Deputado classificou invasão à residência do jornalista Chico Melo, em Cruzeiro do Sul, como um grave episódio de violência política e pediu que as investigações avancem
Durante a retomada dos trabalhos legislativos na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), nesta terça-feira (4), o deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) utilizou a tribuna para manifestar preocupação com o episódio ocorrido no dia 22 de julho, quando criminosos invadiram a residência do jornalista Francisco Melo, conhecido como Chico Melo, profissional da Rádio e TV Integração, em Cruzeiro do Sul.
Em seu pronunciamento, o parlamentar classificou o caso como um episódio de grande gravidade e afirmou que a ocorrência representa, em sua avaliação, um sinal de ameaça à liberdade de imprensa e ao direito à informação. O deputado relembrou períodos da história do Acre em que profissionais da comunicação teriam sido vítimas de intimidação e violência e afirmou que práticas dessa natureza não podem voltar a fazer parte da realidade política do Estado.
“O dia 22 de julho de 2026 marca o retorno da violência política como instrumento de perseguição à livre informação da imprensa. Já passaram mais de três décadas que um episódio desta gravidade, desta envergadura, não havia ocorrido. Pressões, contrapressões, vários instrumentos de intimidação ocorreram nessas últimas três, quatro décadas. Mas a violência, a agressão, o gangsterismo, a ameaça à vida tinha cessado desde que as práticas do Esquadrão da Morte no Estado do Acre foram combatidas e derrotadas naquele período”, afirmou.
Ao abordar as possíveis razões para o ataque, Edvaldo Magalhães citou temas que, segundo ele, teriam sido tratados pela Rádio Integração e que envolveriam assuntos considerados sensíveis por setores do poder público. Entre eles,
uma denúncia de violência doméstica e também críticas a dispensas de licitação e contratações diretas. O parlamentar ressaltou que esses elementos fazem parte do contexto que, em sua avaliação, precisa ser considerado pelas autoridades responsáveis pela apuração.
“Por que cometeram esta agressão ao jornalista Chico Melo?. É porque a editoria daquela rádio resolveu abordar assuntos proibidos por gente do poder. Eles abriram o microfone da rádio para tratar das escandalosas dispensas de licitação, contratação direcionada, direta e etc. Falaram de tudo aquilo que de manhã, de tarde e de noite se monitora para que não seja tratado nos chamados temas indesejáveis”, declarou.
O deputado também afirmou ter procurado o presidente da Aleac, deputado Nicolau Júnior, para defender uma manifestação institucional da Assembleia sobre o caso. Para ele, a tribuna parlamentar deve permanecer como espaço de defesa da democracia, especialmente diante de situações que possam representar ameaça à liberdade de expressão.
“O único espaço verdadeiramente democrático é esta tribuna. Esse metro quadrado da tribuna. E quando a democracia, a liberdade de expressão, começa a ser ameaçada com esse tipo de prática, esta tribuna não pode se calar. O espaço aqui não pode se omitir, porque senão todos estaremos coniventes com a violência política, com intimidação e com a ameaça de sumiço da vida”, afirmou.
Edvaldo Magalhães disse ainda que as informações relacionadas ao caso teriam sido apresentadas às autoridades responsáveis pela investigação, incluindo o delegado que acompanha a ocorrência, uma promotora e um procurador de Justiça. O deputado defendeu que as instituições concluam a apuração e esclareçam as circunstâncias da invasão, bem como eventuais responsabilidades.
Ao finalizar, o parlamentar ressaltou que não pretende se deixar intimidar por ameaças ou pressões e defendeu o diálogo como instrumento para resolver divergências políticas. Segundo ele, é possível rever posições diante de uma discussão séria, mas não aceitará práticas de intimidação.
“Eu trato, eu medio, eu até recuo de opiniões e posições quando é estabelecido um diálogo sério e verdadeiro. Agora, eu não tenho inverso, eu não tolero, eu não faço concessões a esse tipo de intimidação, esse tipo de ameaça, seja de onde vier. Faço aqui e concluo aqui, senhor presidente, esse registro, porque a história irá registrar”, complementou.
No grande expediente, Magalhães voltou a cobrar providências para a situação do transporte escolar fluvial de Tarauacá, que atende estudantes ribeirinhos da rede estadual e envolve aproximadamente 130 barqueiros. Segundo os dados apresentados, o serviço é dividido entre as empresas Suply, responsável por cerca de 75 barqueiros, LOACRE, com 35, e Lopes, com 25. O parlamentar destacou que os atrasos nos pagamentos têm provocado uma situação preocupante para trabalhadores que dependem do serviço para garantir o sustento de suas famílias e, ao mesmo tempo, assegurar que centenas de estudantes tenham acesso às escolas.
De acordo com o levantamento apresentado por ele na tribuna, a situação mais grave envolve a Suply, que acumula 11 meses de aluguel dos barcos em atraso e quatro meses de salários não pagos. Na LOACRE, os aluguéis referentes ao ano passado e a este ano também permanecem pendentes. Já a Lopes, contratada mais recentemente, não registra, até o momento, atrasos informados. Para Edvaldo, os problemas recorrentes no transporte escolar fluvial precisam ser tratados com urgência pelo poder público, uma vez que os atrasos atingem diretamente os barqueiros e podem comprometer a continuidade de um serviço essencial para garantir o direito à educação dos alunos que vivem nas comunidades ribeirinhas de Tarauacá.