Cruzeiro do Sul, Acre, 12 de junho de 2026 21:36

Exportação para Rio Branco, Porto Velho e Manaus pela BR-364 dificulta compra de banana para venda em Cruzeiro do Sul

Alagação deixa vendedores de banana preocupados com ainda mais escassez do produto

Uma grande produção de banana desembarca todos os dias no porto de Cruzeiro do Sul vindo dos municípios do Alto Juruá, Porto Walter/Marechal Thaumaturgo e também de Rodrigues Alves. Os produtores aproveitam os barcos para garantir o transporte da banana que apesar de uma produção considerável precisa ainda aumentar para garantir o consumo.

A exportação para Rio Branco, Porto Velho e Manaus tem preocupado os vendedores de banana de Cruzeiro do Sul que já não tem tanta facilidade para a aquisição da produção, devido que uma grande quantidade da produção estar sendo levado para a capital e outros estados em carretas pela BR-364. A alagação preocupa também os vendedores pelo risco de perca dos bananais.   

De Porto Walter o produtor rural Maciel tem como principal atividade a plantação de banana numa colônia de sua propriedade localizada um pouco acima da sede do município. Ele fez a escolha de plantar banana e toda semana traz uma média de 100 cachos num barco. Toda a produção é encomendada e logo que chega faz a entrega para os vendedores que já são parceiros.

Maciel tem uma plantação de cerca de 1.500 pés de banana. “Minha principal atividade é plantar banana prata porque produz mais. Nossa produção vem toda vendida e quando chego na cidade é só para entregar para os vendedores”, diz ele que afirma que algumas vezes, nas épocas de alagação maior, já perdeu sua plantação. 

Morando na Agrovila do Moju, acima do 13 de Maio, o casal de produtores Amarísio, conhecido por Veio e a esposa Cleonice vem para Cruzeiro do Sul trazendo sua produção num barco e precisam vender a banana para o marreteiro que só paga um valor muito pequeno no cacho de banana. “Eles pagam muito pouco e ganham muito com nossa produção”, diz Veio.

A plantação de banana do casal ocupa uma área de cerca de quatro hectares, mas Amarísio não sabe dizer quantos pés de banana tem plantados. “É muito pé de banana, é da beira do rio até o lago. Antes cavava o buraco e colocava o pé, depois apareceu um técnico lá que orientações boas e conseguimos ampliar a plantação”, afirma.

Amarísio diz que plantar banana é melhor que plantar mandioca porque a roça é mais complicada para produção. Com pouco mais de seis meses, numa terra boa, a plantação de banana já começa a produzir. “Em cada viagem que fazemos, uma vez por semana, trazemos mais de 100 cachos de banana. Trabalhamos juntos pra sustentar a família”, diz Cleonice.     

Devanir trabalha como freteiro na beira do Rio Juruá há cerca de cinco anos onde garante seu faturamento com o transporte de produtos agrícolas como milho, arroz, farinha, feijão e banana. “Todo dia chega uma grande produção das áreas ribeirinhas e de outros municípios do Alto Juruá e estamos aqui para fazer o transporte”, disse.  

Outro vendedor de banana, que tem seu comércio no bairro João Alves, na Rua do Muru, o senhor Raimundo Faustino da Costa, 83 anos, compra o produto na BR-364, já de encomenda. A banana vem no ônibus. “Estamos com dificuldade para comprar banana porque os caminhões passam na BR-364 e levam para Rio Branco e até para Manaus”, disse.

Com 83 anos ele compra os cachos de banana na BR-364, paga R$ 20,00 de frete do ônibus em 11 cachos e mais R$ 40,00 aos freteiros para levar para seu comércio. Depois ele tira as palmas dos cachos e quando amadurece coloca no seu carro de mão e sai vendendo de porta em porta. Ele agradece à Deus pela vitalidade para trabalhar.

Aposentado Raimundo Faustino vende banana para melhorar a renda, pois sua aposentadoria de um salário-mínimo não garante o pagamento de todas as despesas. “O pacote de seis bananas é R$ 6,00 e consigo tirar uma renda, as coisas estão difíceis, mas com trabalho vamos levando. Aproveito minhas andanças com meu carro de mão para me exercitar”, disse.