Cruzeiro do Sul, Acre, 17 de março de 2026 15:06

Família recusa vender sítio após possível petróleo ser achado em poço no CE

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Propriedade rural onde substância escura foi encontrada recebeu propostas, mas donos dizem não ter interesse em negociar; caso segue sob análise da ANP

O agricultor Sidrônio Moreira, que encontrou um líquido com características semelhantes às do petróleo ao perfurar dois poços na zona rural de Tabuleiro do Norte, no Sertão do Ceará, passou a receber propostas para vender a propriedade onde o material foi identificado.

família, no entanto, afirma que não pretende negociar a terra.

“Não temos interesse em vender. Apareceram algumas propostas, mas nada oficial”, disse Saullo Santiago, filho do agricultor, à CNN nesta segunda-feira (16).

A propriedade, herdada por Sidrônio do pai, fica no Sítio Baixa do Juazeiro, uma área rural de cerca de 49 hectares onde ele vive com a esposa e dois filhos. Pelo acesso mais curto, segundo Saullo, o local está a cerca de 22 quilômetros do centro de Tabuleiro do Norte.

A descoberta ocorreu em novembro de 2024, quando o agricultor decidiu perfurar o solo em busca de água para a propriedade. Durante a escavação, no entanto, surgiu um material escuro, viscoso e com odor característico, o que levou à interrupção dos trabalhos.

Foram abertos dois poços no terreno. Em ambos, o líquido apareceu antes que o lençol freático fosse atingido.

O caso é acompanhado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que, na última quinta-feira (12), recolheu amostras do material encontrado nos dois poços perfurados na propriedade. O conteúdo será analisado em laboratório e fará parte do processo aberto para identificar a natureza da substância.

A suspeita foi comunicada pela família à ANP em julho de 2025. O órgão respondeu em fevereiro de 2026 e enviou uma equipe técnica ao local, acompanhada por representantes da Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará).

Durante a visita, técnicos ouviram a família, levantaram informações sobre as perfurações e orientaram que os poços permanecessem isolados enquanto a investigação segue em andamento.

Nos últimos dias, as chuvas na região aliviaram temporariamente a situação do abastecimento de água na propriedade.

Enquanto aguarda o resultado das análises, a família afirma que não pretende perfurar novos poços. “Além do medo de furar e sair o mesmo líquido, estamos esperando o desenrolar dessa história”, explicou Saullo.