Cruzeiro do Sul, Acre, 9 de junho de 2026 14:02

Ministério da Saúde suspende vacina contra a dengue produzida pelo Butantan por causa de efeitos colaterais

O Acre recebeu um lote de 2.980 doses da vacina contra a dengue no mês de fevereiro deste ano, mas das 77 mil doses disponibilizadas apenas 23,9 mil foram usadas

O Ministério da Saúde (MS) suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue, produzida pelo Instituto Butantan, devido ao registro de reações adversas em pacientes imunizados. A investigação já identificou 42 casos de efeitos colaterais e dois óbitos que estão sob apuração para verificar se existe relação com o imunizante disponibilizado nas unidades de saúde.

O Acre recebeu um lote de 2.980 doses da vacina contra a dengue no mês de fevereiro deste ano. A coordenação estadual do Programa Nacional de Imunizações (PNI) distribuiu os imunizantes aos municípios para reforçar as ações de imunização e a proteção dos profissionais que atuam na linha de frente do combate à dengue. A campanha de vacinação tinha como público-alvo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde.

 A investigação já identificou 42 casos de efeitos colaterais e dois óbitos que estão sob apuração para verificar se existe relação com o imunizante disponibilizado nas unidades de saúde

A investigação já identificou 42 casos de efeitos colaterais e dois óbitos que estão sob apuração para verificar se existe relação com o imunizante disponibilizado nas unidades de saúdeAlém desses grupos, a vacinação seria ampliada para pessoas na faixa etária de 15 a 59 anos da população acreana no segundo semestre deste ano. A meta do MS era iniciar a imunização pelos idosos de até 59 anos, com ampliação gradual para faixas etárias mais jovens, até alcançar o público-alvo de 15 anos de idade. A nova vacina produzida no país é resultado da transferência de tecnologia desenvolvida pelo Instituto Butantan para a empresa chinesa WuXi Vaccines.

 

Cobertura vacinal

Das 77.054 doses do imunizante disponibilizadas na rede pública de saúde, apenas 23.910 foram aplicadas, e somente 10.352 pessoas retornaram para receber a segunda dose. O levantamento do Núcleo de Doenças de Transmissão Vetorial (NDTV) apontou baixa cobertura vacinal nos municípios de Tarauacá (6,53%), Porto Acre (7,71%), Rio Branco (8,62%) e Rodrigues Alves (10,62%).

O município de Acrelândia alcançou 65,23% da população com a primeira dose, seguido por Jordão, com 64,49%, e Santa Rosa do Purus, com 53,46%. Em contrapartida, Porto Acre (16,32%), Tarauacá (21,07%) e Bujari (22,75%) apresentaram as menores coberturas vacinais.

A aplicação da segunda dose ficou assim distribuída: Acrelândia (37,19%), Jordão (34,72%) e Manoel Urbano (31,13%). Já Tarauacá (6,53%), Porto Acre (7,71%) e Cruzeiro do Sul (8,04%) registraram os menores percentuais de cobertura vacinal. Os demais municípios apresentaram índices inferiores a 25%.