Cruzeiro do Sul, Acre, 20 de setembro de 2026 17:22

Jornalista Mariano Maciel lança livro nas comemorações de Cruzeiro do Sul

O jornalista Mariano Maciel lança no próximo dia 28 de setembro, em Cruzeiro do Sul, o livro que conta sua história de vida. O evento será no Museu José de Alencar às 9 horas da manhã e está inserido na programação de aniversário de 122 anos da cidade. Será um oferecido um café da manhã durante a sessão de autógrafos. O livro biográfico é de autoria do jornalista Pitter Lucena, e lançado pela Editora Social.

 

Jornalista Mariano Maciel com o amigo e autor do livro biográfico

Há biografias que nascem de um currículo. E há biografias que nascem de um chamado — como se a própria vida, cansada de passar em silêncio, batesse à porta do papel e exigisse: “Escreva-me.” A história de Mariano Maciel pertence a essa segunda espécie: não é uma sequência de cargos, mas uma travessia; não é um inventário de datas, mas um mapa de cicatrizes e luzes; não é uma celebração vazia, e sim um testemunho de como um homem pode atravessar décadas sem perder o fio que o liga ao que é essencial: a palavra.
Este livro não surge para enfeitar prateleiras. Surge para devolver ao tempo aquilo que ele tenta roubar: a memória. E memória, aqui, não é saudade sentimental — é fundamento. É a raiz que sustenta o tronco quando a ventania da história tenta tombar tudo: cidades, instituições, reputações, destinos.

Mariano Maciel é uma dessas figuras que, quando se olha de longe, parecem “apenas” um profissional da comunicação. Mas quando se aproxima, quando se abre a porta dos bastidores, quando se escuta o que a rotina esconde, percebe-se que ele é outra coisa: é um tipo raro de guardião.

Um guardião do cotidiano, das pequenas vozes, dos recados que salvam distâncias, dos nomes que seriam engolidos pelo esquecimento se ninguém os chamasse pelo microfone. Um guardião de um território inteiro — não apenas o território geográfico do Acre e do Vale do Juruá, mas o território invisível das experiências humanas, onde a notícia é também gesto de cuidado.

A vida de Mariano tem a textura de uma Amazônia completa: é rio e é estrada; é sol e é chuva; é praça cheia e é gabinete fechado; é canto de festival e é silêncio de corredor; é o riso de uma tarde cultural e o peso de uma pauta política onde a verdade precisa caminhar com pés firmes para não escorregar no lodo das versões convenientes.

Sua história é feita de deslocamentos — e cada deslocamento não é apenas mudança de endereço: é mudança de linguagem, de cenário, de risco, de responsabilidade.
Do coração do Juruá, onde o rádio era mais do que tecnologia e se tornava uma fogueira comunitária, Mariano aprendeu cedo que a comunicação não serve para preencher o ar: serve para criar presença.

O rádio, naquele tempo, não era trilha sonora — era ferramenta de sobrevivência. Ele unia famílias separadas por rios e por meses de distância. Era aviso, conselho, esperança. Era o recado que chegava onde não havia estrada. Era a voz que alcançava seringais e comunidades como quem atravessa o invisível.