O matador confesso do colunista e ativista Moisés Alencastro, Antônio de Sousa Moraes, de 22 anis e seu cúmplice, apontado por ele mesmo, Nataniel Oliveira de Lima, de 23 anos, presos na quinta-feira, 25, passaram por audiência de custódia e tiveram
suas prisões mantidas.
À polícia, Antônio afirmou que conhecia Moisés havia aproximadamente dois anos, que o colunista o ajudava financeiramente e que afirmou que ele “era uma pessoa muito boa”.
Em seu relato, diz que Moisés o convidou no dia de sua morte para ir a seu apartamento, no bairro Morada do Sol, pedindo que “levasse um amigo”. Então ele convidou Nataniel. Pelas informações, sugeriu que era frequente sua presença no apartamento da vítima.
O corpo de Moisés foi encontrado apenas na segunda-feira (22), por amigos de trabalho, dentro do apartamento onde morava, localizado no bairro Morada do Sol, em Rio Branco. O suspeito foi preso pela polícia ainda na quinta-feira (25), em uma área de mata no bairro Eldorado, após se entregar.
Antônio atribui a desavença a uma suposta proposta de Moisés, quando estavam todos no quarto. Sem precisar o teor do pedido,
disse que se revoltou e entrou em briga corporal com o colunista. Depois de desferir um soco na vítima, admite que foi até a cozinha,
pegou uma faca e retornou ao quarto, sem que o colunista conseguisse reagir. A primeira facada teria atingido o pescoço da vítima. Ele não parou a agressão. A segunda foi na região das costelase outras facadas ainda se seguiram.
Após constarem a morte do ativista, conta que os dois fugiram no carro da vítima, levando vários objetos de valor, incluindo o celular. O carro foi encontrado ainda na segunda-feira, na estrada do Quixadá, abandonado, com as portas abertas, pneus furados e o porta-malas aberto.
Antônio conta que escondeu os objetos levados em sua casa, debaixo da cama da mãe, que protestou e mandou que ele levasse embora o material, por não concordar com o que até então considerava um roubo. A irmã do acusado também ouviu o relato que
Antônio fez à mãe. As duas optaram por se manterem em silêncio sobre a morte, apenas pedindo que o matador fosse embora. Ao saber, pela imprensa, na segunda-feira, do crime, as duas procuraram a delegacia e formalizaram a denúncia.
Fuga
Antônio, ao retirar os objetos da casa da mãe, conta que os levou para uma área de mata e enterrou dentro de uma sacola, se escondendo na mata. O celular de Moisés, no entanto, foi jogado em um igarapé. Mas, logo que seu nome foi veiculado como suspeito, conta que teria começado, junto com sua família, a receber ameaças de morte de uma facção criminosa.
Ele conta que isso o fez retornar para casa e se entregar. Antes disso, desenterrou os pertences da vítima e os entregou à polícia.
Na sacola havia óculos escuros, chave do carro, documentos e outros objetos pessoais. Ele delatou o cúmplice que também foi preso.
Muita emoção no sepultamento
Artistas da capital e ativistas das causas sempre defendidas por Moises Alencastro transformaram seu sepultamento, ocorrido dia 24, em um momento tocante de emoção, música e reconhecimento da importância do colunista. Familiares, amigos, artistas, militantes
e representantes de diferentes setores da sociedade acreana se reuniram para prestar as últimas homenagens e cobrar justiça pelo crime.
O jornalista e colunista social Moisés Alencastro foi encontrado morto dentro do próprio apartamento, no bairro Morada do Sol, em Rio Branco, na segunda- feira (22). O corpo apresentava diversas perfurações por arma branca, e a Polícia Civil passou a tratar o caso como homicídio desde as primeiras diligências.