Cruzeiro do Sul, Acre, 20 de setembro de 2026 17:20

Canadá e França reforçam laços em meio a tensões com os EUA

Presidentes Mark Carney e Emmanuel Macron anunciam novos projetos conjuntos em defesa, espaço e energia; Canadá pode se tornar associado da União Europeia, segundo projeto do bloco

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, defendeu neste domingo (20) o fortalecimento dos laços com a França diante de novas ameaças globais, em um momento de maior tensão nas relações internacionais.

Durante uma entrevista coletiva conjunta com o presidente francês, Emmanuel Macron, no território francês de Saint-Pierre e Miquelon, Carney afirmou que os dois países estão aprofundando a cooperação em áreas estratégicas.

Canadá e França encarregaram suas respectivas agências espaciais e ministérios da Defesa de desenvolver conjuntamente sistemas de lançamento espacial e estruturas terrestres para recepção de dados.

Macron, por sua vez, afirmou que os dois países estão abrindo “um novo capítulo” nas relações bilaterais e disse que a França avalia como o Canadá pode contribuir para ampliar o fornecimento de energia à Europa.

“Os projetos canadenses de gás natural liquefeito podem ajudar. Eles são importantes para a Europa e vão abrir novas oportunidades entre nossos dois países”, afirmou Macron.

Segundo o presidente francês, os dois governos também iniciaram discussões sobre projetos concretos de cooperação bilateral.

Os anúncios ocorrem em meio à busca de países europeus por novas parcerias em energia e defesa e à aproximação entre Canadá e França em questões estratégicas.

Canadá pode ser associado da UE

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta semana ​que a União Europeia está abrindo as portas ​para que o Canadá se torne seu primeiro “membro associado”, um status que não está previsto nos tratados do bloco.

O anúncio de von der Leyen representa uma mudança significativa na política da UE.

O bloco sempre resistiu a categorias flexíveis, e os membros da UE reagiram com cautela à proposta da Alemanha, em maio, de ⁠conceder à Ucrânia o status ​de membro associado como um passo prévio à adesão plena.

“As parcerias ​são uma escolha estratégica para a Europa. Mas elas também respondem à ruptura ⁠no sistema internacional baseado em regras”, disse ⁠von der Leyen em seu discurso anual sobre o Estado ​da ‌União Europeia perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

“Vemos o mundo com os mesmos ⁠olhos: da IA às mudanças climáticas, do Ártico à geopolítica. E nos mantivemos unidos: em relação à Ucrânia, à defesa, às matérias-primas e às cadeias de abastecimento. Mas, acima ‌de ⁠tudo… a Europa ‌e o Canadá acreditam na democracia.”

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou no início desta semana que o Canadá buscava uma “aliança única” com a UE, mas não a ⁠adesão.

Von der Leyen convidou Carney para ⁠se juntar a ela em Estrasburgo, e ele fará seu próprio discurso na quinta-feira (17).

A viagem de ‌Carney à Europa ocorre após uma ruptura histórica nas relações entre o Canadá e os EUA, depois que as negociações comerciais fracassaram no mês passado, desencadeando uma série de medidas tarifárias de retaliação.

“Eu disse que precisamos repensar urgentemente nossas ‌parcerias. Portanto, gostaria de trabalhar com vocês para abrir as portas para que o Canadá se torne o primeiro membro associado da UE”, disse von der ⁠Leyen.

Ela acrescentou que a UE e o Canadá trabalharão juntos em diversos setores, desde a indústria manufatureira até a inteligência artificial, minerais essenciais e energia.

“Trabalharemos na manufatura inteligente. ​Criaremos uma aliança tecnológica. Integraremos as bases industriais de defesa. Faremos do Ártico ​um projeto conjunto emblemático”, disse ela.

Von der Leyen acrescentou que “esta é uma parceria que não se volta contra ninguém”, em uma possível tentativa de evitar antagonizar o presidente dos EUA, Donald Trump.

CNN Brasil
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