Cruzeiro do Sul, Acre, 3 de agosto de 2026 17:53

Primeira turma do curso de Medicina da Afya chega à reta final no Juruá com início do internato

Primeira turma do curso em Cruzeiro do Sul inicia internato, etapa prática final da graduação, com atuação em unidades de saúde do Acre e do Amazonas

A primeira turma do curso de Medicina da Afya em Cruzeiro do Sul chegou ao internato, última etapa prática da graduação antes da formatura. O grupo reúne 49 estudantes, incluindo três que realizam o internato fora da sede, e tem previsão de conclusão do curso em 2026.

A chegada ao internato marca um momento importante para a instituição e para o Vale do Juruá. A etapa consolida a formação médica na região e amplia a possibilidade de que novos profissionais permaneçam no estado, especialmente em municípios que enfrentam dificuldades para manter médicos em quantidade suficiente.

Durante o internato, os estudantes passam a atuar de forma mais próxima da rotina dos serviços de saúde, sempre sob supervisão. Eles auxiliam unidades hospitalares, participam de consultas ambulatoriais, pronto atendimento, procedimentos cirúrgicos e outras atividades assistenciais.

A instituição também disponibilizou estrutura física para atendimentos, incluindo salas de pequenos procedimentos em unidades básicas de saúde. A medida contribui para ampliar o acesso da população a serviços que, em muitos casos, tinham filas de espera de meses e até anos.

Os alunos atuarão em Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, no Acre, além de Guajará, no Amazonas. Inseridos no contexto amazônico, terão contato direto com demandas características da região, entre elas doenças endêmicas como malária, leishmaniose e dengue.

“O internato aproxima os futuros médicos da realidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e das necessidades da população local. Embora os estudantes já tenham contato com a prática médica ao longo da graduação, essa fase proporciona maior carga horária, maturidade acadêmica e vivência contínua nos cenários de atendimento”, disse o coordenador de internato, o professor Caio Rodrigues.

Com isso, os alunos desenvolvem mais autonomia, capacidade de tomada de decisão e raciocínio clínico. A permanência prolongada nas unidades de saúde também favorece o contato direto com pacientes e equipes, permitindo compreender melhor as limitações, potencialidades e demandas da assistência regional.

Outro ponto importante é o aperfeiçoamento da semiologia médica. Como parte das práticas anteriores ocorre com pacientes simulados, o contato com pacientes reais durante o internato amplia o aprendizado e fortalece a relação médico-paciente, desenvolvendo competências técnicas e habilidades humanas essenciais ao exercício da profissão.

“A expectativa é que parte desses futuros médicos permaneça atuando na própria região após a formatura. Um dos fatores que favorecem essa permanência é o fato de muitos alunos serem naturais do Juruá, mantendo vínculo familiar, social e comunitário com os municípios onde poderão trabalhar profissionalmente”, afirmou o coordenador.

Após anos de formação conectada à realidade local, a turma leva para o mercado um diferencial importante: o conhecimento das condições concretas da assistência em saúde na região. Essa vivência permite decisões mais adequadas ao contexto amazônico, evitando, por exemplo, encaminhamentos para especialistas indisponíveis ou solicitações de exames com longa espera quando existem alternativas diagnósticas viáveis e mais acessíveis.