Cruzeiro do Sul, Acre, 10 de março de 2026 06:14

Dia da Consciência Negra: 6 filmes para celebrar a cultura afro-brasileira

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Indicações de Igor Verde e Renata Di Carmo reúnem obras que dialogam com memória, estética e identidade

O Dia da Consciência Negra, feriado nacional desde 2023, é uma data que marca o legado, a resistência e a luta da população negra no Brasil.

A escolha do dia 20 de novembro remete à morte de Zumbi dos Palmares, considerado o símbolo da resistência negra à escravidão. “Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da luta contra a escravidão, lutou também pela liberdade de culto religioso e pela prática da cultura africana no País”, diz texto publicado pela Fundação Palmares.

Para celebrar e refletir sobre a cultura afro-brasileira, a CNN recebeu dicas de filmes de dois artistas negros, Renata Di Carmo e Igor Verde. Confira abaixo.

Filmes para celebrar a cultura afro-brasileira

As escolhas de Renata Di Carmo

Nascida em Campo Grande, zona oeste do Rio, atravessada pelo universo das escolas de samba por conta das avós, e tendo uma trajetória que une rigor artístico e compromisso com a pluralidade das narrativas negras, Renata escolheu filmes que tratam de afeto, memória, estética e legado, a partir da força das personagens e de realidades diversas:

  • “Alfazema” (2019), de Sabrina Fidalgo

Neste curta, acompanhamos o dia de uma artista negra no Rio de Janeiro. Cor, gesto, ritmo e cidade se misturam em uma narrativa que discute autonomia e identidade.

“’Alfazema’ é uma crônica metalinguística, um filme que faz parte de uma trilogia da Sabrina sobre a festa. É uma narrativa sobre a preparação para o carnaval e também sobre a espontaneidade, nossa marca de brasilidade, e a espetacularização dela. Tem uma galhofa, um abuso, e, ao mesmo tempo, um comprometimento. Esse lugar de autoralidade, de provocação, de compromisso com a linguagem e a pesquisa estética são lugares importantes de abertura para o olhar”, comenta.

  • “Racionais: Das Ruas de São Paulo para o Mundo” (2022), de Juliana Vicente

O documentário revisita a história do grupo que transformou o rap brasileiro e marcou a vida de diversas gerações. Nas palavras de Renata, o filme fala sobre a história do país.

“O documentário reconhece a trajetória do grupo como parte essencial da nossa história cultural e política. A articulação vida-sociedade-arte está muito presente. Ele destaca a força desse legado, a luta que o sustenta e tudo o que o grupo representa para diferentes gerações, inclusive para as de hoje. O filme é muito rico, traz cenas inéditas referentes aos mais de 30 anos de carreira, entrevistas exclusivas e revela a importância não apenas musical do grupo, mas seu impacto social e estético desde os primeiros shows nas ruas de São Paulo”, destaca Renata.

  • “Kaza Branca” (2024), de Luciano Vidigal

O filme acompanha relações familiares e afetivas dentro de um território marcado por disputas, encontros e vínculos profundos.

“É um filme que fala sobre pertencimento de um jeito muito verdadeiro, sensível e poético. O Luciano coloca no centro temas que atravessam a experiência humana à partir da perspectiva dos afetos, do amor e das amizades. É um filme simples e profundo, realizado de uma forma inteligente e cativante. Há política articulada de forma muito engenhosa ali. A premissa é simples, mas há profundidades que emocionam e que falam sobre lugar no mundo, sobre ruptura de padrões, sobre periferia de uma jeito único. Não à toa o filme conquistou importantes prêmios internacionais.”

As escolhas de Igor Verde

Igor cresceu no Complexo Alemão dentro de um terreiro onde ouviu as primeiras histórias. Sua carreira atravessa televisão, cinema e streaming, sempre com um olhar que mistura ancestralidade, política, estética e corpo.

  • “Alma no Olho” (1973), de Zózimo Bulbul

Considerado um marco do cinema negro brasileiro, o curta combina performance, expressão corporal e silêncio para refletir sobre a experiência da população negra desde a escravidão até a busca por liberdade.

“Um filme essencial pra se estudar uma nova estética do corpo negro no audiovisual, a fundação de um olhar sobre esse corpo e a possibilidade de ver o corpo negro em um lugar que não seja o da dor, em um lugar de potência. Uma grande celebração do ser negro”, destaca.

  • “Café com Canela” (2017), de Glenda Nicacio e Ary Rosa

O longa acompanha a relação entre duas mulheres negras que, ao se reencontrarem, constroem um espaço de cuidado e escuta.

“De alguma forma esse filme tem seu alicerce no filme de Zozimo. Na medida em que estuda a importância de olhar para uma outra pessoa com quem você se identifica e que, através desse olhar, se encontra muita cura para a alma. Isso acontece no encontro entre as duas protagonistas do filme, uma jovem e uma mulher madura, as duas negras, que se verão no olhar uma da outra. Além da linda cena em que um cabelo crespo é penteado em todo seu esplendor. Bela forma de celebrar”, aponta Igor.

Um retrato sensível de uma família negra mineira que sonha e constrói futuro. “Um filme que dispensa apresentações. Um dos mais doces olhares sobre a família brasileira dos últimos tempos. Celebração preta na certa”, destaca Igor.

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