Cruzeiro do Sul, Acre, 8 de abril de 2026 15:03

Incra injeta R$ 7,7 milhões no Juruá e Tarauacá-Envira para impulsionar produção familiar

uzlmhyhghkkjtj6iyae1 (1)

Ofensiva do governo federal combina crédito imediato e títulos definitivos para 900 famílias em áreas isoladas do Acre

No interior profundo do Acre, onde o tempo é regido pelo ciclo das águas e o Estado muitas vezes é uma sombra intermitente, uma engrenagem começou a girar. Entre o final de março e o início de abril, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) movimentou um pacote de R$ 7,7 milhões em Crédito Instalação, alcançando mais de 900 famílias. A ofensiva percorreu Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Mâncio Lima e Jordão, unindo o dinheiro que planta à segurança jurídica do papel que titula a terra.

Retomada da reforma agrária no Vale do Juruá

No palco do Teatro dos Náuas, em Cruzeiro do Sul, servidores do Incra alinham-se diante de centenas de famílias assentadas do Vale do Juruá. O mutirão marca a retomada histórica da reforma agrária na região, com o anúncio de R$ 7,7 milhões em créditos e a entrega de títulos definitivos para mais de 900 famílias | Foto: Incra/ACNo palco do Teatro dos Náuas, em Cruzeiro do Sul, servidores do Incra alinham-se diante de centenas de famílias assentadas do Vale do Juruá. O mutirão marca a retomada histórica da reforma agrária na região, com o anúncio de R$ 7,7 milhões em créditos e a entrega de títulos definitivos para mais de 900 famílias | Foto: Incra/AC

A estratégia marca o que o superintendente do órgão no estado, Márcio Alércio, define como a retomada de um motor parado. No Teatro dos Náuas, em Cruzeiro do Sul, o pacto se materializou em R$ 3,48 milhões destinados a 408 famílias. Enquanto o assentamento Jamil Jereissati concentrou o maior volume em novos contratos, outras seis áreas de reforma agrária viram recursos chegarem às mãos de quem produz. “É uma bênção, porque eu esperei por muitos anos”, celebrou a agricultora Albeneide de Nascimento ao ver o chão sob seus pés ganhar valor de vida e de troca.

Para o Incra/AC, o momento é histórico por fechar o círculo da política pública: “É a reforma agrária acontecendo na prática, do começo, meio e fim”. Dessa forma, o crédito injeta capital imediato na base, os 134 Contratos de Concessão de Uso (CCU) emitidos organizam a posse e os 28 títulos definitivos entregues garantem que o agricultor deixe de ser invisível para os bancos e para o Direito.

Investimento em áreas isoladas e Reservas Extrativistas

Em Rodrigues Alves, o mutirão no Parque das Cidades destinou R$ 1,64 milhão para 297 famílias, com foco nos assentamentos Agro Juruá e Havaí. Já em Mâncio Lima, o pulso da produção bate às margens do Rio Moa. No Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) São Salvador, 131 contratos garantem que o roçado não pare.

Famílias assentadas no Acre celebram com braços levantados a conquista de Contratos de Concessão de Uso (CCU) e títulos definitivos de propriedade. A ação do Incra garante a segurança jurídica necessária para que os agricultores familiares acessem novos financiamentos e desenvolvam sua produção | Foto: Incra/ACFamílias assentadas no Acre celebram com braços levantados a conquista de Contratos de Concessão de Uso (CCU) e títulos definitivos de propriedade. A ação do Incra garante a segurança jurídica necessária para que os agricultores familiares acessem novos financiamentos e desenvolvam sua produção | Foto: Incra/AC

A presença estatal desafiou a geografia ao chegar ao Jordão, um dos municípios mais isolados do país. Lá, R$ 1,58 milhão alcançaram o Projeto de Assentamento Casulo (PCA) São João e a Reserva Extrativista (Resex) Alto Tarauacá. Nesses territórios, onde o acesso é quase exclusivamente por via aérea ou fluvial, o investimento reforça a permanência das comunidades tradicionais na floresta, transformando a política agrária em um instrumento de soberania e inclusão.

Impacto da ação em números regionais

– Cruzeiro do Sul: R$ 3,48 milhões injetados para 408 famílias;
 Rodrigues Alves: R$ 1,64 milhão destinados a 297 produtores;
 Jordão: R$ 1,58 milhão aplicados em áreas de difícil acesso;
 Mâncio Lima: R$ 1 milhão para estruturação do PDS São Salvador.

Além dos valores financeiros, o mutirão contabilizou:

1. Emissão de 134 Contratos de Concessão de Uso (CCU);
2. Entrega de 28 títulos definitivos de propriedade;
3. Mobilização técnica de mais de 300 agricultores.

Segurança jurídica e autonomia econômica no campo

No interior acreano, marcado pela baixa densidade de serviços públicos, a iniciativa sinaliza que o crédito produtivo e a regularização fundiária deixaram de atuar de forma isolada. Ao articular esses eixos, o governo federal tenta estruturar mercados locais e fortalecer cadeias da agricultura familiar.

Mais do que um repasse financeiro, a medida busca criar condições concretas para que as famílias avancem em direção à autonomia econômica, garantindo que a terra seja, finalmente, um lugar de chegada e de sustento, e não apenas de passagem ou de espera.