O estado do Acre registrou 179 homicídios ao longo de 2025, mantendo-se acima da média nacional de mortes violentas intencionais, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), divulgado na última terça- feira (20). Apesar da redução em relação a anos anteriores, o número de assassinatos ainda coloca o Acre em uma posição de alerta no cenário nacional. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes segue superior à média brasileira.
Enquanto a taxa de mortes a cada 100 mil habitantes é de 20,24 no Acre, a média nacional foi de 15,97. De acordo com o levantamento, os crimes continuam concentrados, principalmente, em áreas urbanas, com destaque para Rio Branco, que responde por parcela significativa dos registros. Especialistas apontam que fatores como desigualdade social, disputas entre grupos criminosos e circulação de armas de fogo influenciam diretamente esses índices.
O relatório do Ministério da Justiça mostra, no entanto, uma tendência de queda gradual nos homicídios no Acre ao longo dos
últimos anos. Em 2017, por exemplo, o estado registrou 516 assassinatos, número significativamente superior ao contabilizado em 2025.
A nível nacional, o país registrou 34.086 assassinatos. O número representa uma queda de 11% em relação a 2024. Foi o quinto
ano consecutivo de redução nas mortes violentas.
OAB Acre cobra ação e diz que mortes são evitáveis
Para a OAB/AC, o aumento de seis feminicídios em apenas um ano, no Acre, evidencia falhas graves nas políticas de prevenção,
proteção e responsabilização dos agressores. Com o aumento no número de casos de feminicídio no Estado em 2025, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) publicou, na quinta-feira (22), um duro manifesto, em que cobra responsabilidade
do poder público e reforça que nenhuma dessas mortes pode ser tratada como inevitável.
No documento, a OAB manifestou “profunda indignação” com os números da violência contra a mulher: em 2024, foram contabilizados 8 casos; em 2025, este número saltou para 14, o que significa um aumento de 75%. Ainda segundo a ordem, nacionalmente, os dados do ano passado são considerados estarrecedores: “o Brasil bateu recorde histórico, com 1.470 feminicídios registrados no ano, superando os números de 2024. Na prática, isso significa que, em média, quatro mulheres foram mortas por dia simplesmente por serem mulheres”.
Para a OAB/AC, o aumento de seis feminicídios em apenas um ano, no Acre, evidencia falhas graves nas políticas de prevenção,
proteção e responsabilização dos agressores. “O feminicídio é a prova do fracasso coletivo do Estado e da sociedade”, destaca o manifesto, ao lembrar que cada número representa uma vida interrompida, famílias destruídas e filhos que se tornam órfãos. A entidade reforça que direitos básicos garantidos pela Constituição Federal e por tratados internacionais continuam sendo
violados de forma sistemática.