Polícia Civil prende ribeirinho que vivia como marido da filha há mais de 10 anos

Mulher vivia em cárcere privado, teve 10 filhos do pai e fez os próprios partos. Quatro crianças morreram

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Uma equipe Polícia da Civil realizou diligência no Seringal Bacuri para verificar denúncia feita no Conselho Tutelar que afirmava que um homem de nome João Ribeiro das Chagas vivia maritalmente com sua filha há mais de 10 anos e a mantinha em cárcere privado e condições sub-humanas. A denúncia foi feita no Conselho Tutelar por um padrinho da mulher.

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Acompanhada do Conselheiro Tutelar José Cláudio da Costa a equipe se deslocou pela BR-364 até a ponte do Rio Gregório, onde embarcou numa canoa e desceu o Rio Gregório por mais de cinco horas até chegar ao local onde morava o acusado.

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Chegando ao local os policiais agiram com cautela, cercaram a casa e realizaram a prisão sem dar chance de reação do acusado que segundo informações afirmou que receberia até a policia a bala, caso alguém lhe denunciasse.

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Na pequena casa construída com paxiúba os policiais e o representante do Conselho Tutelar encontraram seis crianças que nasceram da relação entre pai e filha. Uma menina de 10 é a mais velha e o mais novo tem apenas seis meses. Outros quatro morreram no parto que foi feito pela própria mulher. Um menino de três anos é deficiente e ficava isolado num ambiente inadequado para um ser humano.

O conselheiro Tutelar José Cláudio lamentou a situação e visivelmente emocionado ao relatar a veracidade da denúncia.

“ Uma situação muito triste, nenhum dos filhos tem certidão de nascimento e a mulher vivia em cárcere privado e sob ameaças permanentemente, além de ser agredida. Encaminhamos a mulher e as crianças para um abrigo onde vão receber tratamento e apoio piscicológico. É inconcebível um ser humano ser tão rude e cruel como este caso que foi constatado”, disse em lágrimas o conselheiro.

Sem noção do drama que vivia a mulher afirmou que o pai a violentou quando ela tinha 10 anos, dentro da mata e depois passou a tê-la como esposa.

Depois de dar voz de prisão ao acusado os policiais o conduziram até a Delegacia Especializada de Atendimento á Mulher (DEAM) onde foi autuado em flagrante pela delegada Carla de Brito que o encaminhou ao presídio local. A delegada Carla Brito fez o flagrante e informou que o acusado vai responder pelos crimes de estupro, seqüestro, cárcere privado, além de abandono material e intelectual e pode pegar pena de 30 anos de prisão.

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Uma equipe da TV Juruá, comandada pelo reportes Erisney Mesquita, acompanhou os policias o representante do Conselho Tutelar e registraram o flagrante.

Em seu depoimento o conselheiro tutelar afirmou que ao verificar a situação dos menores constatou mais tratos, negligência, sendo seis as crianças encontradas. Uma delas com deficiência física, duas com aparente deficiência no rosto e o deficiente aparentava uma doença apresentando pele escamosa.

“ Na pequena casa não havia condições de higiene, havia algumas panelas com restos de comida e que havia um cachorro que aparentemente comia no mesmo recipiente das crianças. Todas estavam nuas, descuidadas e com feridas na cabeça. A criança mais velha ficou muito assustada com a minha presença e a dos policiais e se recusava a embarcar na canoa”, disse.

O conselheiro apurou que segundo denúncias da comunidade a menina de aparentemente 10 anos já havia fugido de casa porque o acusado queria abusar sexualmente da mesma. A mulher confirmou que desde os 10 anos é abusada sexualmente pelo acusado, que é seu pai e que ele a impedia de sair do local, costumava agredi-la fisicamente e que quando ia caçar a levava deixando as crianças aos cuidados da menina de 10 anos.

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Mesmo preparados os policiais e o conselheiro tutelar ficaram abalados com a situação encontrada, mas ao conseguir prender o acusado e encaminhá-lo a Justiça se sentiram com o dever cumprido.

“ Toda equipe ficou chocada e como Conselheiro Tutelar nunca vi uma situação parecida, sendo esta a pior de todas as que participei”, finalizou.   

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