Ministro das Relações Exteriores foi categórico, no entanto, ao dizer que para as negociações avançarem é preciso que ‘nossos direitos legais sejam protegidos’.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira (30) em Ancara, na Turquia, que o país está pronto para realizar negociações com os Estados Unidos. Segundo ele, apesar disso, os Estados Unidos ‘nunca expressaram boas intenções’.
Araghchi foi categórico, no entanto, ao dizer que para as negociações avançarem é preciso que ‘nossos direitos legais sejam protegidos’. Segundo ele, não devem incluir as capacidades de defesa iranianas
‘Estamos prontos para nos sentarmos à mesa de negociações; nunca buscamos armas nucleares. As negociações devem ser justas. A República Islâmica do Irã está pronta para participar dessas negociações, desde que sejam justas’, comentou em uma coletiva de imprensa.
Nesta sexta-feira (30), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, desembarcou em Istambul para conversas onde a Turquia ofereceria ajuda para mediar as tensões com os Estados Unidos.
Recentemente, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, propôs uma videoconferência entre Donald Trump e seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian.
Não há informações oficialmente do que se tratará a visita, porém fontes americanas destacam que o Irã busca na Turquia uma aliada para evitar o possível ataque americano.
Nessa quinta-feira (29), em uma reunião de gabinete, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que seu departamento seria capaz de cumprir quaisquer instruções militares dadas por Trump.
‘Eles [o Irã] têm todas as opções para chegar a um acordo. Eles não deveriam buscar capacidades nucleares. E nós estaremos preparados para cumprir o que quer que este presidente espere’.
Em discurso na noite de quinta-feira, Trump adotou um tom mais conciliador, dizendo que planejava conversar com o Irã. Ele comentou que há navios ‘muito grandes e poderosos navegando para o Irã’ e que seria ‘ótimo’ não precisar usar.
NYT: Trump recebe mais opções militares para ataque ao Irã

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — Foto: AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu mais opções militares e um briefing da situação de ataque ao Irã. As informações são de uma reportagem do jornal New York Times.
As opções mais difíceis e arriscadas seria a destruição de parte do programa nuclear iraniano que não foi afetado pelos bombardeios durante o conflito com Israel em 2025. O exército americano, diz a matéria, possui treinamento para missões do tipo.
Além disso, a mudança do regime no país também está como uma das opções na mesa.
O jornal explica ainda que o republicano está usando uma abordagem semelhante à que utilizou com a Venezuela, concentrando tropas perto do país e ameaçando seus líderes com a necessidade de aceitarem suas exigências ou, alternativamente, enfrentarem uma ação militar.
Uma outra reportagem do NYT dessa quinta-feira (29) indicava que Trump tinha feito três exigências para o Irã. Nenhuma delas envolve o fim da repressão às manifestações no país, como o republicano afirmou inicialmente que se tratava sua busca na região. Elas são: a suspensão permanente de todo o enriquecimento de urânio; limites no alcance e no número de mísseis balísticos; e o fim do apoio a milícias aliadas como o Hamas, o Hezbollah e os Houthis.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que o país pode negociar com os Estados Unidos e está pronto. No entanto, ele defendeu que essas conversas precisam ser ‘genuínas’.
Com isso, Ghalibaf defendeu que, mesmo abertas as conversas, acreditava que ‘não era o tipo de conversa’ que Trump quer: ‘ele só quer se impor’.
As afirmações foram feitas em entrevista à CNN americana. Sobre a presença militar americana com porta-aviões e mais na região do Oriente Médio, o presidente foi categórico:
‘Talvez o Sr. Trump possa começar uma guerra, mas ele não tem controle sobre (como ela termina)’.