Ao escrever este simples e pequeno artigo quero esclarecer que minha verdadeira intenção é pura e simplesmente homenagear ao Sr. Valdemar Negreiros da Silva pela forma boa como ele recebe as pessoas que se aproximam dele.
Não é um cidadão nato deste município, mas sem sombra de dúvida, Mâncio Lima ganhou um morador valioso, aquele que vem deixando boas marcas, bons exemplos dignos de serem seguidos por outras pessoas daqui filhos do lugar. Talvez até por mim mesmo quem sabe?
Durante anos, nas minhas viagens a trabalho pelo interior do nosso estado e até mesmo nas cidades, vi muitos idosos narrando suas histórias de caçada, pescaria, seus amores e as mais diversas aventuras repetidamente. Uma história hoje, a mesma amanhã e depois e depois sempre a mesma. Sim. Nostalgia era tudo o que aquelas pessoas tinham para passar o tempo e no tempo, até quando a vida assim permitisse.
Mas nem tudo e nem sempre precisa ser assim. Existe pessoas corajosas, que fazem diferente aquilo que sabem e gostam de fazer.
Seu Valdemar com seus 82 anos de vida é uma dessas pessoas diferentes. Corajoso, gosta do trabalho, tem boa conversa e sabe escutar. Virtudes raras nas pessoas de hoje.
No coração de Mâncio Lima, a cem metros da praça central, por trás da igreja de São Sebastião, Seu Valdemar descobriu um lugar para chamar de seu, e, ali fez o que ninguém até então imaginara.

Construiu com suas próprias mãos a sua própria ilha, e na ilha construiu sua casa de morada em forma de barco para não esquecer que, quando mais moço fora regatão, ofício que lhe permitiu criar os filhos com dignidade. Uma forma boa de contar sua história sem saudosismo, mas sentindo ainda no sangue a energia da peleja de cada ida e de cada vinda trazendo o sustento da família ganho com o suor do seu trabalho.
No seu oceano de água doce ao redor de sua casa tem até pirarucu para encantar os visitantes! Isto mesmo: pirarucu. O homem é sábio faz as coisas acontecerem direitinho.
Quem não acredita venha ver. Venha constatar com os próprios olhos, venha observar o pirarucu nadando vivo e a cores, e aproveitar para tomar aquele cafezinho feito na hora com muito carinho, bater aquele papo gostoso, descontraído na certeza de quando se despedir vai levando mais um amigo na bagagem.
No passado. Mâncio Lima não oferecia nenhum recurso turístico na sede do município, era quase somente um ponto de passagem no caminho da Serra do Môa, mas hoje esta realidade mudou e já contamos com pelo menos um recurso turístico criado pela resignação de um homem corajoso.
Graças a seu Valdemar, a Mâncio Lima de agora deixou de ser apenas um ponto de passagem para o turista que se dirige para a Serra do Môa na busca de contemplar as cachoeiras do Parque Nacional da Serra do Divisor.
Antes era assim. Hoje. a realidade é outra. Quem passa em Mâncio Lima rumo a serra do divisor para gozar das belezas naturais das cachoeiras precisa primeiro conhecer Seu Valdemar e sua história para depois seguir viagem levando as boas energias recebidas na Casa Barco do seu Valdemar.

Mâncio Lima- Acre, primeiro de janeiro de 2026
*Sebastião do Monte, é funcionário público Federal aposentado