Na sessão desta terça-feira (4), na Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), o deputado Luiz Tchê (PDT) destacou o crescimento histórico do Valor Bruto da Produção (VBP) do Acre, que, segundo ele, alcançou R$ 4,5 bilhões em 2026, um aumento de 49% em relação a 2023.
“Eu resolvi falar porque vou falar de coisa boa: produção”, afirmou o parlamentar ao iniciar o discurso.
O pedetista atribuiu o resultado ao esforço conjunto entre governo, iniciativa privada e instituições parceiras como a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a iniciativa privada.
Pecuária lidera, mas banana surpreende
De acordo com os dados apresentados, a pecuária representa 68% do VBP, movimentando cerca de R$ 3 bilhões, com crescimento de 55%. O segmento é liderado pela bovinocultura, que responde por R$ 2,9 bilhões.
Já a lavoura representa 32% do total, com R$ 1,47 bilhão. O destaque foi a banana, que assumiu o primeiro lugar entre as culturas agrícolas, alcançando R$ 502 milhões, crescimento expressivo de 182%, superando a mandioca (R$ 455 milhões) e o milho (R$ 210 milhões).
O café conilon também chamou atenção, com aumento de 337%, enquanto a soja registrou crescimento de 11%, ficando na quinta posição entre as lavouras, com R$ 118 milhões.
Para o deputado, os números demonstram fortalecimento da agricultura familiar e do pequeno produtor. “Isso mostra que o pequeno produtor está tendo condições de produzir”, ressaltou.
Êxodo rural reverso
Luiz Tchê citou o exemplo de uma produtora do bairro Belo Jardim, em Rio Branco, que deixou o trabalho na cidade para retornar ao campo e investir no cultivo de café, plantando dois mil pés e ampliando a área de produção. “É um êxodo ao contrário. Isso muda a vida do produtor e mantém a família na terra”, afirmou.
Gargalos preocupam
Apesar dos avanços, o parlamentar alertou para desafios estruturais, principalmente no armazenamento da produção. Ele citou o caso de Assis Brasil, onde a produção de milho cresceu, mas falta estrutura adequada para secagem e estocagem. “Onde o produtor vai secar o milho? Em Brasiléia? O custo compensa?”, questionou.
Segundo ele, será necessário ampliar a construção de silos, seja por meio da iniciativa privada ou com apoio do Estado, para evitar prejuízos e desestímulo à produção.
Planejamento para o futuro
O deputado também fez um apelo para que os programas dos pré-candidatos ao governo do Estado incluam políticas claras para armazenamento e comercialização da produção. Ele lembrou dificuldades enfrentadas anteriormente com culturas como maracujá e cupuaçu e defendeu o fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) estadual, aprovado pela Aleac no ano passado, como alternativa para garantir mercado ao produtor.
Além disso, destacou a aprovação de leis que autorizam a compra de mudas de café, cacau e outras culturas, fortalecendo a cadeia produtiva local e mantendo os recursos no Estado. “Produzir muito é excelente, mas precisamos garantir mercado e estrutura para que o produtor não desista”, concluiu.