Cruzeiro do Sul, Acre, 12 de março de 2026 23:48

EUA não conseguiu repetir “modelo Caracas” no Irã, avaliam analistas

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Morte de Ali Khamenei não instigou mudança de regime no Irã e tampouco fez país recuar em suas ambições nucleares

Após mais de dez dias de confrontos no Oriente Médio, os Estados Unidos ainda parecem distantes daquilo que o país elencou como objetivos aos ataques que realizou contra o Irã. Para analistas consultados pelo MetrópolesDonald Trump errou o cálculo ao tentar repetir o sucesso na Venezuela em Teerã.

Há pouco mais de três meses, forças militares americanas realizaram uma incursão na Venezuela que culminou na captura e prisão de Nicolás Maduro. A estratégia americana foi considerada um sucesso: em poucas horas e sem confronto, o ditador venezuelano foi destituído do cargo.

O sucesso da operação foi chancelado depois que a vice-presidente, Delcy Rodríguez, assumiu o poder. A nova líder, diferentemente de Maduro, estabeleceu uma linha direta com Washington e se posicionou como aliada de Trump em Caracas.

“O erro de cálculo foi achar que, por serem dois governos autoritários e autocráticos, o efeito seria o mesmo, não levando em consideração toda a ideologia do regime iraniano, principalmente da Guarda Revolucionária”, pontua Gunther Rudtiz, professor de Relações Internacionais da ESPM

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“Erro de cálculo”

Pouco menos de três meses depois da ação em solo venezuelano, Israel e Estados Unidos realizaram uma ação coordenada contra o Irã no dia 28 de fevereiro que culminou na morte do então líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

O ataque, contudo, ficou aquém daquele realizado na Venezuela, e não instigou a mudança de regime islâmico no Irã e tampouco fez o país recuar em suas ambições nucleares — justificativas usadas pelos EUA pelo ataque.

“Trump achava que [a ação no Irã] seria uma nova Venezuela, que bastaria substituir o líder supremo e que logo apareceria alguém moderado ou submisso aos interesses norte-americanos para assumir, mas aconteceu o contrário”, pontua Andrew Traumann, professor de história das relações internacionais no Unicuritiba.

Mas não foi isso que aconteceu. O Irã não abriu mão de suas ambições nucleares, realizou ataques a instalações militares americanas no Oriente Médio e demonstrou resistência ao manter a continuidade do regime autocrático — o qual Trump não conseguiu influenciar nem mesmo na escolha do novo líder supremo.

Na avaliação de Traumann, a decisão de eleger Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamei, como novo líder supremo, reforça o erro de cálculo cometido pelos EUA.


O que está acontecendo?

  • Israel e Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã no dia 28 de fevereiro de 2026.
  • Assim como na guerra de 12 dias em 2025, o programa nuclear iraniano foi usado como justificativa para os bombardeios.
  • Eles aconteceram dias após EUA e Irã realizarem negociações sobre um possível acordo nuclear entre os dois países.
  • A operação militar resultou na morte do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, e de outras lideranças iranianas.

Sem saída para negociação

Enquanto as hostilidades se arrastam no Oriente Médio, os reflexos do conflito atingem todos os países do mundo e atrai consequências para os Estados Unidos. Entre elas, a responsabilidade pelo aumento do preço do petróleo.

Para os analistas consultados pelo Metrópoles, o atual contexto pode influenciar em uma recalculada de rota pelo governo norte-americano.

Neste sentido, Trump pode se sentir pressionado pela ausência de resultados — e pelo impacto na economia mundial com o aumento do petróleo — e anunciar a retirada de suas forças do Oriente Médio ainda nos próximos dias.

“Trump está percebendo que está numa situação em que não há muito espaço de negociação e por isso que eu vejo ele prometendo que a guerra vai acabar nos próximos dias, provavelmente ele vai alegar que não há mais alvos no Irã, que os EUA já cumpriram o que queriam e que destruíram o programa nuclear iraniano, o que é mentira e ele já mentiu isso ano passado”, avalia o professor Andrew Traumann.

Desde o início das hostilidades, o Irã fechou o Estreito de Ormuz com a intenção de pressionar pelo fim das ofensivas contra Teerã, medida que impactou diretamente o mercado global de petróleo. A passagem marítima é controlada pela Guarda Revolucionária Iraniana e cerca de 20% do petróleo mundial trafega pelo local.

A saída americana da região pode evitar um maior desgaste para o republicano, que já tem sido questionado pela ação em solo iraniano. A retirada da atuação americana, no entanto, não representa o fim do conflito. Para os analistas, as hostilidades devem ser mantidas entre Israel e Irã, ainda que em menor intensidade.