Para o presidente da Agência,
Laudemir Müller, iniciativa vai ampliar o conhecimento sobre a agricultura tropical, que tem um modelo único baseado em ciência, tecnologia e produtividade.
Para ampliar a compreensão e valorizar a agricultura tropical, que é o modelo produtivo baseado em ciência, inovação, tecnologia e adaptação ao clima tropical, a CropLife Brasil (CLB), lançou nesta quarta-feira (27), com a presença do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, a campanha “O que é que só o Brasil tem?”. O evento, em Brasília, reuniu autoridades públicas, especialistas, lideranças setoriais e formadores de opinião, que discutiram papel estratégico da agricultura tropical brasileira no cenário global e o potencial do setor diante dos desafios globais de segurança alimentar e mudanças climáticas.
Dados da pesquisa encomendada pela CLB à Nexus, apresentados no evento, apontaram que 24% dos tomadores de decisão do setor agrícola não conhecem o conceito de agricultura tropical, 85% dos entrevistados reconhecem o país como referência global por ser tropical e 80% associam produtividade a investimentos em pesquisa e inovação; e apenas 1% relaciona o tema à tecnologia.

A presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza, falou que esta iniciativa quer mostrar que o país é mais que uma potência agrícola. “Essa campanha mostra que sem pesquisa, inovação e regulação correta, o Brasil não vai conseguir manter a nossa competitividade no mercado internacional. É preciso cada vez mais inovar para ser mais produtivo com menos impacto no meio ambiente e assim ganhar cada vez mais mercados internacionais”, destacou, acrescentando que a ApexBrasil tem um papel fundamental nesta abertura e conquista de mercados globais.
O presidente Laudemir Müller, elogiou a parceria da ApexBrasil com a CropLife Brasil, dentro do projeto setorial ‘Bioinsumos do Brasil’, que busca internacionalizar os biológicos nacionais. “Aqui hoje, temos uma novidade muito importante, que é exportar tecnologia, além de promover o modelo de agricultura tropical do Brasil, que é único. É um modelo baseado em ciência, tecnologia e produtividade. É um orgulho para a ApexBrasil, para todo o nosso time, promover a tecnologia brasileira e, dessa vez, a tecnologia para o agronegócio”, finalizou.
De acordo com o presidente do Conselho da CropLife Brasil, André Savino, esta campanha é um instrumento para mostrar o quanto é possível enfrentar os desafios atuais com ciência, tecnologia e conhecimento. “Juntos vamos conscientizar com consistência para que o agro brasileiro continue prosperando e sendo um motor pujante da economia do nosso país”, finalizou.
O deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) que congrega mais de 350 parlamentares no Congresso Nacional, falou sobre alguns gargalos como logística, infraestrutura, mão-de-obra especializada e defendeu a modernização do setor. “A agricultura tropical no modelo que existe aqui, só nós do Brasil conseguimos produzir. Mesmo com todos os desafios. O Brasil precisa de mais investimento, tecnologia, inovação, regulação para melhorar a competitividade e avançar”, afirmou.

A campanha nasceu justamente da percepção de que há um descompasso entre o reconhecimento da força do agro brasileiro e o entendimento sobre a ciência e a inovação que sustentam este modelo tropical.
Brasil com liderança e inovação
O evento contou com dois painéis: “O Brasil tem liderança: para discutir o papel das políticas públicas na agricultura tropical” e “O Brasil tem inovação: o trópico como laboratório de soluções”. No primeiro painel, moderado pela presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza, foram analisados alguns avanços e aspectos das regulações do setor. O diretor do Departamento de Patrimônio Genético e Cadeias produtivas dos Biomas e Amazônia do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Rafael Sá, explicou que a pasta tem o olhar para a Economia Verde há muitos anos. “A bioeconomia pode se conectar à Nova Indústria Brasil. E inúmeras mudanças legais permitiram avanços e adaptações para atuar em novos mercados no exterior”, reforçou.
De acordo com o coordenador geral de Agrotóxicos e Afins no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), José Vitor Torres, o ministério tem um papel relevante na construção das políticas públicas deste setor. “O Brasil é um mercado pujante e tem potencial para se tornar referência em modelos de legislação de bioinsumos”. A diretora de Administração do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Soraya Santos, defendeu a redução dos prazos para análises da área da economia verde. “Há métodos para a proteção da agricultura tropical. É possível ter mecanismos para diminuição do tempo de análise preservando a sustentabilidade”, informou.
O consultor legislativo do Senado, Igor Aragão, trouxe a visão do Poder Legislativo sobre a questão dos marcos regulatórios e apontou pontos para uma agenda positiva. Segundo ele, nos últimos anos, o Brasil teve avanços expressivos com as leis sobre agrotóxicos, bioinsumos e licenciamento ambiental. “A grande questão que precisa estar na pauta é a gestão do risco de eventos climáticos. O país precisa ter três pilares para este enfrentamento: modernização do seguro rural com a criação de um fundo para catástrofes; política permanente de combate a desastres climáticos e política de mitigação de emissão de carbono”, ressaltou, lembrando que segurança jurídica garante previsibilidade para investimentos.
Excelência do agro brasileiro
O gerente de Agronegócio da ApexBrasil, Pedro Netto, destacou que o agro brasileiro tem o DNA da inovação. “O Brasil é um grande laboratório a céu aberto que colhe resultados com ciência, dados, tecnologia e muito trabalho. Temos um ambiente propício para a atividade agrícola, mas isso não seria suficiente se não tivéssemos inovação e evolução. O nosso setor de agro é de excelência e envolve grande esforço. E quando nós da ApexBrasil mostramos isso lá fora, ganhamos cada vez mais mercados”, disse.
A questão climática permeia todas essas discussões, segundo o secretário-executivo da Rede Clima, Fernando Sampaio. “O Brasil tem uma relevância geopolítica e pode contribuir muito neste debate global. É um país ligado à floresta e ao agro e tem condições de ajudar a criar mecanismos sem reduzir a qualidade e o volume da produção”, disse.
Na avaliação do assessor da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Aryverton Fores, os processos e as instituições estão evoluindo e esta campanha lançada hoje pode contribuir para fazer com que a informação correta chegue lá na ponta. “Pesquisas, dados, conhecimento são essenciais para que o agronegócio cresça com sustentabilidade e possamos mostrar ao mundo o que é que só o Brasil tem”, ressaltou.
A produtora e exportadora de frutas, Priscilla Nasralla, falou sobre as conquistas e desafios de quem está lá na ponta. “Os produtores são abertos à inovação. Mas ela precisa estar acessível. A inovação precisa ser adotada como infraestrutura estratégica. Precisa ser uma união entre ciência, governo e produtores”, defendeu acrescentando que esta soma de esforços vai representar mais empregos, mais exportações, mais alimentos chegando na mesa de todos.
Sobre a CropLife
A CropLife (CLB) é uma associação civil sem fins lucrativos que representa empresas especializadas em pesquisa e desenvolvimento de soluções para a produção agrícola sustentável, nos setores de Germoplasma (mudas e sementes), Biotecnologia, Defensivos Químicos e Bioinsumos.
Sobre a ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover produtos e serviços brasileiros no exterior, atrair investimento estrangeiro direto para o Brasil e aumentar a competitividade das empresas brasileiras nos mercados internacionais.