Cruzeiro do Sul, Acre, 6 de novembro de 2026 09:53

Deputados do Paraguai aprovam impeachment de Peña mesmo após renúncia

Decisão foi aprovada por 78 votos em sessão extraordinária; processo agora será analisado pelo Senado paraguaio

A Câmara dos Deputados do Paraguai autorizou a abertura de um processo de impeachment contra Santiago Peña, 47 anos, que renunciou ao cargo de presidente nesta quinta-feira (5/11). A decisão foi tomada durante uma sessão extraordinária e contou com 78 votos favoráveis. Agora, o processo será conduzido pelo Senado paraguaio.

Segundo a Constituição do país, Peña assumiria o cargo de senador vitalício ao renunciar. O cargo é garantido pela Constituição Nacional aos ex-presidentes da República que deixam o cargo sem serem destituídos. Porém, a situação não é válida em caso de impeachment.

A renúncia vem logo após deputados da oposição apresentarem pedidos de impeachment contra Peña após o colapso do Ueno Bank, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas, segundo o jornal paraguaio ABC Color.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele destaca que este é um dos momentos “mais dificies da minha vida” e se desculpou com a população afetada pela crise bancária e disse que decidiu renunciar “pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar as instituições democráticas”.

Assista:

Entenda

O impeachment no Paraguai é previsto pelo artigo 225 da Constituição Nacional. Cabe à Câmara dos Deputados formular a acusação, que precisa do apoio de dois terços dos parlamentares. Em seguida o Senado conduz o julgamento e também exige dois terços dos votos para poder declarar o acusado culpado e destituí-lo do cargo.

Entre as acusações apresentadas contra Peña estão o suposto conflito de interesses envolvendo sua participação na Ueno Holding, grupo empresarial ligado ao banco, e a nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente da Financiera Ueno, para comandar o Banco Central do Paraguai. Os parlamentares também questionam mudanças na legislação sobre conflitos de interesses e a concentração de recursos do Instituto de Seguridade Social (IPS) no Ueno Bank, que, segundo a denúncia, teria ultrapassado os limites previstos em lei.

Quem é Santiago Peña

Santiago Peña, economista de formação, chegou à Presidência do Paraguai em agosto de 2023, pelo Partido Colorado, legenda conservadora que domina a política do país há décadas. Antes de assumir o cargo, construiu carreira no setor financeiro e em organismos internacionais, com passagem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), onde trabalhou em assuntos relacionados à África.

De volta ao Paraguai, Peña retomou atividades no Banco Central e, entre 2015 e 2017, comandou o Ministério da Fazenda durante o governo de Horácio Cartes. Foi nesse período que se filiou ao Partido Colorado e passou a ganhar projeção política. Após uma tentativa frustrada de disputar a Presidência em 2018, venceu as primárias da legenda em 2023 e derrotou o oposicionista Efraín Alegre nas eleições nacionais.

A vitória garantiu a continuidade do Partido Colorado no poder, em meio a críticas sobre a situação econômica e denúncias de corrupção. Durante seu mandato, Peña manteve proximidade com o setor financeiro, trajetória que passou a ser alvo de questionamentos com a crise envolvendo o Ueno Bank. A renúncia encerra sua passagem pela Presidência antes do fim do mandato.