15 de abril: Dia Nacional da Conservação do Solo

Embrapa 2

Solo com erosão após aradagem

Embrapa 1

Solo em Plantio Direto protegido pela palha - Fonte: Marcelo André Klein

No dia 15 de abril comemora-se o Dia Nacional da Conservação do Solo (Lei n° 7.876/89). O objetivo desta data é chamar a atenção para este recurso natural de vital importância para a manutenção da vida em nosso planeta.

Mas afinal, o que é o solo? Cada um possui um conceito, dependendo da ligação de suas atividades com o solo. O solo pode ser visto como um problema de limpeza para quem realiza serviços domésticos, como a base de sustentação de edificações e estradas para a engenharia e a maioria da população urbana ou como o meio e a base de toda a produção animal e vegetal para o setor agrícola.

O solo é a camada superficial da crosta terrestre, formada a partir da rocha, e possui características químicas, físicas e biológicas. No solo vivem milhares de espécies de macro e microorganismos que são responsáveis pela decomposição da palha ou restos de plantas nele depositadas, ciclando nutrientes. O processo de ciclagem faz com que os nutrientes sejam novamente absorvidos por plantas em crescimento, evitando que se percam. Você sabia que o solo possui atividade química? Isto mesmo, no solo predominam cargas negativas que são responsáveis por manter os nutrientes no solo e disponibilizá-los às plantas, bem como “filtrar” ou “reter” contaminantes presentes na água. Este fenômeno denomina-se Capacidade de Troca de Cátions e, após a fotossíntese, é considerado o segundo fator mais importante para a manutenção da vida na terra.

Por que conservar o solo? Estima-se que para formar um centímetro de solo sejam necessários de 100 a 400 anos. O solo é um recurso natural não renovável na escala de tempo das gerações humanas. Desta forma, se não cuidarmos desta valiosa camada superficial da crosta terrestre, estaremos desperdiçando o que a natureza levou milhares de anos para fazer.

Vivemos numa região essencialmente agrícola e que possui predomínio de um solo, tecnicamente nomeado de Argissolo, considerado um solo fácil de se trabalhar, poroso, frágil, bem drenados e com algumas limitações em relação à fertilidade. Em 65% da área do Vale do Juruá encontram-se esses argissolos. Predominam as atividades de pecuária de corte nas grandes propriedades e, nas da Agricultura Familiar, o cultivo de mandioca para produção de farinha é a atividade principal. Atividades que exijam um nível de investimento e conhecimento mais elevados como a fruticultura e a produção de hortaliças ainda são muito incipientes, dada a grande dependência de produtos do centro sul vivenciada principalmente pela população urbana.

E como estamos cuidando dos nossos solos? No meio urbano, as principais formas de contaminação dos solos se dão através da deposição de resíduos domiciliares e industriais tanto sólidos quanto líquidos sem o devido tratamento. Há de se observar que os urbanos também tem responsabilidade na conservação dos solos.

Já no meio rural, nos últimos anos tem-se observado pequenos avanços. No entanto, ainda estamos longe da condição ideal. A utilização do fogo como forma de preparo do solo para o plantio é prática praticamente abolida. A bola da vez é a mecanização através da aração ou gradagem.

Alguns fatores técnicos devem ser considerados ao analisarmos as consequências desta forma de manejar ou trabalhar o solo: praticamente inexiste a utilização de insumos químicos como calcário e adubos pela quase totalidade dos produtores, a fertilidade do solo se alicerça sobre o teor de matéria orgânica do solo, os solos são arenosos e facilmente desestruturados e a média pluviométrica está em 2.100 mm anuais concentrada em 08 meses do ano, havendo anos em que ocorrem índices ainda maiores ocorrem, como em 2013, ano em que choveu 2.636 mm. Esses indicativos, juntamente com observações in loco da prática da aração, permitem afirmar que é uma prática não aconselhada para as condições locais.

Após a aração, acontece a desestruturação do solo, fazendo com que ocorra uma rápida decomposição da matéria orgânica e liberação de nutrientes. Isso faz com que no primeiro cultivo após a aração a produção seja elevada. Por isso a ideia de que aradar o solo o recupera “vende”. No entanto, há de se considerar os problemas associados. Logo após a aração, o solo fica completamente exposto e tem-se visualizado problemas com erosão mesmo em áreas planas. Outro grande problema, que tem causado muitos calos nas mãos do produtor, é a emergência de plantas daninhas, vulgo mato. Todo banco de sementes emerge logo após a gradagem, fazendo com que o produtor necessite ampliar o número de capinas. Por fim, no 2º e 3º ano de gradagem a produção começa a cair bruscamente, a ponto de tornar a área completamente inútil se este processo for repetido sucessivamente.

Mas afinal, qual a forma correta de trabalhar o solo? Há de se “imitar” a natureza, fazer o mesmo que acontece na mata onde o processo de ciclagem de nutrientes mantém a floresta em constante crescimento e decomposição.

Desde 1970 vem sendo aperfeiçoada e consolidada a tecnologia do Plantio Direto. Está alicerçada num tripé que prevê o não revolvimento do solo, cobertura permanente do solo com uma planta de cobertura ou de interesse econômico e a rotação de culturas. É recomendada por todas as respeitadas instituições de pesquisa Brasil afora como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Universidades e pela própria Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Em suma, se quisermos realmente recuperar e melhorar o solo teremos que adotar a prática do Plantio Direto. Experiências Brasil afora mostram que isso só acontece depois que a desgraça está instalada. Ou seja, o produtor só vai aceitar e se engajar numa prática de manejo de solo que seja realmente eficiente depois que o modelo que está sendo utilizado já não o permite produzir mais. Vamos esperar isso acontecer?

Cuidar do solo é tarefa de todos por menor que seja a parcela sob nosso domínio. Afinal, dependemos dele para obter água pura e alimentos saudáveis e de qualidade.

Embrapa Marcelo1

 Marcelo André Klein - Engenheiro Agrônomo - - Embrapa Acre – Cruzeiro do Sul, AC

Powered by Bullraider.com