Para quem tocam os sinos?
Por que eles retumbam sem cessar?
Quem os faz badalar em insistentes anúncios?
A comunidade cruzeirense reconhece que esse sagrado ministério, de tocar os sinos da catedral de Nossa Senhora da Glória, simboliza a vida do Seu Alberto. Falamos tanto da matriz atual, com sua cúpula alta, como também da velha Igreja, do Alto da Glória. Afinal, foi desde os anos de 1950 que a extrema dedicação de um homem, marcou os ritmos sonoros de nossa sociedade através de sinais tão eloquentes: o soar dos sinos!
Os sinos não são só objetos musicais. Eles anunciam conteúdos, fatos, espiritualidade. Mas esses maravilhosos dons, não estão nos sinos, objetivamente. Eles dependem do seu parceiro, o tocador dos sinos. Então podemos dizer que Alberto foi um vibrante agente de pastoral, um evangelizador, um consolador, um liturgista, que soube cadenciar nossa vida de fé, através dos toques dos sinos da catedral.
O seu ritmo de vida era verdadeira liturgia, do amanhecer ao anoitecer, tocando sinos nas horas da Ave-Maria, nas chamadas para a Eucaristia e as novenas, no anúncio da ressurreição dos que passavam para a vida eterna. Em cada fato, um jeito de tocar, uma cadência e tempos concatenados. Um impecável saber fazer, para que o povo todo entendesse bem o que se passava, o que se celebrava.
No caso de Alberto, o soar dos sinos se conectava com os ritmos do seu coração, da sua fé, da sua paixão pela religião e pelo bem social. Isso implicou o seu subir e descer o Morro da Glória, várias vezes ao dia, dia após dia, década após década. O seu ritmo vital pessoal, influenciava o cotidiano social. Era uma sincronia do Eu com o Nós. Um bem comum!
Nesse dinâmico contexto, esteve a sua bonita família: Dona Randélia e sua amada prole que muito o amou e o apoiou em seu ministério.
Fazemos memória do Sr. Alberto através do maravilhoso toque dos sinos. Mas essa é a faceta social de alguém que cuidou ainda mais do cotidiano da Igreja. O seu cuidado com o templo era extraordinário, assim como acurado era o seu serviço diaconal nos ritos litúrgicos, na distribuição da eucaristia, no seguimento das procissões, na visita aos enfermos, no acompanhamento dos funerais e no cuidado de toda forma de celebração da vida. Ele foi também um profundo conhecedor da história da Igreja no Alto Juruá.
Alberto foi como um catalizador social. A energia boa emanada do seu ser e do seu núcleo familiar, se espalhou pela comunidade inteira. Seguramente será impossível contabilizar quantos afilhados ele teve na celebração dos sacramentos.
E como sua vida foi bonita e durou lindos 90 anos, o seu testemunho de apaixonado seguidor de Jesus Cristo continuará a nos motivar aqui na Terra, enquanto a nossa memória o vê entoando, o hino de Nossa Senhora da Glória: Enquanto a luz dos meus olhos brilhar, tua imagem, oh Mãe de Deus, Virgem Senhora da Glória, hei de cantar, louvores teus!
*Ir. João Gutemberg M. C. Sampaio, marista