É muito bom lembrar de pessoas cujas vidas foram cheias de sentido, de serviço, de mensagens positivas e de fé, muita fé. Fazer memória desses seres de luz não toca apenas o aspecto objetivo da pessoa em si mesma, mas é fato profundamente interativo, pois a visão que temos dela manifesta a significação e a apreensão que ela teve na minha, em nossa vida. Somos seres sociáveis, comunitários, familiares.
E quão lindo é falar da pessoa e da família da querida Maria Eliza Lima Vieira (07/10/1925 – 14/02/2022)! Família encarnada nos 10 filhos que gerou e bem educou junto com seu amado e dedicado esposo José Vieira do Vale – Didi Vieira (07/10/1915 – 26/06/1985). Uma linda e longa história de amor!
As origens do real romance estão na querida Cruzeiro do Sul, no Acre, esse solo sagrado repleto de belezas naturais e de muita gente boa. Mas, para dar uma melhor formação e profissão à sua prole, José e Maria migraram com a criançada para Brasília, no alvorecer dos anos 1970 onde já se encontravam alguns de seus filhos. A lida não foi vã, mas bem-sucedida e abençoada, pois todos se formaram e se posicionaram muito bem naquele novo contexto social da capital federal.
Me lembro muito bem de meus queridos padrinhos em Cruzeiro do Sul quando eu era criança. Depois veio o lapso da separação geográfica e dos poucos meios de comunicação. Mas as lembranças e a sintonia sempre foram latentes entre nossas vidas bem interligadas pelo precioso dom humano e sacramental. Oxalá muito mais pessoas tivessem a sorte de ter padrinhos tão amáveis e corresponsáveis em sua caminhada existencial e no aprofundamento da espiritualidade!
Nas últimas duas décadas tivemos o dom, o privilégio do reencontro e dos muitos convívios favorecidos por seus filhos e filhas nas muitas viagens que pude fazer a Brasília ou quando eles vinham a Cruzeiro do Sul. Foi o redescobrir amoroso de uma madrinha-mãe profundamente amadurecida pelos percalços e, sobretudo, pelos muitos êxitos logrados em sua linda e rica existência.
Quando enviuvou em 1985, quis se manter no apartamento da Zona Sul de Brasília, onde os filhos e filhas cresceram e se formaram. Ele se tornou o lugar de referência para as muitas visitas e convívios da família, já alargada pelos genros, noras, os 25 netos, e os 16 bisnetos.
Na entrada do apê, bem me recordo, estava o recipiente de água benta com a qual ela abençoava cada pessoa que vinha ao seu encontro.
São tantos lindos momentos vividos juntos! Quanta e quanta história a narrar de si e de todos e todas que a circundavam. Mesmo tendo optado por continuar a viver no apê familiar, o rodízio dos filhos era sistemático, em cada período matinal ou vespertino, com escala minuciosamente planejada, para que ela nunca estivesse sem uma visita-presença. O outro rodízio era o dos finais de semana, quando ia contente e feliz conviver com uma das famílias dos seus herdeiros.
Quando já mais debilitada, a Providência divina e o cuidado da família lhe favoreceram a possibilidade de viver num lar de idosos, cujos cuidados eram totais e o ambiente bonito e saudável, além da simpática socialização. A visita dos filhos e filhas passou então do individual ao coletivo, pois todos na casa ansiavam por esses encontros cotidianos, sobretudo quando vinham os filhos músicos e cantores para a todos alegrar.
Maria Eliza enriqueceu a sociedade cruzeirense e brasiliense com sua presença quase centenária. Entretanto, chegou o merecido dia para o seu reencontro com o querido esposo e toda a sua ancestralidade no abraço amoroso do Deus da vida e de Nossa Senhora do Rosário em cuja festa se celebravam os aniversários tanto de Didi quanto de Maria Eliza. O seu legado transcende o tempo e o espaço. A sua mensagem de vida ecoa e ecoará nas sucessivas gerações, que têm ou terão o privilégio de usufruir dos potentes raios de sua luz a nos indicar os caminhos do bem, da simplicidade, do amor, da educação, da fidelidade, da fé e do sabor da eternidade.
Manaus-AM, 14/02/2022.
Ir. João Gutemberg Mariano Sampaio, FMS

Álbum de família – Recordar é viver!




Festa de 90 anos de Maria Eliza


