Entrevista: médico Dr. Marcos Lima, diretor técnico do Hospital Regional do Juruá
Médico Dr. Marcos Lima, diretor técnico do Hospital Regional do Juruá, destaca volta das cirurgias eletivas na unidade

Entrevista: médico Dr. Marcos Lima, diretor técnico do Hospital Regional do Juruá

Hospital Regional do Juruá anuncia retorno das cirurgias eletivas paralisadas devido a suspensão de recursos dos repasses pelo governo anterior

O diretor técnico do Hospital Regional do Juruá, o médico cruzeirense Dr. Marcos Lima, anunciou que a unidade vai retomar o trabalho de cirurgias eletivas que foram paralisados no ano passado devido a problemas financeiros causados pela suspensão dos repasses pelo governo do Estado que causou muitos transtornos ao atendimento da população que ficou prejudicada.

Segundo o Dr. Marcos Lima as cirurgias foram suspensas pela falta de materiais e também pela quantidade de anestesistas lotados na unidade que ficaram apenas dois, mas recentemente foram contratados mais quatro profissionais somando seis o que resolve a falta do profissional e vai garantir um trabalho de retomada das cirurgias eletivas que deve ter mais de 1 mil cirurgias represadas.

As cirurgias serão retomadas e as pessoas que estão com agendamento programado devem procurar o hospital nas datas marcadas para agendar a intervenção cirúrgica que não terão regime de mutirão. Vamos organizar o agendamento para iniciar o atendimento de todas as pessoas que estejam no aguardo de uma cirurgia e deveremos realizar cerca de seis procedimentos diários e ainda avaliar outras mais”, afirma.

O diretor informa que o Hospital Regional tem atualmente 53 médicos sendo cinco deles cirurgiões – Dr. Ozi, Dr.Heitor, Dr. Marlon, Dr. Elcimar e Dr. Randson – além de seis anestesistas, que vão garantir o retorno dos procedimentos de cirurgia eletiva e ainda outros profissionais nas especialidades de Cardiologia, Urologia, Clínica Geral, Pediatria, Ortopedia, Oftalmologia, Otorrinolaringologiae Gastro-Enterologia e ainda Buco Maxiliar, com previsão de retorno de um neurologista.  

Ao conceder entrevista exclusiva ao Vozdonorte o Dr. Marcos Lima reconheceu alguns problemas que afetaram o atendimento na unidade, devido a problemas de repasses de recursos pelo governo do Estado, que levou inclusive a suspensão das cirurgias eletiva, mas destacou que com apoio do governador Gladson Cameli a situação começa a ser resolvida com o pagamento normal dos recursos ao hospital o que vai garantir um atendimento de qualidade à população.

Veja a íntegra da entrevista

Vozdonorte – O senhor participou da implantação do Hospital Regional. Qual sua avaliação da atual situação do hospital?

Dr. Marcos Lima – É importante fazermos uma reflexão sobre essa avaliação porque o Hospital Regional do Juruá foi estruturado e pensado para ser um hospital de referência na regional do Juruá e para que pudesse atrair especialidades e ter o máximo de resolutividade aqui para diminuir o número de encaminhamentos para Rio Branco e até para fora do Estado. É um desafio muito grande, passa primeiro por uma decisão política de governo de Estado de financiar, entender, compreender e depois por uma gestão direta no sentido de se tendo as condições mínimas pudesse buscar os profissionais para morar em Cruzeiro do Sul. O desafio é muito grande, o hospital é referência para cerca de 250 mil pessoas, infelizmente nos últimos dois anos tivemos algumas dificuldades que a população sentiu, é verdade, o hospital deixou a desejar aquilo que preconizamos e pensamos para a unidade que foi uma situação alheia a nossa vontade. O problema foi relacionado com a dificuldade com a questão do convênio que nesta nova gestão já está melhorando, o valor do convênio está sendo pago em dia, ainda existe uma dívida da administração passada que está sendo conversada com o governador que tem demonstrado interesse e preocupação em solucionar a situação. Os desafios, a demanda e a população só aumentam, temos um índice muito grande de acidentes, todos os dias temos vítimas de acidentes de trânsito, pessoas com traumatismo craniano que precisam de cuidados de UTI e procedimentos cirúrgicos de urgência e emergência, enfim, isso faz com que a preocupação seja permanente. Espero que com a retomada das cirurgias eletivas possamos trabalhar um novo ciclo para que a unidade dê a resposta aos anseios da população. Mas, é preciso ressaltar que o hospital faz parte de uma rede assistencial que também estão inseridos os postos de saúde e em breve teremos a inauguração da UPA vai facilitar para se trabalhar a organização destas duas unidades para que os pacientes sejam atendidos da melhor maneira possível.

Vozdonorte – Com referência as especialidades avaliamos que há uma carência e falta de profissionais em algumas especialidades necessárias para atendimentos de urgência e emergência. Como será resolvida a questão da falta desses profissionais ?                         

