Moradores do Gama protestam contra obras de escola e quadra esportiva abandonadas e decidem denunciar situação ao  MP/AM que alunos não tem onde estudar em 2018

Moradores do Gama protestam contra obras de escola e quadra esportiva abandonadas e decidem denunciar situação ao MP/AM que alunos não tem onde estudar em 2018

Sem escolas para alunos estudar comunidade vai denunciar ao MP/AM o descaso com a educação

Sem escolas para alunos estudar comunidade vai denunciar ao MP/AM o descaso com a educação

Um movimento que nasceu na comunidade do Rio Gama promete radicalizar com os gestores do município de Guajará (AM) que viraram as costas para os problemas que passam os alunos que não tem onde estudar porque a construção de uma escola e de uma quadra esportiva estão abandonadas há vários anos. Os produtores rurais protestam pela melhoria do ramal de acesso que fica quase intrafegável no inverno.

Um dos mais belos locais do Amazonas a comunidade do Gama sofre com o acesso pelo ramal quase intrafegável no inverno

Um dos mais belos locais do Amazonas a comunidade do Gama sofre com o acesso pelo ramal quase intrafegável no inverno

Gama ramal 6

Gama baze rio a

A comunidade do Rio Gama, distante 33 quilômetros da sede do município do Guajará (AM), pelo ramal, tem na sua sede cerca de 100 residências e passa por muitos problemas que não estão sendo solucionados pela prefeitura o que causa muitos prejuízos a população. Os produtores rurais, por exemplo, que produzem mensalmente cerca de 1.800 sacas de farinha não tem como escoar a produção que tem seu custo elevado.

Moradores se reuniram para debater o problema da falta de escolas

Moradores se reuniram para debater o problema da falta de escolas

Sem ter como solucionar os problemas da educação, que se agravam a cada ano que passa, os pais dos alunos buscaram apoio da Câmara Municipal de Guajará e decidiram também fazer um abaixo assinado que será encaminhado ao Ministério Público do Amazonas (MP/AM), na sede do município, para que o promotor possa intervir e acionar a Justiça para ajudar na questão da falta de um lugar digno e seguro para os alunos estudarem.

Os pais e alunos exigem a retomada imediata da construção da escola e da quadra que estão abandonadas, apesar das empresas terem recebido os recursos. Os pais reclamam dos locais onde os filhos estudaram em 2017 que colocavam em risco inclusive sua saúde pela situação precária, mau cheiro causado pelo esterco de morcegos e ratos e informam que decidiram não permitir que os filhos freqüentem os locais em 2018.

Presidente da Câmara Municipal foi até a comunidade discutir os problemas com a população

Presidente da Câmara Municipal foi até a comunidade discutir os problemas com a população

O presidente da Câmara Municipal de Guajará, vereador Marcus  Martins

(PSDB), o popular Careca, depois de receber denúncias feitas pela população mostrando a situação crítica do Gama, que já era inclusive do seu conhecimento, foi até a sede da comunidade e se reuniu com os moradores para debater os problemas que serão encaminhados ao prefeito na busca de uma imediata solução para os problemas.

Careca ressaltou que os vereadores estão preocupados com a situação da comunidade do Gama, cujas lideranças buscaram apoio na Câmara Municipal e lembrou que os vereadores Nanon, Liba e Neide também garantiram solidariedade a luta da população ao ressaltar que o vereador não tem o dinheiro para construir escolas e recuperar a estrada, mas é um fiscal do povo e vão levantar a discussão na busca de solução.

“Não podemos ficar de braços cruzados. Nesta tarde de terça-feira (19) tivemos a coragem de enfrentar essa estrada de acesso à comunidade do Gama que está em péssimas condições, tem muito buracos e lama, principalmente quando chove como ocorreu hoje. Estamos aqui para conversar e dialogar com lideranças da comunidade que sabem dos problemas de cada setor e ficamos a disposição deles para buscar solução”, disse.

O vice-presidente da Associação de Produtores Rurais, Mauro, lamenta a situação e cobra providências das autoridades municipais e do Estado

O vice-presidente da Associação de Produtores Rurais, Mauro, lamenta a situação e cobra providências das autoridades municipais e do Estado

Mauro Feitosa da Silva, vice-presidente da Associação dos Produtores Rurais do Gama, avaliou como de grande importância à decisão da comunidade de lutar pela solução dos problemas. Ele enfatiza que os produtores do Gama são trabalhadores corajosos que produzem muita farinha de boa qualidade, mas com muito sacrifício porque não tem nenhum apoio do poder público.

