Apesar disso, ela defendeu que eles, e outros agentes federais, precisam exibir a identificação.
Após a Califórnia ter promulgado uma lei que proibia todos os agentes federais, entre eles os de imigração, do ICE, de terem o rosto coberto durante operações, uma decisão de uma juíza federal mudou as coisas. Ela decidiu bloquear a legislação, mas defendeu que eles precisam ter uma identificação.
O uso de máscaras faz parte de uma crítica de estados e cidades contra o governo Trump, além dos manifestantes. Segundo eles, isso ajudaria a ações mais truculentas.
Na decisão, a juíza Christina Snyder disse que a polícia é discriminatória por não se aplicar também aos agentes estaduais.
Nas redes sociais, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que o caso foi uma vitória do governo Trump através do Departamento de Justiça. De acordo com ela, a lei foi impugnada e, com isso, não entrou em vigor.
‘Vamos continuar lutando e vencendo nos tribunais pela agenda de lei e ordem do presidente Trump e SEMPRE apoiaremos nossos grandes agentes federais’
Do outro lado, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, critico do governo republicano, destacou que os agentes ainda precisarão mostrar a identificação.
‘Um tribunal federal acaba de manter a lei da Califórnia que exige que agentes federais apresentem identificação. A Califórnia continuará defendendo os direitos civis e nossa democracia’, escreveu nas redes sociais.
Menos de 15% dos imigrantes presos pelo ICE possuem acusação ou condenação por crimes violentos

Momento em que homem morto por agentes de imigração conversa com policiais. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Um documento do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos mostra que menos de 14% dos quase 400 mil imigrantes que foram presos pela imigração americana, o ICE, durante o ano de 2025 tinham acusações ou condenações por crimes violentos.
As informações foram descobertas pela CBS News através desse documento. Quase 40% eram crimes relativos à imigração.
Com isso, os dados mostram uma narrativa diferente da defendida pelo governo Trump. Segundo diversas declarações do presidente e outras autoridades, a repressão da imigração visa principalmente criminosos perigosos e violentos que vivem ilegalmente nos EUA, pessoas que Trump e seus assessores costumam chamar de ‘os piores dos piores’.
Quase 60% dos detidos pelo ICE no último ano tinham acusações ou condenações criminais, indica o documento. Mas, entre essa população, a maioria das acusações ou condenações criminais não se refere a crimes violentos.
Trump e seus assessores, por exemplo, falaram em diversas ocasiões que os agentes miram assassinos, estupradores e membros de gangues. Só que os dados mostram que apenas 4% do total eram relativos a algum desses casos.
Quase 40% de todos os presos pelo ICE no primeiro ano de mandato do governo do republicano não tinham antecedentes criminais e foram acusados apenas de infrações civis de imigração, como viver ilegalmente nos EUA ou permanecer no país além do prazo permitido. Essas supostas violações da lei de imigração dos EUA são normalmente julgadas por juízes de imigração do Departamento de Justiça em processos civis e não criminais.
O documento obtido pela CBS mostra que foram realizadas cerca de 393 mil prisões entre janeiro de 2025 e 31 de janeiro de 2026.
O ICE classificou cerca de 229 mil dos detidos como ‘estrangeiros criminosos’, por terem acusações ou condenações criminais. Cerca de 153 mil das prisões foram categorizadas como ‘outras prisões administrativas’, ou seja, sem antecedentes criminais. Quase 11 mil das prisões foram ‘prisões criminais’ de estrangeiros detidos pelo ICE devido a novas acusações criminais, como interferência em operações.
