Documentos enviados à CPI do Crime Organizado citam pagamentos a escritórios associados a nomes como Michel Temer e ex-ministros.
O Banco Master declarou R$ 65 milhões em pagamentos por serviços a escritórios de advocacia e empresas ligadas a políticos brasileiros. As informações constam em documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado, segundo apuração da reportagem.
Entre os nomes citados estão o ex-presidente Michel Temer e ex-ministros de diferentes governos, como Henrique Meirelles, Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e Fábio Wajngarten.
Além desses repasses, o banco declarou pagamentos de R$ 80 milhões ao escritório da advogada Viviane Baci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Os valores foram informados à Receita Federal em 2024 e 2025, sendo R$ 40 milhões apenas no ano passado.
Levantamento do jornal O Globo aponta que o escritório recebeu, em 2025, valores superiores aos de outras bancas contratadas pelo banco. No total, o Master teria gasto R$ 265 milhões com serviços de 61 escritórios naquele ano, sendo o maior montante destinado ao escritório de Viviane Baci.
Documentos obtidos pela Polícia Federal também indicam que o banco desembolsou cerca de R$ 60 milhões com autoridades — incluindo ministros, senadores e integrantes da Procuradoria-Geral da República — em eventos realizados no Brasil e no exterior, em cidades como Londres, Nova York e Lisboa.