“Todo pai de família que tem seus filhos para estudar sabe que temos um problema muito grande porque não tem escola. Os produtores rurais não tem como escoar a produção por conta da situação péssima do ramal, além não poderem usar o armazém feito para guardar a produção que atualmente está entregue aos marreteiros e quando se coloca uma saca lá quando se vai buscar não encontra mais”, disse.

O agricultor afirma também que neste ano a região vai produzir muita farinha, mas não está tendo ajuda para armazenar e nem fazer o transporte ao reclamar que o produtor está na mão do marreteiro porque a prefeitura colocou um caminhão, mas o carro só deu três viagens e não retornou mais. É uma situação que encarece o preço do transporte de cada saca de farinha e prejudica muito a renda.

“Aqui tem mês que se produz mais de duas mil sacas de farinha. Toda semana sai daqui de três a cinco carradas nos caminhões trucados. Nosso trabalho é muito sofrido, mas estamos na luta todo dia. O caminhão da prefeitura cobrava R$ 5,00, mas só deu três viagens e não cumpriram a promessa de mandar um carro para escoar nossa produção. Agora, ficamos na mão dos caminhões de particulares. Só está faltando à ajuda da prefeitura”, disse.

 Totonho, que jovem teve que sair de casa para estudar, é pai de alunas e lidera movimento para resgatar a dignidade dos alunos e professores

Totonho, que jovem teve que sair de casa para estudar, é pai de alunas e lidera movimento para resgatar a dignidade dos alunos e professores

Uma das lideranças da comunidade protesta contra o descaso e diz que independente da situação partidária estará na luta para garantir o direito de seus filhos estudarem na comunidade ao afirmar que se arrepende de não ter participado da destruição de um local onde funcionava uma escola em situação precária, apesar de considerar uma forma de manifestação dos pais no desespero de ter um local sadio e seguro para os filhos estudarem.

“Pode ter sido uma forma de vandalismo, mas quando se entra em um negócio fedido que se chama de escola e está quase caindo em cima dos alunos dá para entender o que foi feito. Se vocês concordarem comigo estou disposto a deixar meu filho um ano sem estudar, mas não vou permitir que eles corram riscos naqueles locais que não podem ser chamados de escola”, disse.

Obras da escola e da quadra de esporte estão abandonadas e prejudicam os estudantes

Obras da escola e da quadra de esporte estão abandonadas e prejudicam os estudantes

Gama obra abandonada1

Gama obra abandonada2

Gama obra abandonada

Gama obra abandonada4

Gama obra abandonada3

Ao protestar contra a corrupção ele lembra que votou no governador do Amazonas, José Melo, que está preso, mas entende que se ele estiver preso por causa de falcatruas vai ter que pagar pelo que fez ao criticar o prefeito Ordean que trouxe um fiscal para olhar a obra e garantiu que a escola seria continuada, mas na verdade não continuou e o mato já está novamente tomando conta da obra.

“Se tem alguém aqui na reunião que queira passar informação pro prefeito pode mandar. Esse é o pensamento da nossa comunidade e não tem influência de ninguém, é nosso, da comunidade e a mensagem que precisa ser levada ao prefeito é que não vamos mais permitir nossos filhos estudarem nesses locais que não tem condição. Se o prefeito construir a escola, com certeza, vamos aplaudi-lo”, disse.

Escolas onde alunos estudaram no ano passado estavam em precárias condições: mau cheiro de fezes de esterco de morcegos, ratos e ainda molhava dentro quando chovia

Escolas onde alunos estudaram no ano passado estavam em precárias condições: mau cheiro de fezes de esterco de morcegos, ratos e ainda molhava dentro quando chovia

Gama escolas 2

Gama escolas 3

alunos utilizam uma tradicional privada para suas necessidades

alunos utilizam uma tradicional privada para suas necessidades

Ao finalizar Totonho destacou: “Não adianta nada se eu der comida e calçados para meus filhos se não der escola. Saí cedo da casa do meu pai para estudar e as dificuldades foram tantas que não consegui fazer uma faculdade. Não tenho interesse político, estou querendo é solução para esse problema da falta de escola e não considero esses locais uma escola porque não oferecem condição de receber um aluno”, disse.

