Cruzeiro do Sul, Acre, 20 de setembro de 2026 17:21

Lula contrapõe livros e escolas às armas de Bolsonaro e pede voto pelo futuro do Brasil

Em ato de campanha em Florianópolis, presidente defendeu educação, combate ao feminicídio, investimentos em ciência e tecnologia e destacou a abertura de 693 mercados para produtos brasileiros

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrapôs neste sábado (19), durante ato de campanha em Florianópolis, Santa Catarina, os legados de seu governo e da gestão de Jair Bolsonaro, colocando educação, saúde e desenvolvimento no centro da disputa eleitoral. Em seu discurso, Lula afirmou que o eleitor terá de escolher entre dois projetos distintos para o país.

“No governo deles, eles aprovaram a compra de 1 milhão de armas e 1,1 bilhão de balas”, afirmou Lula, ao criticar a política de ampliação do acesso às armas durante a administração Bolsonaro. O presidente contrapôs essa orientação às políticas educacionais defendidas por seu governo.

Lula também voltou a criticar a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo anterior, período em que o Brasil registrou mais de 700 mil mortes pela doença. No discurso eleitoral, o presidente associou a escolha de outubro a uma decisão sobre qual modelo de país os brasileiros pretendem construir para as próximas gerações.

Combate ao feminicídio

Outro eixo central da fala foi o enfrentamento à violência contra as mulheres. Lula afirmou que pretende endurecer as penas contra agressores e defendeu que os homens também assumam responsabilidade no combate ao feminicídio.

“As leis vão ser cada vez mais duras. Vamos aumentar as penas”, declarou. O presidente também incentivou as eleitoras a ampliarem a presença feminina na política, defendendo, no contexto da campanha, votos em candidatas de seu campo político.

O combate ao feminicídio tornou-se uma das bandeiras destacadas pelo governo em 2026. Dados do Ministério da Justiça apontam 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho deste ano, uma redução de 3,2% em comparação com as 876 registradas no mesmo período de 2025.

Educação, tecnologia e soberania

Lula também relacionou desenvolvimento econômico à formação científica e tecnológica do país. Ao falar sobre recursos naturais e energia, defendeu que a riqueza brasileira seja utilizada para financiar educação, pesquisa e formação de engenheiros e cientistas.

O presidente afirmou que o Brasil precisa desenvolver capacidade própria em setores estratégicos e mencionou chips, baterias e conhecimento tecnológico. “Queremos exportar inteligência, conhecimento”, disse, defendendo investimentos em pesquisa e universidades para reduzir a dependência tecnológica brasileira.

A mensagem reforça uma das ideias apresentadas por Lula na campanha: utilizar os recursos naturais do Brasil não apenas como fonte de exportações, mas como instrumento para financiar uma estratégia nacional de desenvolvimento e formação de novas gerações.

Lula destaca 693 aberturas de mercado para o agro

Em Santa Catarina, um dos principais polos agroindustriais brasileiros, Lula também fez um aceno ao agronegócio. Segundo o presidente, seu governo realizou 693 aberturas de mercado para produtos brasileiros desde janeiro de 2023.

A contagem considera cada autorização concedida por um país para importar determinado produto brasileiro. Assim, um mesmo país pode representar diferentes aberturas ao autorizar a entrada de mercadorias distintas. Das 693 citadas pelo presidente, 118 estão relacionadas às quatro principais proteínas produzidas em Santa Catarina.

Lula questionou as resistências que ainda encontra em parcelas do agronegócio e argumentou que seu governo ampliou crédito e oportunidades comerciais para o setor.

Apelo às gerações mais velhas

Na reta final antes do primeiro turno, Lula também direcionou sua mensagem aos eleitores mais velhos, para quem o voto passa a ser facultativo a partir dos 70 anos. O presidente pediu que não pensem apenas em si mesmos no momento de decidir se irão às urnas, mas também nos filhos, netos e nas próximas gerações.

O grupo com 70 anos ou mais representa 10,8% do eleitorado brasileiro em 2026, ou aproximadamente 17,2 milhões de pessoas.

Ao reunir educação, combate à violência contra as mulheres, desenvolvimento tecnológico, produção agrícola e políticas sociais em seu discurso, Lula procurou apresentar a eleição como uma escolha entre projetos distintos para o futuro do país, tendo como eixo de sua campanha a defesa de um Estado voltado à formação, à proteção social e ao desenvolvimento nacional.