Propriedade rural onde substância escura foi encontrada recebeu propostas, mas donos dizem não ter interesse em negociar; caso segue sob análise da ANP
O agricultor Sidrônio Moreira, que encontrou um líquido com características semelhantes às do petróleo ao perfurar dois poços na zona rural de Tabuleiro do Norte, no Sertão do Ceará, passou a receber propostas para vender a propriedade onde o material foi identificado.
A família, no entanto, afirma que não pretende negociar a terra.
“Não temos interesse em vender. Apareceram algumas propostas, mas nada oficial”, disse Saullo Santiago, filho do agricultor, à CNN nesta segunda-feira (16).
A propriedade, herdada por Sidrônio do pai, fica no Sítio Baixa do Juazeiro, uma área rural de cerca de 49 hectares onde ele vive com a esposa e dois filhos. Pelo acesso mais curto, segundo Saullo, o local está a cerca de 22 quilômetros do centro de Tabuleiro do Norte.
A descoberta ocorreu em novembro de 2024, quando o agricultor decidiu perfurar o solo em busca de água para a propriedade. Durante a escavação, no entanto, surgiu um material escuro, viscoso e com odor característico, o que levou à interrupção dos trabalhos.
Foram abertos dois poços no terreno. Em ambos, o líquido apareceu antes que o lençol freático fosse atingido.
O caso é acompanhado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que, na última quinta-feira (12), recolheu amostras do material encontrado nos dois poços perfurados na propriedade. O conteúdo será analisado em laboratório e fará parte do processo aberto para identificar a natureza da substância.
A suspeita foi comunicada pela família à ANP em julho de 2025. O órgão respondeu em fevereiro de 2026 e enviou uma equipe técnica ao local, acompanhada por representantes da Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará).
Durante a visita, técnicos ouviram a família, levantaram informações sobre as perfurações e orientaram que os poços permanecessem isolados enquanto a investigação segue em andamento.
Nos últimos dias, as chuvas na região aliviaram temporariamente a situação do abastecimento de água na propriedade.
Enquanto aguarda o resultado das análises, a família afirma que não pretende perfurar novos poços. “Além do medo de furar e sair o mesmo líquido, estamos esperando o desenrolar dessa história”, explicou Saullo.