Cruzeiro do Sul, Acre, 31 de maio de 2026 13:14

SP investiga caso suspeito de Ebola em paciente internado

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo investiga um caso suspeito de doença pelo vírus Ebola, registrado, neste sábado (30), na capital paulista. O paciente, um homem, de 37 anos, de procedência da República Democrática do Congo, país com áreas de transmissão da doença, e viagem recente ao território, apresentou sintomas como febre, preenchendo a definição de caso suspeito.

O paciente está internado em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, unidade estadual de referência para atendimento de casos suspeitos ou confirmados, seguindo os protocolos de biossegurança previstos. Até o momento, não há confirmação laboratorial da doença.

A investigação foi iniciada de forma preventiva após a identificação de critérios clínicos e epidemiológicos compatíveis com caso suspeito, conforme protocolos nacionais e estaduais.

Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP, explica que é um caso suspeito, em investigação. e que As medidas previstas foram adotadas a partir da identificação dos critérios clínicos e epidemiológicos. O procedimento inclui isolamento, notificação imediata, investigação laboratorial e monitoramento conforme os protocolos vigentes.

Regiane reforça ainda que é muito improvável que a doença se espalhe no Brasil:

“Que o risco de introdução da doença no Brasil é muito baixo, já que não há voos direto da região afetada e a transmissão só ocorre pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas que já apresentaram sintomas”.

Jean Gorinchteyn, infectologista com passagem pelo Instituto Emílio Ribas e Ex-secretário estadual de Saúde reforçou, em entrevista ao CBN São Paulo, que há todo um trabalho, junto a Organização Mundial da Saúde, para que o vírus não se espalhe:

“Nós temos que ter atenção, não preocupação. Atenção significa monitorar pessoas que venham, por exemplo, de regiões como a República Democrática do Congo, como de Uganda, onde nós temos um índice de contaminação bastante elevado. Mas de toda forma, existe todo um apoio da Organização Mundial de Saúde de evitar que as pessoas saiam daquelas regiões com alguma manifestação clínica, incluindo principalmente a febre. Isso tem um potencial de ação principalmente em portos e aeroportos, evitando exatamente essa disseminação para outros países”.

Gorinchteyn detalhou ainda que o protocolo de segurança desse caso suspeito em São Paulo passa por várias etapas:

“No caso em questão, houve única e exclusivamente como manifestação clínica a febre. Opa, de onde ele veio? República Democrática do Congo. Então ele vira um caso suspeito. O caso suspeito é merecedor de isolamento. E todas as pessoas que tiveram este contato próximo, eles acabam, portanto, ficando em quarentena. A quarentena é deixada desde que eles não tenham sintomas. Então eles não têm sintomas, eles ficam afastados. Quanto tempo até a gente receber o resultado de exames, que já foram colhidos desse paciente, vindo o negativo, todos que tiveram no entorno acabam efetivamente também sendo liberados”.

Mesmo diante do baixo risco, a orientação é para que os serviços de saúde mantenham atenção a pessoas com febre e histórico de viagem, nos últimos 21 dias, para áreas com circulação do vírus. Também devem ser avaliados casos de contato direto com fluidos corporais de pessoas suspeitas ou confirmadas.

A doença pelo vírus Ebola pode começar de forma súbita, com febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em quadros graves, pode evoluir para manifestações hemorrágicas, choque e falência múltipla de órgãos. O período de incubação varia de dois a 21 dias.

A Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo também reforça que a transmissão do Ebola não ocorre antes do início dos sintomas. O maior risco está associado ao contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, especialmente nas fases mais avançadas da doença. Pessoas assintomáticas com exposição considerada de risco devem ser monitoradas diariamente por 21 dias.

Até o momento, não há vacinas licenciadas nem terapias específicas aprovadas para a cepa Bundibugyo. As vacinas e tratamentos disponíveis foram desenvolvidos para a cepa Zaire e não têm eficácia comprovada para a variante relacionada ao surto atual.