O Conselho de Segurança das Nações Unidas está reunido nesta segunda-feira (5/1) para discutir os ataques dos EUA à Venezuela
O representante da Venezuela na Organização das Nações Unidas (ONU), Samuel Moncada, condenou, nesta segunda-feira (5/1), o ataque feito pelos Estados Unidos ao país, no sábado (3/1).
“A República Bolivariana da Venezuela foi alvo de uma operação militar e ilegítima dos Estados Unidos da América, inclusive com o sequestro do presidente constitucional da República, o senhor Nicolás Maduro e a primeira dona Celia Flores”, afirmou Moncada no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Nós temos uma flagrante violação da carta das nações perpetrada pelos Estados Unidos, principalmente o princípio da igualdade e soberania dos Estados com proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado conforme contemplado no artigo 2 com o artigo 4 e uma violação do dever de se resolver controvérsias por meios pacíficos e também diante da convenção conforme ataques indiscriminados foram realizados contra a população e bens materiais.
Pouco antes, o embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), Mike Waltz, afirmou que o país não ocupa a Venezuela, mas cumpre uma operação das forças policiais.






“Por colocar no povo dos Estados Unidos e do hemisfério ocidental em risco e reprimir os venezuelanos em seu país, como o secretário Marco Rubio disse, não há uma guerra contra Venezuela ou seu povo, não estamos ocupando um país, é uma operação das forças policiais”, destacou Waltz.
Segundo Waltz, Nicolás Maduro “é o chefe de uma perigosa organização terrorista: o Cartel de Los Soles”.
“Ele (Maduro) facilita a invasão de drogas ilegais que chegam nos Estados Unidos, estimada em milhares, centenas de milhares de toneladas anualmente. Ele se tornou incrivelmente rico por causa da miséria, da tristeza, de um número impontável de americanos, venezuelanos e outros, e é ajudado por organizações terroristas internacionais, como o Hezbollah, autoridades corruptas iranianas e outros atores malignos que influenciam não só a região, mas também o mundo”, acrescentou.
“Eles (Venezuela) continuam a ter as maiores reservas de energia do mundo sobre o controle de adversários dos Estados Unidos, o controle de líderes e legítimos, e que não beneficiam os venezuelanos e que ainda assim são, e ainda por cima são roubados por oligarcas dentro da Venezuela”, alegou.
Preocupação na ONU
Na abertura do conselho, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar preocupado com a intensificação militar na Venezuela, após uma operação dos Estados Unidos que atingiu Caracas e resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Em carta lida pela chefe de assuntos políticos da ONU, Rosemary DiCarlo, Guterres apontou que há preocupação regional e internacional por “vários ângulos”.
“Estou extremamente preocupado com a possível intensificação da instabilidade no país, o impacto potencial na região e o precedente que isso pode estabelecer sobre como as relações entre os Estados são conduzidas”, ressaltou Gúterrez na declaração.
Captura
- Os Estados Unidos atacaram, no sábado (3/1), diversas regiões da Venezuela.
- O presidente norte-americano, Donald Trump, capturou o presidente Nicolás Maduro e a esposa dele, Cilia Flores.
- Maduro passou a ser o principal alvo das ameaças de Trump. Isso porque o presidente da Venezuela é apontado como chefe do Cartel de los Soles — grupo recentemente classificado pelos EUA como organização terrorista internacional.
DiCarlo apontou ainda que “a manutenção da paz e da segurança depende de um compromisso contínuo de todos os Estados-membros, para que estejam sempre aderindo às previsões da Carta”.
Ela alertou o presidente norte-americano, Donald Trump, que a situação na Venezuela gera preocupação no território venezuelano.
O pedido de reunião emergencial da ONU foi apresentado pela Colômbia, governada por Gustavo Petro, que tem acumulado embates com o presidente norte-americano, Donald Trump. O Brasil participará do encontro, mas não terá direito a voto.
Conforme apurou o Metrópoles, o Brasil será representado pelo embaixador Sérgio Danese, que solicitará a palavra durante a sessão, embora o país não seja membro permanente do Conselho. Segundo interlocutores do Itamaraty, não haverá mudança na posição brasileira em relação à ação dos EUA contra a Venezuela.
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