O presidente da Associação de Produtores Rurais apoia reivindicação da comunidade

O presidente da Associação de Produtores Rurais apoia reivindicação da comunidade

O presidente da Associação de Produtores Rurais do Gama, Valdemir, agradeceu a visita do presidente da Câmara Municipal ao afirmar que o movimento que se inicia precisa da união dos pais, famílias, estudantes e de todos os moradores porque tem o objetivo de garantir escola para os filhos e o acesso pela estrada à população que fica privada de suas necessidades básicas.

“Na semana passada teve secretários do governo e da prefeitura aqui e não resolvem nada. É preciso nos unir para cobrar do prefeito e do governo melhores condições para a comunidade. Antes, era diferente, nossa comunidade era pobre, mas agora já temos uma boa produção, pagamos renda para o Estado e como cidadãos precisamos que nossos direitos, principalmente de acesso e a educação sejam garantidos”, disse.

Surubim (direita), que mora há 17 anos no Gama, cobra providências urgentes do prefeito e do governo para solucionar a questão das escolas e do ramal de acesso que prejudica escoamento da produção

Surubim (direita), que mora há 17 anos no Gama, cobra providências urgentes do prefeito e do governo para solucionar a questão das escolas e do ramal de acesso que prejudica escoamento da produção

O senhor Surubim, que mora no Gama há 17 anos, lamenta que na realidade o produtor não tenha ajuda nem de vereador, de prefeito e nem do governador e fica na mão do marreteiro, que na verdade é quem socorre todo mundo. Ao comentar sobre a questão da falta de escola ele afirma que os alunos estão abandonados porque o prefeito não se interessa e não pagou inclusive o aluguel das casas que ele cedeu para servir de escola no ano passado.

“Aluguei as casas para o prefeito e até hoje não recebi o pagamento. Mas, os alunos continuaram a estudar porque eles não mereciam que as aulas parassem. Se o prefeito tivesse um filho ou neto eu tinha fechado as casas, mas quem estava estudando eram os filhos dos meus amigos e fregueses. Mas, agora as casas estão fechadas porque é preciso que o prefeito assuma a sua responsabilidade”, disse.

O morador parabeniza os professores que são pessoas responsáveis e de muita qualidade. “O que não presta são os locais onde as crianças estão estudando que fede por causa das fezes de morcegos e ratos. Isso é um crime que o prefeito está deixando acontecer na nossa comunidade. Eu mesmo já cedi um local decente para funcionar a escolas, mas a prefeitura não me pagou, mas mesmo assim as aulas continuaram”, disse.

Surubim afirma que o porto da sede da comunidade é o coração da região onde atraca gente de todas as comunidades da Boca do Boa Fé, Albertina, Seu Elen, Generoso, Igarapé Grande, no baixo; Santa Maria, Tapiara, Velho Julio, Jurupari, Adorico, Mutum e São João, no alto; no Gama, tem as comunidades do Peixe Boi, Estirão Grande e Alto Gama, que produzem muita farinha e levam a produção para o porto do Gama.

“Hoje, se diz que a farinha é de Cruzeiro do Sul, mas na verdade grande parte dessa farinha comercializada lá é produzida no Amazonas, aqui no Gama. Quem ganha o nome é Cruzeiro do Sul e nós ficamos esquecidos. Está na hora de haver mais responsabilidade na recuperação desta estrada porque se gasta muito dinheiro todo ano e não melhora nada. É preciso asfaltar e o dinheiro vem porque lá na entrada do ramal tem uma placa mostrando que veio muito dinheiro”, disse.

Uma mãe de família, que mora há cinco anos no Gama, reclama que a comunidade está esquecida e protesta dizendo que os políticos só aparecem no tempo da eleição e depois se esquecem de voltar para garantir pelo menos as condições básicas de educação e saúde, além do acesso pelo ramal que fica intrafegável no inverno e prejudica muito a população.

Gama ramal 3

Sobre o serviço realizado no ramal um morador que dirige um caminhão protesta e afirma que a recuperação falada é um serviço perdido onde se joga fora todos os anos alguns milhões de reais. Ele diz que é preciso um acordo para que seja priorizado o asfaltamento dos trechos críticos para que o dinheiro não seja perdido. “Todo ano gastam milhões nesta estrada e ela continua do mesmo jeito. Então, está na hora de fazer as coisas direito, perguntando aos moradores onde estão os trechos críticos”, disse.

