Desinfetante na veia e remédios não-prescritos
Três técnicos de enfermagem foram presos pela polícia civil por provocarem a morte de três pacientes de um hospital particular do DF entre os dias os dias 19 de novembro e primeiro de dezembro de 2025. Segundo os investigadores, os profissionais aplicavam doses de medicamentos não prescritas pelo médico e ainda chegaram a aplicar desinfetante direto na veia de um dos paciente.
As vítimas são dois servidores, um da Caesb e outro dos Correios e uma professora aposentada. Todos com idades de 75, 63 e 33 anos. Foi a própria gestão do Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga, onde estavam internados os pacientes, quem acionou a polícia, após abrir uma investigação interna e demitir os suspeitos. De acordo com o hospital foi constatada “circunstância atípica” na piora súbita do quadro de saúde das vítimas.
Um dos detidos é um técnico de enfermagem, de 24 anos. Ele foi preso no último dia 12 de janeiro enquanto trabalhava na UTI neonatal de um outro hospital particular do DF. Outras duas técnicas de enfermagem foram detidas em seguida. Segundo a Polícia Civil, duas das pessoas investigadas chegaram a negar os crimes inicialmente, mas ao serem confrontados com câmeras de segurança no local, confessaram a ação criminosa.
As apurações apontam que o homem era quem entrava no sistema do médico, enquanto o profissional não estava vendo. Ele colocava as medicações na ficha do paciente, pegava as doses na farmácia do hospital, preparava a substância e depois a aplicava nas vítimas. As outras profissionais o acobertavam. Uma delas chegou a ficar no corredor para evitar que o homem fosse visto cometendo o crime.
Segundo o delegado do caso, Wisley Salomão, quando a vítima entrava em parada cardiorrespiratória, o homem ainda fazia massagem cardíaca nos pacientes para tentar reanimá-los. Ainda de acordo com o delegado, uma das vítimas teria resistido à substância aplicada e o técnico de enfermagem aplicou desinfetante ao menos 10 vezes na veia do paciente, o que o levou a morte.
Outros 20 laudos de óbito estão sendo analisados pelos investigadores para identificar se há padrão nas mortes. A polícia também irá investigar casos prováveis em unidades hospitalares onde os detidos trabalharam. Os agentes apreenderam celulares e equipamento eletrônicos.
Em nota, o Hospital Anchieta disse que entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Disse ainda que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas. O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal também se manifestou. E nota o Conselho afirmou que vai acompanhar o caso e respeitará o devido processo legal que tramita em segredo de Justiça.