Cruzeiro do Sul, Acre, 14 de março de 2026 01:53

Discussão sobre a Groenlândia com Trump não envolveu soberania de território, diz chefe da OTAN

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A discussão sobre a Groenlândia com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não envolveu uma discussão sobre soberania de território. A informação foi divulgada pelo secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, em entrevista à Bloomberg.

Rutte afirmou que a discussão se concentrou na segurança do Ártico em um ‘sentido prático’ e em como impedir que a Rússia e a China acessem o território semiautônomo dinamarquês.

Uma reportagem do jornal New York Times afirma que os Estados Unidos e a OTAN discutem, nos bastidores, um modelo de acordo envolvendo a Groenlândia. Segundo o jornal, a proposta em debate prevê que a Dinamarca, que tem a soberania da ilha — embora o território seja autônomo —, conceda aos americanos o controle de pequenas porções de terra.

Na prática, os Estados Unidos passariam a exercer controle direto sobre áreas muito específicas do território groenlandês. A ideia seria justamente evitar uma transferência integral da soberania da ilha, que é o principal ponto de atrito entre os Estados Unidos, a Dinamarca, o governo da Groenlândia e também países da Europa.

Ainda segundo a reportagem, esse impasse vinha sendo acompanhado de ameaças do ex-presidente Donald Trump de impor tarifas de 10% sobre produtos exportados a partir de fevereiro. Trump, no entanto, já teria recuado ao anunciar o que chamou de uma estrutura de acordo, embora ainda não haja detalhes.

O New York Times diz que seriam pequenas parcelas de terra da Groenlândia que os Estados Unidos poderiam passar a controlar. Por enquanto, porém, segundo a própria reportagem, ainda há muita coisa para esclarecer e as discussões estão em estágio inicial.

Donald Trump durante discurso no Fórum Econômico de Davos. — Foto: Reprodução

Donald Trump durante discurso no Fórum Econômico de Davos. — Foto: Reprodução

Em publicação na rede Truth Social, Trump explicou que, em razão desse entendimento — discutido com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte — os Estados Unidos não vão mais impor novas tarifas aos países europeus que se posicionaram contra as ambições do presidente de anexar a ilha dinamarquesa.

Segundo Trump, durante uma reunião com Rutte, foi definida a “estrutura de um futuro acordo em relação à Groenlândia e a toda a região do Ártico”. Ele acrescentou que, se concretizado, o acordo será excelente tanto para os Estados Unidos quanto para os países da aliança.

Discurso em Davos

Mais cedo, Trump descartou o uso da força por parte dos Estados Unidos para obter a Groenlândia. Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, ele declarou que apenas os americanos são capazes de defender o território.

O presidente reforçou que o interesse americano pela Groenlândia é uma questão de segurança, e não relacionada à exploração de terras raras.

Trump divulga montagens com bandeira americana na Groenlândia — Foto: Reprodução

Trump divulga montagens com bandeira americana na Groenlândia — Foto: Reprodução

Trump também criticou a Dinamarca, país que detém a soberania da ilha, chamando a nação de “ingrata” e afirmando que os dinamarqueses têm uma dívida com os Estados Unidos por terem sido defendidos pelos americanos durante a Segunda Guerra Mundial.

Pouco depois do discurso, a Dinamarca respondeu, por meio de ministros, que a fala de Trump é positiva “em termos isolados”, especialmente por descartar o uso de força militar. Apesar disso, os representantes afirmaram que isso não muda a percepção de que o presidente americano parece determinado a assumir o controle do território.

Ainda nesta quarta-feira, o Parlamento Europeu, que reúne representantes de todos os países da União Europeia, decidiu suspender por tempo indeterminado a análise e os trabalhos sobre o acordo comercial entre o bloco e os Estados Unidos.

Nuuk, capital da Groenlândia — Foto: Foto: Flickr

Nuuk, capital da Groenlândia — Foto: Foto: Flickr