Gama ramal 4

Gama ramal 1

Gama ramal 5

Senhor Bazé lamenta situação da estrada e também das escolas que na sua visão são uma das grandes esperanças da comunidade

Senhor Bazé lamenta situação da estrada e também das escolas que na sua visão são uma das grandes esperanças da comunidade

Gama baze comerciante

Outra liderança da comunidade, o senhor Bazé, que tem uma mercearia e comercializa farinha, lamenta a questão da falta de escolas na comunidade que avalia como uma das principais necessidades da população. Ele lamenta o momento na gestão do ex-prefeito Hélio de Paula quando derrubaram a escola que tinha dizendo que iam construir outra bem melhor, mas até agora ficou só na promessa.

“A esperança é a nova escola, mas ninguém sabe quando sai porque já faz mais de quatro anos que está daquele jeito e a obra estava no mato. Limparam de novo, mas nada fizeram. Ele falou que ia sair à escola, começaram, mas pararam. Depois começaram a quadra e pararam as duas obras. Digo que a escola, um posto de saúde e a estrada são as principais necessidades da nossa comunidade”, disse.

Estudantes exigem a retomada da construção das obras da escola e da quadra que estão abandonadas e revoltadas querem escolas dignas

Estudantes exigem a retomada da construção das obras da escola e da quadra que estão abandonadas e revoltadas querem escolas dignas

As alunas do Ensino Médio, Daine (3º ano) e Anielly Pereira, 2º ano e também Dalila (8º ano) participam junto com os demais colegas da iniciativa para acionar as autoridades e denunciar a situação que passam os moradores da comunidade do Gama que não tem pelo menos uma escola decente e em condições para atender de forma digna os estudantes que se sentem humilhados ao ver a construção da escola e da quadra abandonadas.

Anielly lamenta a situação dos alunos da comunidade que no ano passado estudaram numa igreja velha, local sem condições dos professores darem aulas, onde faltava até alumínio no teto e molhava tudo dentro quando chovia. A prefeitura de Guajará também não deu nenhum material e nem produtos para a merenda escolar e que quando vinha algum produto de Manaus muitas vezes as merendeiras não apareciam para fazer.

“Sentimos uma grande tristeza ver aquela construção da nossa escola abandonada e também a quadra de esportes. Vivemos um momento de preocupação porque estão derrubando a igreja que a gente estudava porque é até um lugar perigoso para os alunos. Nosso sonho é ter uma boa escola para a gente estudar. Sabemos que essa construção abandonada é por causa da corrupção e isso tem que ser resolvido”, disse.

Outra aluna, Dalila Félix, do 8º ano, avalia com uma vergonha para o prefeito de Guajará a situação da escola onde os alunos estudaram no ano passado que funcionava num prédio da prefeitura que fazia muito calor, tinha muitos morcegos e ratos, não tinha um sanitário decente, nem merenda ou material escolar e depois passou a funcionar na igreja velha que era outro local onde não tinha condição de funcionar uma escola.

“Muitas fezes de morcego, de ratos e ainda cabas que atacavam os alunos Era um lugar muito ruim, uma situação de humilhação para mim como aluna. Na igreja velha se reuniam 44 alunos, era sufocante e o teto não tinha uma telha e molhava quando chovia. Tenho vergonha em ver aquela construção da escola e da quadra abandonadas e o prefeito não fazer nada para resolver o problema em respeito aos alunos”, reclamou.

A estudante desabafou ao afirmar que apoia o movimento feito pelos pais para que neste ano as aulas não iniciem enquanto não se tiver um local adequado e uma estrutura digna para receber os estudantes.

“É preciso denunciar a situação, os alunos tem que participar desta iniciativa e apoiar a luta dos seus pais que não vão permitir que eles vão estudar em lugares que são até perigosos. Vamos assinar o abaixo assinado e pedir que o Promotor  de Justiça junto com o Judiciário obriguem o prefeito resolver a situação porque precisamos da nova escola e da quadra para praticar esportes”, afirmou.

Um comentário

  1. Tenho dó do povo dessa comunidade, porque são um povo muito trabalhador, mais infelizmente nos últimos anos tem escolhido os poires representantes políticos. Agora só restam é lamentar.

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