Cruzeiro do Sul, Acre, 20 de março de 2026 15:08

Jornalista é ameaçado por assessor do prefeito de Envira depois de cobrar atualização do Portal de Transparência

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Promotoria do MPEAM  confirma que procedimento sobre transparência do portal da prefeitura está em andamento

A falta de funcionamento completo do Portal da Transparência da Prefeitura de Envira (AM), que está sempre desatualizado desde o início da gestão, voltou a gerar polêmica nesta semana após o proprietário de um site de notícias do Acre ao fazer comentários críticos sobre a administração municipal. Em tom de crônica, o jornalista questionou a dificuldade de acesso a informações públicas, afirmando que há mais de um ano tenta consultar dados como despesas, folha de pagamento e relatórios administrativos, sem sucesso.

Durante a fala o jornalista cobrou que a gestão do prefeito Ivon Rates apresente as informações de forma clara, lembrando que o Portal da Transparência é uma obrigação legal e deve estar disponível para qualquer cidadão.

Depois de fazer os comentários sobre a administração, o jornalista afirma que recebeu mensagem de um assessor do prefeito, conhecido como “Zogue”, contendo ofensas e uma frase interpretada como ameaça. No áudio, o assessor diz que “não é qualquer malandro que vai entrar no site da prefeitura” e que as críticas poderiam “custar caro”, além de usar palavras ofensivas contra o comunicador. A situação gerou repercussão e levantou questionamentos sobre possível tentativa de intimidação contra o trabalho jornalístico sobre o município.

Ouça o áudio com a ameaça ao jornalista que mostra o despreparo do assessor do prefeito: 

Após a repercussão do caso, o promotor de Justiça Christian Guedes, da Promotoria do  Ministério Público do Estado do Amazonas, confirmou que existe procedimento aberto para acompanhar a situação do Portal da Transparência da Prefeitura de Envira. Segundo ele, o caso está sendo analisado e cobrado internamente, e as manifestações e denúncias feitas pela população ajudam a manter o andamento das apurações, mesmo diante de outras demandas que também estão em andamento no órgão.

O episódio aumentou o clima de tensão política no município, envolvendo críticas à gestão, reação de integrante da prefeitura e a atuação do Ministério Público. Enquanto o jornalista afirma que apenas exerce o direito de informar e fiscalizar o uso do dinheiro público, a confirmação de que há procedimento aberto reforça que a questão da falta de transparência está sob análise oficial. A expectativa agora é que a situação seja esclarecida e que o Portal da Transparência volte a funcionar plenamente, garantindo à população de Envira acesso às informações públicas conforme determina a lei.

O caso da ameaça ao proprietário do site de notícias do município de Envira foi denunciado ao Sindicato dos Jornalistas do Amazonas, devido a gravidade das ofensas e ameaças. A reação do assessor que em determinado trecho diz, “respeita o homi rapaz, tu fica falando que nem puta”, se configura claramente, também, num ato de “misoginia” por carregar um julgamento negativo contra as mulheres.

A palavra “puta é frequentemente usada como insulto, associando mulheres (especialmente as que fogem de certos padrões de comportamento) a algo considerado “inferior” ou “imoral, reforça estereótipos de gênero: sugere que existe uma forma “errada” de uma mulher falar, geralmente ligada a sexualização ou vulgaridade e aponta só para mulheres: não existe um equivalente masculino com o mesmo peso e uso comum, o que revela um viés de gênero”. Mesmo quando usada “sem intenção”, a expressão acaba reproduzindo uma visão que desvaloriza mulheres — especialmente aquelas associadas ao trabalho sexual.