para casa”, disse Zaqueu no Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul, quando retornava para Rio Branco.

A luta pela recuperação da saúde do empresário iniciou há sete anos quando foi diagnosticado os primeiros sintomas do diabetes e ele passou a fazer tratamento em São Paulo, sempre com apoio dos irmãos Abrahão e Nicolau Cândido que o levavam anualmente para consultas. Em Cruzeiro do Sul, o médico Dr. Hamilton foi o grande suporte da família no tratamento ao longo desses anos.

Zaqueu sempre foi um empresário muito trabalhador. Em sua propriedade no bairro Santa Terezinha, onde morava com a esposa Edna, os dois filhos e convivia também com os outros filhos e os seis netos, antes de ir para Rio Branco para fazer a hemodiálise ele criava suínos, peixe e hortaliças. “ Ele sempre foi uma pessoa muito ativa e gostava de trabalhar”, afirmou a esposa.

Em 2011, depois do resultado de uma avaliação feita pelo médico Dr. Hamilton que constatou que o nível de creatina de Zaqueu estava muito alto e seus rins estavam apenas com 13% de funcionamento veio a recomendação do tratamento de hemodiálise que não tinha em Cruzeiro do Sul. Depois de uma forte crise, quando ele ficou internado, foi convencido pelo médico e familiares que deixar residência e tudo que gostava para se transferir para Rio Branco para garantir um tratamento mais eficiente.

“ A mudança para Rio Branco foi um choque muito grande. Apesar de ter ido para a casa de uma sobrinha minha, cujo filho é médico e nos atendeu muito bem, sair da nossa casa foi muito difícil, principalmente para o Zaqueu. Em Rio Branco a gente se sentia muito só, apesar do apoio familiar. No início ele não aceitava muito, ele era uma pessoa muito ativa, gostava muitos animais que criava e o coração ficava muito apertado com a situação”, disse.

Em Rio Branco dona Edna destaca o grande número de amizades conquistadas, com familiares e com as pessoas que fazem o mesmo tratamento de hemodiálise, vindas de muitos lugares do Acre e até do Amazonas e faz um agradecimento aos médicos Dr. Jamal, Dr. Francirlei, médico ortopedista, que é sobrinho e a Dra. Clenilsa, além de um agradecimento especial ao Dr. Hamilton , que descobriu a doença e o encaminhou para tratamento.

“ Graças a Deus o atendimento na clínica em Rio Branco é de primeira qualidade. Desde os atendentes até os médicos, o tratamento é muito carinhoso. Se pudesse traria todos eles para Cruzeiro do Sul, quando a gente retornar pois é uma equipe muito carinhosa com os pacientes e os acompanhantes. É um tratamento que não é fácil e o paciente precisa de muito carinho e atenção 24 horas”, disse.

Dona Edna conta que Zaqueu está muito animado com a possibilidade de retornar em breve, para continuar o tratamento em casa e no lugar onde ele se sente muito bem, principalmente depois que fez uma cirurgia no pé e precisa estar numa cadeira de rodas ao fazer um agradecimento especial ao governador Tião Viana e aos médicos Dr. Ricardo, Monicely e Aline Cameli, pelo investimento que vai garantir melhoria de vida e a volta dos pacientes que estão em Rio Branco para fazer hemodiálise.

“ A notícia do retorno deixou o Zaqueu muito feliz. Depois que ele veio visitar a clínica, no dia da inauguração temos a certeza da nossa volta pela qualidade técnica da clínica que vai garantir um bom atendimento a todos os pacientes que como ele estarão voltando para o convívio de seus familiares. Não tenho palavras para agradecer essa decisão do governador de incentivar a implantação desse centro de hemodiálise que vai beneficiar tantos pacientes”, disse.

Add a comment (0)