O Kremlin afirmou, nesta terça-feira (16/6), que não recebeu qualquer proposta para organizar um encontro entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, nos Estados Unidos.
A declaração foi feita pelo assessor presidencial russo Yury Ushakov, que também negou que o assunto tenha sido discutido durante a conversa telefônica realizada em 14 de junho entre Putin e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Não, essa possibilidade não foi discutida”, disse Ushakov ao ser questionado sobre uma eventual reunião entre os dois líderes nos EUA.
Segundo o assessor, Moscou tomou conhecimento sobre o tema, mas não recebeu contatos formais de qualquer governo ou mediador.
“Ninguém nos procurou com tais propostas ainda. Vi algumas reportagens na mídia mencionando isso, mas nada além disso”, afirmou.
Retomada nas negociações
As declarações ocorrem em meio a novas especulações sobre uma possível retomada das negociações para encerrar a guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022 com a invasão russa.
No início do mês, Zelensky divulgou uma carta aberta dirigida a Putin, propondo um encontro presencial entre os dois presidentes para discutir um acordo de paz.
O presidente ucraniano também defendeu a participação dos Estados Unidos e de países europeus como garantidores de um eventual acordo e afirmou que Kiev estaria disposta a implementar um cessar-fogo completo durante as negociações.
A proposta, porém, foi recebida com cautela por Moscou. Um dia após a divulgação da carta, Putin afirmou que não via motivos para um encontro com Zelensky naquele momento e questionou o tom adotado pelo presidente ucraniano.
“Não vejo motivos para isso agora”, declarou o líder russo, ao afirmar que a mensagem continha observações que considerou ofensivas.
Ushakov afirmou que Moscou espera receber, nas próximas semanas, o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e o genro do republicano, Jared Kushner, para discussões relacionadas ao conflito ucraniano, após a conclusão de entendimentos diplomáticos envolvendo Estados Unidos e Irã.
Questionado sobre a possibilidade de os debates da cúpula do G7 influenciarem a posição de Trump sobre a guerra, o assessor de Putin evitou fazer previsões. Ele destacou apenas que o presidente norte-americano participa dos encontros do grupo e mantém contatos com diferentes líderes internacionais.