Cruzeiro do Sul, Acre, 3 de fevereiro de 2026 16:49

Justiça por Orelha: manifestação em Manaus leva centenas de pessoas à Ponta Negra para cobrar justiça pelo caso

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De acordo com a organização do ato, pelo menos 300 participaram da manifestação

A morte do cachorro comunitário Orelha, em Florianópolis (SC), desencadeou uma série de manifestações neste fim de semana em várias capitais brasileiras, incluindo Manaus. Na capital amazonense, protetores de animais, tutores e ativistas se reuniram no Anfiteatro da Ponta Negra, para cobrar justiça pelo caso e denunciar a recorrência de episódios de maus-tratos contra animais, defendendo a responsabilização dos envolvidos e o fortalecimento das leis de proteção animal.

 (Foto: Junio Matos)

(Foto: Junio Matos)

 Segundo organizadores do ato em Manaus, a mobilização faz parte de um movimento nacional impulsionado pela comoção gerada pelo caso. “Estamos aqui pedindo justiça, não só pela Orelha, mas por todos os outros animais. Aqui no Amazonas, diariamente, a gente recebe denúncias e pega animais em situação de maus-tratos”, afirmou Natasha Oliveira, integrante da organização do protesto.

 (Foto: Junio Matos)

(Foto: Junio Matos)

 Ela destacou que a causa animal mobiliza protetores e tutores em todo o país, o que fortaleceu a articulação dos atos simultâneos em diferentes cidades.

A mobilização também ganhou força nas redes sociais. No X (antigo Twitter), usuários passaram a divulgar uma campanha que pede a federalização da investigação do caso, e o tema chegou a figurar entre os 20 assuntos mais comentados da plataforma.
Além de Manaus, manifestações estão programadas em diversas capitais. Em São Paulo, o ato ocorre no domingo (1º), às 10h, no vão do Masp, na Avenida Paulista. No Rio de Janeiro, a concentração está marcada para o mesmo dia, às 16h, na altura do Posto 2, em Copacabana. Em Brasília, a mobilização acontece neste sábado (31), às 16h, ao lado do ParkDog da CLSW, na região sudoeste, com o nome de “Cãominhada da Justiça”. Já em Belo Horizonte, o encontro está previsto para domingo (1º), a partir das 10h, na Feira Hippie.

 (Foto: Junio Matos)

(Foto: Junio Matos)

 O caso que motivou os protestos envolve o cachorro Orelha, conhecido na Praia Brava, em Florianópolis. De acordo com as investigações, o animal, de cerca de 10 anos, foi agredido no dia 4 de janeiro e acabou submetido à eutanásia para interromper o sofrimento. A Polícia Civil aponta quatro adolescentes, descritos como de classe média alta, como principais suspeitos. A conduta do grupo pode ir além do crime de maus-tratos, com indícios de danos ao patrimônio e crimes contra a honra.

Durante a manifestação em Manaus, participantes relataram indignação e cobraram punição para casos semelhantes. A funcionária pública Natália Duarte afirmou que a impunidade contribui para a repetição dos crimes. “A gente fica revoltada com isso, porque não tem uma lei que proteja de verdade”, disse. Já a artesã Elizabeth da Paz afirmou que participou do ato movida pela indignação com o caso. “Nós estamos aqui pela Orelha. Justiça para todas as vidas”, declarou.

Organizadores também lembraram episódios recentes de violência contra animais na capital amazonense, incluindo casos ocorridos em janeiro envolvendo agressões praticadas por adolescentes e ataques a animais comunitários, o que reforçou a mobilização local.

Os maus-tratos contra animais incluem práticas como abandono, agressões, mutilações, envenenamento, falta de alimentação, abrigo e assistência veterinária, além de exploração em atividades que causem sofrimento. No Brasil, o crime é previsto na Lei nº 9.605/1998, com penas agravadas pela Lei nº 14.064/2020, que estabelece reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda do animal em casos envolvendo cães e gatos.