Cruzeiro do Sul, Acre, 29 de agosto de 2026 01:27

Em sabatina do ac24horas, Bocalom mantém campanha focada em propostas e defende levar ao Acre modelo que deu certo em Rio Branco

Candidato evitou ataques e dedicou entrevista a detalhar propostas para produção, emprego, ramais, saúde, educação e gestão pública; experiência administrativa na capital foi apresentada como credencial para governar o Estado

Tião Bocalom voltou a escolher as propostas como centro de sua campanha ao Governo do Acre. Durante sabatina realizada pelo ac24horas nesta quinta-feira (27), o candidato respondeu a questionamentos sobre alguns dos principais desafios do Estado e manteve a postura adotada desde o início da disputa: evitar ataques pessoais, apresentar projetos e confrontar problemas do Acre com soluções baseadas, em boa parte, na experiência acumulada como gestor.

A participação reforçou uma estratégia que Bocalom tem levado tanto às entrevistas quanto às ruas. Enquanto percorre bairros e municípios em uma campanha marcada pelo corpo a corpo e pela boa receptividade nas mobilizações, o candidato procura apresentar sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco como demonstração prática de que o projeto que agora propõe para o Estado pode funcionar.

Na sabatina, essa comparação apareceu em diferentes momentos. Bocalom falou de austeridade, produção, geração de emprego, infraestrutura, saúde, assistência e combate à corrupção. O argumento que conectou os diferentes assuntos foi o de que o Acre precisa de um governo capaz de organizar as contas, criar condições para quem produz e transformar planejamento em resultados.

“Não estamos falando de uma aventura. Temos experiência, temos trabalho realizado e sabemos que é possível fazer. O que queremos agora é levar esse modelo de gestão para todo o Acre”, defendeu Bocalom ao sustentar sua experiência executiva.

Produzir para Empregar no centro do projeto

Economia e geração de oportunidades estiveram entre os principais assuntos da sabatina. Bocalom voltou a defender uma de suas bandeiras históricas, o Produzir para Empregar, como caminho para reduzir a dependência do poder público e construir uma economia capaz de gerar renda por meio da iniciativa privada.

Para ele, o enfrentamento duradouro da pobreza passa necessariamente pela geração de empregos no setor produtivo.

“O único caminho definitivo para combater a pobreza é gerar postos de trabalho no setor produtivo. Precisamos criar condições para que o homem do campo produza, para que o empresário invista, para que novas indústrias cheguem e para que o acreano tenha oportunidade de trabalhar e crescer com o próprio esforço”, defendeu.

Bocalom apresentou uma visão de desenvolvimento que conecta agricultura familiar, agronegócio e industrialização. A intenção é estimular a produção primária e, simultaneamente, criar condições para que uma parcela maior dessa matéria-prima seja beneficiada dentro do próprio Acre.

Grãos, pecuária, café e borracha foram citados entre as cadeias que podem ganhar força com incentivo à produção e à transformação.

O raciocínio é simples: quanto mais etapas de uma cadeia produtiva permanecerem dentro do Acre, maior a capacidade de gerar empregos, movimentar empresas locais e fazer a riqueza circular dentro do Estado.

Ramal não é apenas estrada: é condição para produzir

A discussão econômica levou naturalmente a outro desafio enfrentado principalmente pelos produtores do interior: a infraestrutura.

Bocalom defendeu que incentivar alguém a produzir sem assegurar condições para retirar essa produção da propriedade é uma política incompleta.

Por isso, colocou a manutenção contínua dos ramais entre as prioridades de um eventual governo.

“Não adianta dizer para o produtor plantar, criar, produzir mais e depois abandonar esse produtor quando ele precisa tirar a produção da propriedade. Ramal precisa ser tratado durante todo o ano. Quem produz precisa saber que vai conseguir chegar à cidade, faça verão ou inverno”, sustentou.

O projeto defendido por Bocalom prevê manutenção contínua, investimento em maquinário e definição de trechos estratégicos para garantir o escoamento das safras e reduzir o isolamento das comunidades.

Nesse modelo, ramal deixa de ser encarado apenas como uma obra de infraestrutura. Passa a integrar a própria política de desenvolvimento econômico do Estado.

Gestão com austeridade e dinheiro público tratado com rigor

Ao ser questionado sobre gestão pública, Bocalom voltou a recorrer ao histórico administrativo para defender austeridade e controle das despesas.

O candidato argumentou que governar não significa simplesmente ampliar gastos, mas definir prioridades, controlar desperdícios e fazer o orçamento produzir resultados concretos.

A experiência em Rio Branco aparece como principal referência desse discurso. Bocalom sustenta que o modelo adotado na capital mostrou ser possível conciliar organização fiscal, pagamento dos compromissos da administração e capacidade de investimento.

