Cruzeiro do Sul, Acre, 20 de abril de 2026 09:40

Em Tarauacá, Incra dobra capacidade do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Acaraú e inicia entrega de títulos

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Equipes percorreram o Rio Tarauacá neste sábado (18) para formalizar 82 famílias; medida foi oficializada por portaria publicada na última sexta-feira

Um escritório itinerante montado no interior do Acre marcou o início de uma nova fase da reforma agrária. Neste sábado (18), equipes do Incra atenderam a comunidade ribeirinha do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Acaraú, na zona rural de Tarauacá, onde foram assinados 82 Contratos de Concessão de Uso (CCU).

A mobilização na área é o desdobramento imediato da Portaria nº 1.775, publicada no Diário Oficial da União na última sexta-feira (17). Assinado pelo presidente da autarquia federal, César Aldrighi, o ato corrigiu o potencial de ocupação do assentamento de 49 para 122 famílias, mantendo a área total de 14.121 hectares.

No Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Acaraú, na zona rural de Tarauacá, foram assinados 82 contratos

No Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Acaraú, na zona rural de Tarauacá, foram assinados 82 contratos

“Estamos aqui na varanda, no meio da floresta, trazendo a dignidade da terra para quem realmente precisa. Essa ampliação garante que mais famílias saiam da invisibilidade e passem a ter segurança jurídica”, afirmou o superintendente regional Márcio Alécio.

Decisão técnica e governança regional

A decisão foi fundamentada em pareceres da Superintendência Regional do Acre (SR14/AC) e aprovada pela Diretoria de Obtenção de Terras (DT), em Brasília (DF). O embasamento central veio da Ata do Comitê de Decisão Regional (CDR nº 28038986) e da Nota Técnica nº 1814 (28039076), documentos que validaram a regularidade da alteração no processo administrativo nº 54000.175436/2025-47.

O CDR é a instância máxima de decisão dentro da superintendência regional, o que mostra que a ampliação passou pelo crivo técnico local.

Histórico e registro no Sipra

O novo ato revisa a Portaria nº 1.604, de 22 de janeiro de 2026, que havia criado o PDS Acaraú com previsão inicial de 49 unidades familiares. Relembre os marcos do projeto:

1. Arrecadação: ocorreu em 2024, por meio da Portaria nº 810.
2. Imóvel: Gleba Pública Seringal Acaraú, matriculada sob nº 3078 no Cartório de Tarauacá.
3. Sistema de Informações de Projetos de Reforma Agrária (Sipra): o projeto está registrado sob o código AC0180000, garantindo a inclusão do assentamento no orçamento da União.

O território continua distribuído entre Tarauacá, que faz divisa com o Amazonas, e Feijó, que confronta diretamente a fronteira internacional com o Peru.

Lotes e sustentabilidade ambiental

O impacto pode ser medido na ponta do lápis. No cenário antigo, cada família teria direito a 288 hectares, mas, com a mudança, a proporção caiu para 115 hectares, o que equivale a 115 campos de futebol.

Essa metragem total assegura que a divisão permaneça acima do módulo fiscal da região, que gira entre 70 e 80 hectares em Tarauacá e Feijó. Como esse índice funciona como um “salário mínimo da terra”, o tamanho dos lotes garante, com folga, a viabilidade jurídica e o sustento dos novos moradores.

Pela regra do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012), 80% do PDS Acaraú deve ser mantido como reserva legal. Ou seja, a liberdade para construção de moradia e cultivo de roçados cai para 23 hectares. A área, porém, ainda é maior do que todo o Horto Florestal de Rio Branco (17 hectares).

Entre os beneficiários, o sentimento é de alívio por ver a terra finalmente ocupada. “Muita gente tem lutado por isso, e agora a gente conseguiu”, celebrou Maria Dionízia, uma das primeiras a assinar o contrato na varanda de madeira neste sábado.