Cruzeiro do Sul, Acre, 12 de julho de 2026 14:28

Facções criminosas pressionam fronteira do Alto Juruá e ameaçam lideranças Ashaninka

Em resposta, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp) deflagrou a Operação Ashaninka, em Marechal Thaumaturgo

Lideranças do povo Ashaninka denunciaram a entrada de homens armados na Terra Indígena do Rio Amônia, na fronteira entre Acre e Peru, levando o governo do Acre a enviar forças de segurança à região.

 

Segundo a Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), o grupo armado teria entrado no território nos dias 5 e 6 de julho, percorrendo a comunidade Apiwtxa em busca de lideranças e intimidando moradores. A denúncia foi feita pelo coordenador da entidade, Francisco Piyãko.

Em resposta, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp) deflagrou a Operação Ashaninka. Equipes do Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron), com apoio aéreo do Ciopaer, chegaram à área em 7 de julho, e um segundo contingente foi enviado em 9 de julho para reforçar a presença policial.

Equipes do Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron), com apoio aéreo do Ciopaer, chegaram à área em 7 de julho

Equipes do Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron), com apoio aéreo do Ciopaer, chegaram à área em 7 de julho“É claro que a gente marca posição firme contra eles. A gente sempre protegeu essa fronteira. E agora eles acham que matando duas, três lideranças está resolvendo o problema deles. Não é bem assim. Eles não vão ter sucesso. A gente vai se fortalecer mais no sentido de proteger essa região”, ressalta Pianko. “O que nós estamos vivendo é comum aqui na nossa região, mas nós nunca vamos aceitar isso.

Piyãko afirmou que é a primeira vez que grupos armados entram diretamente no território Ashaninka

Piyãko afirmou que é a primeira vez que grupos armados entram diretamente no território AshaninkaO episódio expõe um problema mais antigo: o avanço de facções sobre os rios da fronteira amazônica, área estratégica para o tráfico de cocaína vindo do Peru. Desde 2016, Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital disputam o controle de rotas na região, gerando um histórico de violência que atinge cidades, comunidades ribeirinhas e territórios indígenas.

Piyãko afirmou que é a primeira vez que grupos armados entram diretamente no território Ashaninka, embora ameaças a lideranças já tenham ocorrido antes. Ele defende que a resposta do Estado precisa ir além da presença pontual de tropas, com ação estruturada e conjunta entre Brasil e Peru — já que a única base federal na região é o Pelotão Especial de Fronteira, em Marechal Thaumaturgo, vinculado ao Exército.

O líder indígena também ressaltou que as lideranças decidiram permanecer na aldeia, recusando-se a ceder às ameaças

O líder indígena também ressaltou que as lideranças decidiram permanecer na aldeia, recusando-se a ceder às ameaçasDurante a chegada das equipes GEFRON, Francisco Pyanko agradeceu o apoio e afirmou que a presença do Estado transmite segurança às famílias. “A gente está num momento de muita tensão por conta da invasão ao nosso território. Vocês chegaram de imediato e isso passa para a gente segurança”, declarou.

O líder indígena também ressaltou que as lideranças decidiram permanecer na aldeia, recusando-se a ceder às ameaças.

“Nós tomamos a decisão de que as lideranças não vão sair do seu território, fugir por medo desses criminosos. Nesse lugar não vai se enraizar, não vai crescer o crime organizado”, afirmou Pyanko.

A comunidade Apiwtxa é referência internacional em gestão territorial e recuperação ambiental na bacia do Rio Amônia

A comunidade Apiwtxa é referência internacional em gestão territorial e recuperação ambiental na bacia do Rio AmôniaEm 2022, o Exército desativou uma base em Mâncio Lima, próxima ao Parque Nacional da Serra do Divisor, também rota do narcotráfico — decisão que a força justificou como parte de uma “modernização” da presença militar na Amazônia, mas que na prática tem deixado a fronteira mais vulnerável, segundo relatos de dificuldades operacionais, incluindo falta de combustível para o patrulhamento fluvial.

A comunidade Apiwtxa é referência internacional em gestão territorial e recuperação ambiental na bacia do Rio Amônia, o que tornou suas lideranças alvo direto de grupos interessados em controlar as rotas fluviais usadas para o transporte de drogas.