Cruzeiro do Sul, Acre, 13 de setembro de 2026 23:39

Sindicato faz balanço da movimentação da greve na Caixa Econômica Federal

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região reuniu neste domingo (13) a coordenação do comando de greve para fazer um balanço das mobilizações e avaliar os últimos acontecimentos desde a recusa nas assembleias. Participaram da reunião representantes de diferentes áreas da entidade, entre elas Presidência, Jurídico, Secretaria-Geral, Comunicação, coordenadores das regionais, além do coletivo de dirigentes da Caixa Econômica Federal.

A avaliação inicial é de que a greve começou com forte adesão dos empregados. No primeiro dia, 245 das 283 agências da Caixa existentes na base da entidade ficaram fechadas. A paralisação também atingiu quatro unidades administrativas do banco na capital paulista: Sé, Brás, São Joaquim e Paulista. Coordenadores das regionais do Sindicato informaram que a mobilização teve grande participação dos bancários militantes e dos delegados sindicais nas comissões de esclarecimento e plenárias organizativas.

Mesmo diante da força demonstrada pelos empregados, a Caixa adotou uma postura que agravou o conflito com a categoria. Na sexta-feira (11), depois da rejeição da proposta apresentada pelo banco nas assembleias, a direção da empresa encaminhou às unidades um comunicado sobre a interrupção de uma série de direitos e benefícios que vinham sendo preservados enquanto uma nova negociação não era concluída, o que gerou apreensão e revolta nos empregados.

Para o movimento sindical, a comunicação adotada pela Caixa tem teor antissindical. Ao anunciar a retirada de direitos justamente após uma decisão coletiva tomada pelos empregados em assembleia, o banco também cria pressão sobre a organização dos trabalhadores e sobre o próprio exercício do direito de negociação coletiva.

No documento enviado às unidades, a Caixa sustenta que os ACTs relativos ao período 2024/2026 chegaram ao fim em 31 de agosto. Com a proposta mais recente não tendo sido aprovada pelos empregados, o banco afirma que as condições que estavam sendo aplicadas provisoriamente também não seriam mais mantidas.

Os efeitos anunciados pela empresa atingem diretamente a remuneração e benefícios dos empregados. Entre eles estão a suspensão da aplicação dos reajustes salariais e dos benefícios e a ausência do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) nos parâmetros apresentados na proposta rejeitada. O comunicado também apontava o encerramento de benefícios como auxílio-refeição e auxílio-cesta-alimentação.

Diante desse cenário, o Sindicato e a Contraf-CUT cobraram da Caixa a retomada das negociações e a preservação dos direitos dos empregados. Junto a isso, as entidades também defenderam separar o Saúde Caixa do ACT e continuar negociando o plano.

Caixa responde comunicado da Contraf-CUT

Ainda neste domingo (13), a Caixa respondeu ao Sindicato e à Contraf-CUT, concordou em reabrir as negociações e suspendeu as ameaças de corte de direitos. Essa reabertura se deve à força do movimento junto às entidades representativas. A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, destacou a relevância da continuidade das tratativas.

“É importante reabrir as negociações e garantir os direitos que estão na Convenção Coletiva de Trabalho. O que vai resolver a campanha é o diálogo, a Caixa ouvir os trabalhadores e apresentar saída negociada para o impasse. A manutenção da ultratividade do acordo é fundamental para assegurar os benefícios e direitos. Ainda não temos mais informações sobre a negociação, mas estaremos continuamente atualizando a categoria sempre que possível”, afirma Neiva.

A luta continua

Na segunda-feira (14), o Comando Nacional dos Bancários realizará nova reunião para definir ações conjuntas. Enquanto isso, a greve continua. No mesmo dia, o comando de greve realizará reuniões online, às 16h, com cada uma das regionais do Sindicato para dialogar com os trabalhadores, definir ações e discutir calendário.

Também na segunda-feira, os empregados da Caixa realizarão um ato às 11h30, em frente à unidade do banco localizada na Avenida Paulista, 750, em São Paulo. A atividade faz parte da mobilização da categoria e será um momento para demonstrar a força do movimento.

“As regionais do Sindicato estarão abertas a partir das 7h para receber os empregados, prestar orientação, disponibilizar materiais sobre a greve e fortalecer a organização da categoria. A mobilização seguirá firme até que Sindicato, empregados e Caixa cheguem a uma solução que preserve os direitos e atenda às reivindicações”, diz Francisco Pugliesi, secretário executivo do Sindicato e coordenador do coletivo de dirigentes da Caixa.