Cruzeiro do Sul, Acre, 14 de abril de 2026 17:11

Novo secretário de Indústria Ciência e Tecnologia quer reestruturar polos e ZPE

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Mário Agiolfi também vai expandir programa de compras governamentais para outros setores e para o interior e investir em tecnologia da informação

O novo secretário da Indústria, Ciência e Tecnologia, Márcio Agiolfi, diretor da Federação das Indústrias, assume com a prioridade de reestruturar os parques, distritos e polos industriais, que afirma ser onde se gera trabalho na ponta. Também pretende expandir o programa de compras governamentais e a construção de u m perque tecnológico no estado.

Nessa primeira entrevista, ele se apresenta e traça as metas de sua pasta.

"Esta é uma pasta extremamente estratégica. Vamos trabalhar da forma mais técnica e serena possível, sempre pautados em resultados", diz novo secretário

“Esta é uma pasta extremamente estratégica. Vamos trabalhar da forma mais técnica e serena possível, sempre pautados em resultados”, diz novo secretárioENTREVISTA

 

A TRIBUNA – O senhor está assumindo agora uma das secretarias com maior impacto nas propostas de desenvolvimento e nos projetos de futuro para o estado. Para começar essa conversa, o senhor poderia se apresentar ao público, dizer quem é, suas experiências e qualificações?

Secretário de Industria Ciência e Tecnologia Márcio Agiolfi – Assumo essa pasta com essa missão, um desafio feito pela nossa governadora, Mailza Assis. Estou de prontidão, porque já venho da indústria, sou empresário há 20 anos, cursei Economia, sou formado em Administração e sou diretor da Federação da Indústria desde 2017. Ocupei cargo no Observatório da Indústria e faço parte do Conselho Deliberativo do Sebrae.

Considero que tenho bastante conhecimento dos problemas da indústria local, das necessidades e de como posso contribuir com o setor. Esta é uma pasta extremamente estratégica. Vamos trabalhar da forma mais técnica e serena possível, sempre pautados em resultados.

A TRIBUNA – Quais suas principais propostas para o trabalho da SEICT?

 

Márcio Agiolfi – Vamos reestruturar os parques, distritos e polos industriais, que é onde se gera trabalho na ponta. Então, acho que o Estado tem que dar uma atenção prioritária a esse setor.

Também vamos avaliar o futuro e as potencialidades da indústria criativa, além de nortear as políticas públicas em parceria com instituições como a Federação das Indústrias do Estado do Acre (FIEAC). Vamos apostar no agronegócio e na agroindústria, que são extremamente importantes para o nosso desenvolvimento.

Vou me reunir com toda a equipe, fazer um levantamento técnico e, com base nisso, elaborar políticas públicas voltadas à exportação dos nossos produtos.

A TRIBUNA –  Com relação ao importante programa de Compras Governamentais, o que pode ser feito para aprimorar suas metas e resultados? Como democratizar ainda mais essa proposta?

Márcio Agiolfi – Nosso objetivo é fortalecer o Comprac, que é um programa que internaliza recursos, sendo extremamente importante e estratégico para o desenvolvimento da nossa indústria local.

Pretendemos ampliar esse programa, que já foi tão importante para dar fôlego às empresas locais, incluindo novos setores estratégicos da nossa economia.

Hoje o programa já abrange os setores de panificação, alimentos e ar-condicionado. O setor gráfico será o próximo a entrar em operação no Comprac. Também queremos ampliar essa política dentro do Estado e das secretarias, além de levá-la aos municípios como forma de fomentar a economia local.

Os municípios também podem aderir ao Comprac, o que ajuda a internalizar recursos e valorizar o produto local. O programa está crescendo. O Estado não quer ser apenas produtor e vendedor de commodities. Como nossa produção ainda é pequena, ao industrializá-la conseguimos potencializar os recursos.

 A TRIBUNA –  Sabe-se que um dos grandes gargalos ao desenvolvimento do estado é o baixo desenvolvimento do setor de Ciência e Tecnologia, especialmente em tecnologia da informação. O que pode ser feito nesse sentido?

 

Márcio Agiolfi  – Temos um projeto que é o Parque Tecnológico, que engloba toda aquela região do HUB, do SENAI, da UFAC e demais universidades. Inclusive, a ida da Secretaria de Indústria para aquela região já faz parte dessa estratégia.

Lá também teremos a instalação do HUB. É uma parceria com universidades e outros setores para que possamos alcançar resultados positivos.

A TRIBUNA –  O café, a carne suína, bovina, aves, cacau e produtos extrativistas vegetais podem representar uma nova fronteira industrial para o Acre, especialmente para exportação. O que falta de investimentos e apoio para que esses setores possam deslanchar e ampliar sua participação na geração de riquezas do estado? O que o senhor e o governo pensam e propõem para ajudar?

Márcio Agiolfi – A carne, o frango e os produtos extrativistas podem representar uma nova fronteira industrial para o Estado. Vejo que, primeiro, precisamos melhorar o que já temos.

Temos poucos frigoríficos habilitados para exportação. Precisamos ampliar esse número para expandir nosso mercado. A partir daí, podemos pensar em atrair novos investimentos. Mas é preciso olhar para a nossa realidade. Não adianta propor projetos e ideias faraônicas que fogem da nossa capacidade.

Temos exemplos de sucesso, como o Dom Porquito e a Acreaves, entre outros. Precisamos nos espelhar nesses casos e implantar políticas de consolidação da nossa indústria.

A TRIBUNA – Sempre alvo de muitas promessas e especulações, mas sem nunca ver os planos concretizados, como o senhor pensa em ativar e tornar realidade econômica a Zona de Processamento de Exportações no Acre?

 

Márcio Agiolfi – Primeiramente, vamos estruturar o corpo técnico. Já foi instituído um conselho na gestão anterior, do qual, inclusive, fiz parte. Com esse conselho, conseguimos fomentar políticas públicas para a instalação de empresas na área.

Já temos uma indústria interessada em se instalar lá. Como os espaços nos distritos industriais estão quase esgotados, a ZPE se torna um novo atrativo, ainda mais com a mudança recente em sua configuração.

Também queremos fortalecer o intercâmbio com os países andinos e atrair novos investidores com políticas de incentivo fiscal, que são bastante atrativas. Mas todas as ações serão baseadas em critérios técnicos.

A TRIBUNA – Quais serão as primeiras medidas a serem tomadas pelo senhor na SEICT? Quais são as prioridades nos próximos 100 dias?

Márcio Agiolfi – Vamos estruturar a secretaria, organizar o corpo técnico e alinhar todas as ações já realizadas, avaliando o que ainda pode ser executado.

A governadora Mailza Assis nos deu a missão de fortalecer a nossa indústria. O prazo é curto, mas temos confiança de que vamos dar continuidade às políticas que serão implantadas agora, pensando nos próximos anos. Contamos com o apoio de toda a equipe, que é muito receptiva e tecnicamente qualificada. A secretaria já é bem estruturada — é uma questão de organização, empenho e de trazer uma visão de desenvolvimento para o nosso Estado.

Temos R$ 3 milhões já assegurados, por meio de emendas da Bancada Acreana, destinados à recuperação dos parques industriais. Os polos e o parque industrial precisam de mais investimentos para atrair a iniciativa privada. Essa é uma pasta estratégica, e já estamos amadurecendo essas ações. Inclusive, tenho emendas que preciso encaminhar ainda hoje para não perder o prazo.