Cruzeiro do Sul, Acre, 6 de fevereiro de 2026 20:50

Fim de tratado nuclear entre EUA e Rússia gera riscos e abre oportunidades, avalia pesquisador

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Estados Unidos e Rússia avaliam negociar uma forma de manter os termos do tratado de controle de armas nucleares que expirou nesta semana. O acordo estabelecia limites e mecanismos de verificação sobre vetores e ogivas estratégicas das duas maiores potências nucleares do mundo. Sem a renovação, deixam de existir restrições legais e inspeções formais.

Em entrevista ao Jornal da CBN, Leonardo Bandarra, cientista político e especialista em Não-Proliferação de Armas de Destruição em Massa, afirmou que o momento combina risco e oportunidade. Segundo ele, a ausência de mecanismos de verificação reduz a previsibilidade entre os países, mas pode estimular tratados mais amplos no futuro.

“Estamos entrando em um mundo onde não tem nenhum mecanismo formal de verificação para a redução de armas, ou melhor dizendo, redução de vetores para a entrega de armas entre os Estados Unidos e a Rússia, que são os dois maiores arsenais que temos hoje em dia. Mas, também tem oportunidade de novas negociações e de novos tratados que no futuro podem cobrir outras áreas além dos números que teremos agora.”

O presidente Donald Trump classificou o acordo como ultrapassado por não incluir a China. De acordo com estimativas do Pentágono, Pequim pode alcançar paridade nuclear com Washington e Moscou até 2035. Porém, o pesquisador ressaltou que não há verificação internacional formal dos arsenais.

Pelas estimativas atuais, existem cerca de 12,5 mil ogivas no mundo, sendo aproximadamente 90% concentradas em Estados Unidos e Rússia.

“Para efeito de comparação, o que a gente chama de inverno nuclear, que seria suficiente, em um uso de guerra, para criar uma camada de fuligem que, segundo as nossas simulações, cobriria boa parte do mundo seriam 250.”

Bandarra explicou que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem papel importante na fiscalização do uso pacífico de material nuclear, mas não atua diretamente no controle ou na redução de arsenais.

“A Agência Internacional de Energia Atômica verifica principalmente o que a gente chama de ‘salvaguardas’, que são inspeções em países que não possuem armas atômicas ou em países que possuem armas atômicas por meio de acordos voluntários. Nos países que não possuem armas atômicas, a Agência garante que o material não está sendo disperso, ou seja, que não está sendo enviado de forma clandestina para programas.”

Fim de tratado nuclear entre EUA e Rússia pode influenciar negociações com o Irã

Para o especialista, o fim do tratado nuclear entre Estados Unidos e Rússia pode prejudicar as negociações sobre o programa iraniano, ao enfraquecer a percepção de compromisso das potências com o desarmamento e reduzir a credibilidade americana nas tratativas com Teerã.

“Reduz a confiança dos iranianos nos Estados Unidos no cometimento que eles têm com um mundo sem armas nucleares.”