Especialistas ensinam como organizar as horas de prova, quanto tempo reservar para a redação e evitar erros que podem comprometer a nota
Diante da longa maratona do Enem, dominar a gestão do tempo é fundamental. Sob o rigor da Teoria de Resposta ao Item (TRI), que valoriza a coerência dos acertos em relação ao “chute”, o candidato precisa definir quanto tempo dedicar a cada questão, quando abandoná-la temporariamente e o momento ideal de retomar a resolução.
Enem: aula preparatória no Colégio Elite — Foto: Gabriel de PaivaDiretor da Amplia Plataforma de Ensino, Raphael Mantovano lembra que, de pronto, o aluno deve fazer uma leitura geral e ágil da prova, para já identificar que caminho tomar. Ele ressalta o cuidado devido com o cartão de resposta também:
— Não dá para começar a navegar antes de conhecer a sua rota, então no início é preciso passar o olho nas questões, entendendo quais são as mais familiares, que podem ter respostas mais imediatas, e aquelas que demandam mais tempo. A dica é começar pelas questões em que você se sente mais confortável e as que são mais rápidas.
Isso funciona psicologicamente, ele explica. O candidato se sente mais confiante de que acertou questões sucessivamente. E não pode esquecer do cartão de resposta. É necessário reservar 15 ou 20 minutos, pelo menos, para preencher tudo com calma, para evitar qualquer troca de letra ou até rasura no cartão.
Com a experiência não só como professor e coordenador, mas também como alguém que já prestou o Enem várias vezes, Mantovano aponta a necessidade de se saber ainda redefinir a rota, mesmo quando a questão é aparentemente mais fácil.
3 minutos por questão
Seguir o que foi executado nos simulados ao longo do ano na escola ajuda muito na hora h, sublinha Carlos Eduardo Felicio, especialista em Enem e diretor pedagógico do Colégio Qi.
— O aluno deve chegar sabendo quanto tempo dedicará a cada bloco. Em média, são cerca de três minutos por questão. Segundo ponto a destacar: faça duas passagens pela prova, reconhecendo as questões que deve pular. Numa, resolve o que domina e marca o que deixará para depois. Depois, retorna às questões pendentes. Terceiro ponto: reserve tempo para a redação e o cartão de resposta. O tempo dedicado à redação depende do ritmo de cada aluno, identificado nos treinamentos. Quanto ao gabarito, preenchê-lo com pressa nos últimos minutos é um erro comum.
O controle emocional ao longo de todo o tempo de prova, tanto quanto o olho atento no relógio, é crucial para seguir no planejamento estratégico, afirmam os especialistas. O candidato não deve esquecer que a nota final não é um número absoluto pela quantidade de acertos, e que candidatos com o mesmo volume de respostas certas podem apresentar pontuações muito distintas.
— Acertar questões difíceis e errar as fáceis irá comprometer a pontuação, pois representa um padrão de respostas menos esperado pela TRI. Uma boa regra prática: se, após três ou quatro minutos, o aluno ainda não identificou um caminho de resolução, é hora de seguir. Reler o enunciado repetidamente sem avançar também é um sinal. Pular não é desistir, é uma decisão estratégica. O tempo gasto em uma questão difícil pode comprometer a resolução de outras mais acessíveis —explica Felício.
Sinalizar as questões que pulou
Deve-se voltar após concluir a primeira passagem completa pela área ou pelo caderno, complementa o diretor. Assim, o aluno garante os acertos nas questões que domina e retorna às pendentes com o tempo restante. Ele recomenda sinalizar essas questões no caderno com um símbolo simples, facilitando sua identificação.
Para Augusto Braul Junior, professor e diretor do Unificado, de Porto Alegre, o candidato deve ter a capacidade de, rapidamente, ao olhar a prova, identificar que conteúdos domina, tendo em mente que não precisa seguir a ordem das questões.
Outra dica é deixar as mais demoradas para depois mesmo quando se vê capaz de resolvê-la. Ele lembra ainda que vale iniciar a leitura da questão pelo comando do enunciado, para focar no que a questão pede especificamente.
— A prova mexe com o emocional. Leu o enunciado, sabe o conteúdo, mas a questão vai exigir longos cálculos e isso pode comprometer o gerenciamento do tempo? Melhor pular! Sentiu dificuldade de entender o comando da questão e terá que reler várias vezes o texto? Pule! Questões com análises gráficas com muitos dados? Pule também. Lembre-se que pular não significa abandonar a questão, e sim, adiá-la se o tempo te permitir.
E quando voltar às questões deixadas para depois? Só quando tiver resolvido todas as questões identificadas como fáceis e médias, diz Braul.
— Se o candidato gerenciou seu tempo de forma responsável e cuidadosa, sempre sobrará um tempo para o retorno às questões puladas. Defenda-se da tentação de querer provar para si, de que você é capaz de resolver aquela questão difícil. A tendência é isso te prejudicar. No caso da redação, não convém deixá-la para o fim. Fazer sob pressão do tempo pode atrapalhar. Reserve entre 1 hora e 1h30 só para ela, sendo 15 minutos para colocar as ideias e mapear a estratégia a partir do repertório.
10 dicas para administrar bem o tempo no Enem
- Leia a prova inteira, de maneira ágil, e marque as questões que julgar mais fáceis; faça essas primeiro, e deixe as que achar mais complexas para depois
- Em média, cada questão deve consumir três minutos. Está levando muito mais do que isso? Pule.
- Não fique nervoso ao deixar várias questões para depois; lembre-se que pular não é desistir, é só a administração do tempo
- Volte às questões mais complicadas já fortalecido psicologicamente, com as mais simples resolvidas
- Reserve cerca de 20 minutos para preencher o cartão de resposta; atenção total ao fazer as marcações.
- Sempre leia atentamente os enunciados: muitas questões trazem informações fundamentais para a resolução
- Não deixe a redação para o fim, e reserve cerca de 15 minutos para “esqueletar” o texto
- Jamais deixe uma questão em branco; quando não souber a resposta, elimine as alternativas improváveis e escolha a mais adequada
- Nos últimos dias antes da prova, faça um mapeamento dos conteúdos com maior nível de dificuldade, para identificá-los rapidamente na hora H
- Não brigue com a prova; evite gastar energia excessiva nas questões mais complexas no começo, mesmo que seja um conteúdo familiar.
Canal e gabarito extraoficial do GLOBO
Na reta final para o Enem 2026, o GLOBO reúne reportagens especiais com dicas de estudos, rotina e estratégias para as provas em oglobo.com.br/enem. O canal é uma parceria com o Elite Rede de Ensino e a Amplia Plataforma de Ensino e terá novos conteúdos até os dias do exame.
Os conteúdos não terminam quando os estudantes concluem a prova. Nos dois dias de exame, professores do Elite e da Amplia vão elaborar um gabarito extraoficial, que estará disponível para leitores e assinantes no site do GLOBO.