Segundo dados da Fundação Municipal de Saúde (FMS), em 2025, foram contabilizados 240 casos de hanseníase na população do Estado do Acre. Isso representa uma taxa de detecção de 16 por 100 mil habitantes. O dado teve um aumento em relação a 2024, quando o Estado registrou 170 casos na população geral.
“A descentralização das SecretariasMunicipais de Saúde (Semsa’s) não conseguiram apresentar os resultados esperados”, lamentou Davi Jinkins, responsável do setor de estatística do Ambulatório de Dermartologia da Fundação Hospitar do Acre (Fundhacre). Observou que profissionais de saúde atendem uma média de 30 pacientes por dia na Fundhacre, sendo 15 de novos casos e 15
de pacientes resistentes ao tratamento.
Os pacientes com diagnóstico precoce, apontou que o tratamento dura apenas seis meses, mas nos casos de reincidência o tratamento medicamentoso é mais prolongado. “Estamos sugerindo que as Semsa’s instalem uma unidade de notificação, para
o diagnóstico mais cedo da doença”, defendeu Jinkins.
Destacou que a Campanha Janeiro Roxo busca conscientizar a população com manchas suspeitas no corpo procurar as unidades de
saúde para o exame de prevenção. A iniciativa da Sessacre busca reforçar o diagnóstico precoce da hanseníase nos rincões do Acre.
O Boletim Epidemiológico de Hanseníase divulgado na última quarta-feira pelo Ministério da Saúde (MS), apontou que o Acre e
Rio Grande do Sul foram os estados com maior proporção de grau 2 de incapacidade física no momento do diagnóstico. O estudo
revelou que o estado contabilizou 36,5% dos casos novos detectados por exames de contato, seguido do Mato Grosso, com 24,0%; Tocantins, com 21,7% e São Paulo 21,1% que tiveram maior proporção de casos Paraíba (4,0%), Goiás (4,0%) e Ceará (3,4%) apresentaram as menores proporções do País.
A prevalência de hanseníase ficou assim distribuído: Roraima (11,9%), Acre (9,9%), Amapá (9,8%), Paraná (9,7%) e Distrito Federal (9,7%). Por outro lado, Rio Grande do Norte (2,7%), Goiás (2,3%) e Rondônia (1,6%) com as menores proporção de recidivas do Brasil em 2024.
“Mesmo com a redução do número de casos nos últimos anos, a hanseníase segue como um relevante problema de saúde pública,
reforçando a necessidade de intensificar as ações de vigilância, prevenção e controle da doença, em consonância com as metas da
Estratégia Global para Eliminação da Hanseníase até 2030”, afirma Walfrido Salmito, diretor de Vigilância em Saúde da FMS.
Salmito ressalta que o que é a doença e como ocorre a transmissão. “A hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada pela
bactéria Mycobacterium leprae, conhecida como bacilo de Hansen. Ela acomete principalmente a pele e os nervos periféricos, atingindo com maior frequência braços, mãos, pernas e pés. A transmissão acontece pelo contato próximo e prolongado com
uma pessoa doente que ainda não iniciou o tratamento, por meio das vias respiratórias, como fala, tosse ou espirros.”
Onde realizar o tratamento no Acre
No Brasil, o tratamento é gratuito e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os pacientes podem realizar o tratamento em
domicílio, com acompanhamento regular nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da Fundação Municipal de Saúde (FMS). Apesar dos esforços da Sesacre, o Acre ocupa a oitava posição no ranking nacional e o quarto lugar na região Norte. A diretora de Vigilância em Saúde, Socorro Martins destacou o mutirão em parceria com a Sesacre e a Ufac, para identificar precocemente possíveis novos
casos de hanseníase. Observou que uma equipe de profissionais da saúde está atendendo no período da manhã na URAP Francisco
Roney Meireles (no Conjunto Adalberto Sena).