Professores da rede estadual mantem greve e fecham Coordenação de Educação de Cruzeiro do Sul

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Em assembleia na manhã desta sexta-feira (05) professores da rede estadual de ensino decidiram manter a greve e também fechar o Núcleo da Coordenação de Educação em Cruzeiro do Sul, localizado no prédio onde funcionava a antiga Escola Craveiro Costa.

Os trabalhadores em educação repudiaram a decisão do governo do Estado que anunciou a retirada das pautas da mesa de negociação e garantem que a greve continua por tempo indeterminado, mesmo com o prejuízo para o ano letivo.

O presidente do Núcleo do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), professor Valdenísio Martins, afirmou que a decisão do secretário Daniel Zen deixou os trabalhadores insatisfeitos com a retirada das pautas da mesa de negociação.

“Nossa greve entra no seu décimo segundo dia e nesta manhã deliberamos mais um passo decidindo fechar o Núcleo da Coordenação de Educação, porque as pessoas que ali trabalham também são servidores da educação, professores e funcionários de apoio”, disse.

Segundo Valdenísio Martins, além do aumento de salários, o movimento reivindica a melhoria das condições de trabalho e a autonomia para que os servidores possam exercer suas funções com mais qualidade e dar um resultado melhor à educação.

“As propostas apresentadas pelo governo só contemplam benefícios para 2014. Esperamos que o governo possa voltar atrás e fazer uma negociação para que os benefícios sejam implantados em 2013. Senão sinalizar vamos permanecer em greve até novembro de 2013, a não ser que o governo repense sua posição e atenda as necessidades da categoria”, disse.

O presidente destacou que o movimento grevista sempre prejudica o ano letivo e os alunos das escolas, mas muitas escolas do município, como a Escola Braz de Aguiar, ainda não começaram o ano letivo, por falta de planejamento da Secretaria de Educação que garantiu encontrar uma forma de resolver o problema. “Então, vão ter que encontrar um jeito para atender as reivindicações da categoria para que o movimento grevista seja suspenso”, disse.

Valdenísio garantiu que no Núcleo da Coordenação de Educação serão mantidos alguns trabalhos considerados essenciais e agradeceu a solidariedade dos trabalhadores de educação que entenderam a necessidade de paralisar as atividades do órgão em prol das reivindicações e melhorias solicitadas pelo Sinteac ao governo do Estado.

O coordenador em exercício do Núcleo da Coordenação de Educação de Cruzeiro do Sul, professor Amarízio Saraiva, destacou o respeito ao movimento grevista e informou que o governo está sempre a disposição para a negociação, dentro de sua possibilidades, porque nem trabalhadores nem o Estado querem que aconteça a greve.

“É preciso um entendimento de que o Brasil vive momentos de dificuldade o que acarreta problemas para os Estados. No ano passado o Estado perdeu R$ 300 milhões em sua receita e em 2012 o valor já chega a R$ 100 milhões, dinheiro que poderia estar sendo investido na melhoria da qualidade do salário dos servidores”, disse.

Amarízio lembrou que nos dois primeiros anos de sua gestão o governador Tião Viana deu um aumento linear de 20% para todos os servidores, com 5% de aumento real a cada seis meses. Em 2013 a queda dos repasses causa um grande problema para que o Estado possa honrar o pagamento de todos os servidores.

“A proposta do Estado está sendo analisada pelo Sinteac que ainda não chegou a um consenso, mas o Núcleo de Cruzeiro do Sul está sempre de portas abertas para dar sua contribuição. Esperamos que essa greve termine o mais rápido possível para que a comunidade escolar possa voltar a sua normalidade”, disse.

O coordenador destacou que o Acre estava em 27º lugar na educação no país e agora já está entre os cinco no ranking da educação brasileira, lembrando os grandes investimentos feitos na construção de modernas escolas, formação de professores em nível superior e a melhoria da estrutura de trabalho, além de aumento de salário para os trabalhadores que nos governos da Frente Popular recebem seu salário rigorosamente em dia.

“Quando se chega a um determinado patamar para se crescer visivelmente é mais difícil sendo necessário manter para não deixar cair a qualidade. Esperamos que a crise passe o mais rápido possível e que o Acre possa voltar a receber recursos suficientes para garantir dias melhores para o setor educacional. Não é um questão de querer ou não dar o aumento, é uma situação do Estado”, disse.

 

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