Morte de Marcos Raymundo, antes considerada natural, é investigada como homicídio. Advogado afirma que a família está devastada. Três técnicos de enfermagem estão presos.
O advogado da família do carteiro Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, morto após receber doses de medicamentos não-prescritos em um hispital no Distrito Federal, afirmou à CBN que os parentes estão devastados com a descoberta de que a morte, antes considerada natural, foi causada por uma ação criminosa.
Segundo ele, a família já tentava superar o luto quando foi informada pela polícia de que o paciente havia sido assassinado, o que provocou revolta e agravou o sofrimento, especialmente da filha de cinco anos, que continua perguntando pelo pai. Agora, o advogado Vagner de Paula busca na Justiça a reparação por danos morais e uma pensão para a filha de Marcos.
“A família está devastada, porque já tinha passado aquele período do luto, estavam se conformando – ‘ah, ele faleceu porque teve uma doença, faleceu por causas naturais’. E aí, de repente descobre, por meio da polícia, que ele foi assassinado. Gera uma revolta grande demais. ‘Era pro meu filho estar vivo’. Dormem a base de remédios. A filhinha de cinco anos dele pergunta pelo pai, se ele não vai voltar”, relata.
O carteiro foi uma das três vítimas da suposta atuação coordenada de três técnicos de enfermagem presos no Distrito Federal. Ele deu entrada no Hospital Anchieta, em Taguatinga, com suspeita de pancreatite, caminhando, conversando e sem histórico de doenças graves.
Após piora repentina no quadro, foi levado para a UTI, sofreu duas paradas cardíacas e morreu no dia 1º de dezembro, depois de 14 dias internado. As investigações apontam que a segunda parada cardíaca ocorreu após a aplicação irregular de um medicamento diretamente na veia.
Polícia tenta esclarecer motivação dos crimes
A Polícia Civil agora apura a atuação do técnico de enfermagem, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, com apoio de duas colegas, suspeitos de provocar também a morte de outros dois pacientes: um servidor público de 63 anos e uma professora aposentada de 75 – que, além de medicação sem prescrição, receberam também doses de desinfetante na veia. Os três estão presos, e a polícia ainda tenta esclarecer a motivação dos crimes.

João Clemente Pereira, Marcos Raymundo Fernandes Moreira e Miranilde Pereira da Silva morreram após receberem medicações irregulares em hospital no DF — Foto: Arquivo pessoal/Reprodução
Conselho avalia cassação de registros profissionais
O presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal, Elissandro Noronha, disse que vai abrir processo no conselho de ética para avaliar a cassação do registro profissional dos técnicos envolvidos. O Coren disse que não havia denúncias anteriores contra os suspeitos, que iniciou investigação própria e solicitou acesso ao inquérito e a imagens do hospital.
“O nosso código de ética prevê que, acontecendo algo dentro da unidade de saúde, o supervisor ou gerente da unidade que cuida da enfermagem tem que comunicar imediatamente o Conselho para que iniciem os processos de investigação. Nós entramos em contato com o hospital pedindo acesso aos prontuários ou as investigações internas. O hospital não enviou os nomes com as características para iniciarmos o processo ético, porque o processo corre em segredo de Justiça. Temos reunião com a Polícia Civil para ver se a gente tem acesso a outros elementos que provem ou que dê mais obsessão a essa denúncia”, explicou.
O Conselho confirmou ainda que o técnico Marcos Vinícius atuava em outra unidade de saúde no DF, mas foi desligado, e que não há suspeita de casos semelhantes na instituição. A Polícia Civil segue apurando se há outras vítimas e também qual a motivação para os crimes – o que ainda não está claro.