“Dinheiro público precisa ser tratado com responsabilidade. Quando você organiza a casa, controla despesas e define prioridades, começa a sobrar capacidade para investir. Foi assim que trabalhamos e é assim que queremos administrar o Estado”, afirmou.

A proposta para o Governo é adotar critérios técnicos de gestão, acompanhar contratos e despesas e buscar maior eficiência no funcionamento da máquina estadual.

“Corrupto comigo é fora”

Bocalom elevou o tom quando o assunto passou para ética e eventuais irregularidades dentro da administração pública.

 O candidato resumiu sua posição em uma frase que já vem utilizando durante a campanha: “Corrupto comigo é fora.”

Segundo ele, a diretriz vale para qualquer integrante de uma eventual administração estadual.

“Não existe conversa quando se trata de corrupção. O dinheiro não é do governador, não é do secretário. É da população. Minha posição é muito clara: corrupto comigo é fora. O recurso público tem que voltar para o cidadão em serviço, obra e oportunidade”, afirmou.

Bocalom defendeu fiscalização dos contratos, transparência e critérios técnicos na formação das equipes como instrumentos para reduzir espaços para irregularidades.

Saúde mais perto de quem mora no interior

Na saúde, o candidato voltou a defender a descentralização como uma das principais mudanças necessárias na estrutura estadual.

Bocalom argumentou que a concentração excessiva dos serviços em Rio Branco prejudica tanto quem vive no interior quanto os pacientes da capital.

Quando procedimentos que poderiam ser realizados regionalmente são direcionados para Rio Branco, explicou, o paciente enfrenta longos deslocamentos e, ao mesmo tempo, aumenta a pressão sobre as unidades de referência da capital.

“Precisamos levar atendimento para mais perto das pessoas. Não é razoável fazer um acreano atravessar o Estado para resolver tudo em Rio Branco. Temos que fortalecer os hospitais regionais, garantir profissionais, medicamentos e condições para resolver nos municípios aquilo que pode ser resolvido lá”, defendeu.

O objetivo seria reservar a estrutura de maior complexidade da capital principalmente para os pacientes que efetivamente necessitam desse nível de atendimento.

A proposta envolve também valorização dos profissionais e regularidade no fornecimento de insumos.

Educação, assistência e oportunidade para as mães

Educação e assistência social também apareceram na entrevista conectadas à geração de oportunidades.

Bocalom defendeu ampliação da assistência às famílias e políticas que permitam aos pais, especialmente às mães, conciliar trabalho e cuidado com os filhos.

Nesse contexto, apresentou a expansão do atendimento em tempo integral e das creches como parte de uma política que vai além da educação.

“Quando você oferece uma estrutura adequada para a criança, também está dando tranquilidade para aquela mãe trabalhar, buscar uma oportunidade e ajudar na renda da família. Política social precisa ajudar as pessoas a avançarem”, argumentou.

A concepção apresentada pelo candidato procura conectar proteção social, educação e autonomia econômica.

Menos briga, mais proposta

 A sabatina também deu continuidade a uma postura que Bocalom vem procurando consolidar nesta fase da campanha.

Mesmo diante de perguntas políticas e de temas capazes de provocar confrontos, o candidato evitou transformar a entrevista em espaço para ataques pessoais. Quando questionado sobre alianças e disputas partidárias, procurou retornar ao programa de governo e à experiência administrativa.

É uma estratégia semelhante à adotada no primeiro encontro televisionado entre candidatos nesta semana, na TV Rio Branco. Na ocasião, Bocalom também priorizou temas administrativos e evitou prolongar embates que não estivessem relacionados diretamente às propostas.

Nas ruas, a campanha busca combinar essa postura com forte presença popular. Desde a largada, Bocalom tem participado de panfletagens, visitas ao comércio, encontros com trabalhadores, agendas no interior e grandes mobilizações em Rio Branco, apostando no contato direto como principal instrumento de diálogo com o eleitor.

A recepção encontrada nessas atividades tem sido usada pelo próprio candidato como termômetro da campanha. Bocalom costuma chamar esse contato de “Datapovo” e afirma confiar especialmente na percepção obtida conversando diretamente com os acreanos.

Um projeto testado na capital, agora apresentado ao Acre

Ao final da sabatina, ficou evidente o eixo escolhido por Bocalom para sustentar sua candidatura: apresentar experiência executiva como contraponto às promessas que, segundo ele, não estejam acompanhadas de capacidade de realização.

O candidato procura transformar sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco em uma espécie de vitrine do modelo que oferece ao Estado. A mensagem é de continuidade em escala maior: organização das contas, incentivo à produção, investimento em infraestrutura e foco na execução.

Bocalom encerrou a participação defendendo que a eleição deve ser decidida pela comparação entre projetos e capacidade administrativa.