Dr. Marcos Lima – O nosso plano de trabalho anual está sendo discutido na Sesacre e vemos o governador empenhado no aspecto de garantir a melhoria dos serviços que são oferecidos e também ampliar outros serviços e especialidades que ainda não existem, principalmente com referência a neurocirurgia. A falta desse profissional gera muitos gastos para o Estado com a transferência dos pacientes para Rio Branco, além de não termos condição de atender pacientes com patologias neurológicas. Temos uma proposta do mesmo grupo que presta assistência em Rio Branco para ampliar esse serviço e dar um suporte e retaguarda na área. Com certeza essa será uma grande conquista para a região porque em tempos passados já tivemos a especialidade e sabemos o tanto de dificuldades que a perda desse serviço causa.

Vozdonorte – Uma especialidade de referência no Hospital Regional é o tratamento Buco-Maxilar que conta com um profissional de grande experiência.

Dr. Marcos Lima – É uma grande satisfação para nós poder estar resolvendo a questão do material para a realização das cirurgias buco-maxilofacial, temos um excelente profissional e figura humana que é o Dr. Sandro, o serviço está funcionando plenamente, inclusive nesta semana, terça-feira, participei de uma cirurgia de fratura de mandíbula de um paciente. Temos muitos pacientes com esse tipo de patologia e trauma na região e não raro alguns pacientes vem de Rio Branco e de outros locais para serem atendidos no Hospital Regional do Juruá.

Vozdonorte- No ano passado pacientes internados reclamaram que tiveram que comprar medicamentos porque não tinha no hospital. Como está o abastecimento de insumos e medicamentos atualmente?

Dr. Marcos Lima – Realmente foi lamentável, mas não dependeu da direção do hospital que passou por muitas dificuldades por conta da falta de recursos financeiros. Infelizmente naquele período não tivemos condição de honrar os compromissos com os fornecedores e apesar de várias negociações alguns insumos, materiais e principalmente medicamentos importantes faltaram na unidade. Mas, graças a Deus essa situação está resolvida, o hospital está bem abastecido de insumos e medicamentos, os fornecedores estão em dia referente aos seus pagamentos e os processos licitatórios estão em andamento. Um medicamento que é muito importante ter no estoque, por exemplo, que é o trombolítico, usado em pessoas que sofrem infarto, uma medicação que salva vidas e faz uma revascularização química quando o vaso sanguíneo está entupido para voltar circular o sangue e tem um valor elevado, custa R$ 4 mil cada ampola, agora temos no estoque. Estamos bastante otimistas porque as dificuldades vividas estão sendo superadas, a demanda é grande, sempre vai existir e só aumenta, mas a unidade está sendo reestruturada para darmos o melhor atendimento possível a nossa população.

Vozdonorte – Apesar de fazer parte da direção do hospital, particularmente como médico e experiente administrador hospitalar, como o senhor avalia a eficiência do modelo de administração atual do hospital?

Dr. Marcos Lima – Quero responder essa pergunta não com uma opinião minha, mas com uma avaliação externa, de profissionais que vieram de fora. Recebemos na semana passada uma equipe do Hospital do Amor, que vai inaugurar uma unidade em Rio Branco e eles passaram uma tarde conosco, visitaram todo o hospital, ficaram muito surpresos com a organização e fizeram uma avaliação muita positiva deste modelo de gestão. Agora, como diretor técnico, avalio pela realidade de que se ao longo destes 12 anos de gestão se a direção do Estado percebesse que esse modelo de gestão não fosse adequada já teriam se manifestado para mudar. Então, ao longo destes anos todos nunca ocorreu nenhum tipo problema como desvio, as contas são auditadas, fiscalizadas e aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado e cada centavo que o governo disponibiliza para a Ansau é muito bem gerenciado e aplicado. Não somos perfeitos, mas temos a tranquilidades na consciência de que procuramos fazer o melhor para nossa população com o que temos. Entendo que para o tamanho do desafio esse modelo de gestão, seja com a Ansau ou com outra entidade, é o adequado para a região. É preciso ressaltar que no momento da dificuldade a Ansau investiu recursos próprios para manter, dentro do possível, a condição de atendimento. Quero dizer que não estamos fazendo um trabalho sem alma ou coração, temos um compromisso porque somos daqui e do mesmo jeito que a população utiliza os serviços os nossos familiares também utilizam. Eu mesmo já precisei de atendimento cirúrgico por duas vezes no hospital e por isso quando surge problemas ou falta alguma coisa lutamos para resolver. Esse problema das cirurgias eletivas incomodou muito a gente, mas é preciso se entender que a nossa população não tem acesso a saúde pública suplementar e avalio que com certeza com referência aos gestores do Estado não tem nenhuma dúvida que esse modelo de gestão funciona.

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