Irã afirma que não cederá à pressão durante negociações nucleares
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste sábado (21/2) que o país não vai “curvar a cabeça” diante da pressão das potências mundiais nas negociações sobre seu programa nuclear. A declaração foi feita durante discurso transmitido ao vivo pela TV estatal iraniana.
“As potências mundiais estão se alinhando para nos forçar a curvar a cabeça… mas nós não vamos, apesar de todos os problemas que estão criando para nós”, disse Pezeshkian, sem detalhar o estágio atual das negociações ou possíveis concessões do Irã.
A fala ocorre em meio à retomada das conversas nucleares entre Estados Unidos e Irã, iniciadas em abril do ano passado e interrompidas após a guerra de 12 dias entre Irã e Israel.
A última rodada de discussões ocorreu na terça-feira (17/2), em Genebra, na Suíça, sem avanços decisivos.

Negociações nucleares
O impasse gira principalmente em torno do enriquecimento de urânio. O Irã defende que a produção é um direito legítimo, desde que seja voltada para fins civis. Já os EUA afirmam que o estoque de urânio enriquecido sugere intenção de desenvolvimento de armas atômicas — proibidas por decreto religioso emitido pelo aiatolá Ali Khamenei no início dos anos 2000.
No contexto das negociações, a tensão entre os dois países aumentou nesta semana.
Em carta enviada ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o Irã alertou que bases e instalações dos EUA no Oriente Médio seriam alvos legítimos caso o país seja atacado, reforçando o direito de autodefesa previsto na Carta da ONU.
Horas antes, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Irã poderia ser alvo de ação militar em 10 dias caso não aceitasse um acordo com Washington. As declarações de ambos os lados elevam o risco de escalada na região, que já abriga uma significativa presença militar dos EUA.
Apesar das ameaças mútuas, o Irã tenta manter aberta a via diplomática, enquanto Washington pressiona para limitar a capacidade nuclear iraniana.
Até o momento, não há previsão de nova rodada de conversas, e o impasse segue alimentando incertezas sobre segurança e estabilidade no Oriente Médio.
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