A última reunião entre representantes do Irã e dos EUA aconteceu em Omã. Esta cúpula na Suíça marca a sexta rodada de negociações nucleares
Genebra, na Suíça, está no centro da diplomacia global ao se colocar como palco para os Estados Unidos mediarem duas negociações de grande importância. Nesta semana, além das conversas entre Rússia e Ucrânia para o fim da guerra, a cidade será palco de trativas nucleares entre Estados Unidos e Irã, em meio à divergências sobre o programa atômico iraniano e ameaça de invasão.
A cúpula nuclear deve acontecer nesta terça-feira (17/2) e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, já está na Suíça, junto ao diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. Para a outra frente de negociações, representantes da Rússia, Ucrânia e EUA estão a caminho da Europa.
Às vésperas da cúpula, Aragchi informou que não aceitará ameaças para uma possível submissão do Irã, apontando que deseja resolver as divergências pela diplomacia e não com embates militares, como ameaça o governo de Donald Trump.
Discussões para pacto nuclear e fim da guerra
- As discussões sobre o programa nuclear iraniano acontecem porque o presidente dos EUA, Donald Trump, tem o objetivo de impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear.
- Na visão de Trump, propôr um controle de armamentos ao Irã deixaria um mundo mais seguro, livre, em suas palavras, da “maior ameaça ao mundo”.
- Após pressões militares e econômicas, os EUA tentam negociar por via diplomática.
- Um pacto nuclear chegou a ser firmado em 2015. Ele previa, entre outros pontos, a limitação de enriquecimento de urânio e a redução da atividade nuclear no Irã.
- Mas, em 2018, Trump decidiu abandonar o acordo por considerá-lo prejudicial aos interesses norte-americanos.
- Representantes dos EUA, Rússia e Ucrânia também se encontrarão em 17 e 18 de fevereiro em prol do fim da guerra, que se estende por 4 anos.
A última reunião EUA e Irã aconteceu em Omã e Trump afirmou a jornalistas que estava com dificuldades para “chegar um acordo” e sugeriu a possibilidade de invasão no país. A cúpula na Suíça marca a sexta rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano e o Metrópoles ouviu um especialista para entender o que causa entrave no acordo, além de explicar sobre as expectativas para esta reunião.
EUA ameaça invasão caso não haja acordo
As negociações sobre o programa nuclear iraniano foram retomadas recentemente, após EUA e Irã não chegarem a um acordo devido a uma ofensiva de Israel em junho de 2025. O ataque provocou uma guerra de 12 dias e incluiu ataques dos EUA a três instalações nucleares iranianas e, por este motivo, as conversas ficaram travadas à época.
A professora de Direito Internacional na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Tatiana Squeff explica que a ameaça militar dos EUA serve para impôr “domínio” na mesa de negociações e assegurar os benefícios ao país.
“Aí está o precedente perigoso criado pela invasão dos Estados Unidos à Venezuela, pois na medida em que o país não cedeu — invadiram. Essa é a cartada estadunidense: usar do precedente (invasão ilegal), para garantir um acordo que lhe seja benéfico em diversos setores, sobretudo, petróleo, gás e minérios”, afirma a acadêmica.
A ideia proposta pelos EUA para o programa é um aprimoramento do acordo New START, que consiste em limitar a proliferação de ogivas nucleares, lançadores ativos, além de prever inspeções.

O que trava o acordo? Irã busca se impôr
As negociações devem se estender ainda mais, porque o Irã afirma que reduziria seu urânio enriquecido, mas espera uma concessão. O Irã pede uma manifestação da AIEA sobre o ataque dos EUA no ano passado (o que poderia resultar em alguma punição para o país), ou uma garantia de que os EUA não os bombardeariam novamente.
“Para o lado iraniano, o que eles buscam é a garantia de não invasão. Eles até concordam com a agência internacional de energia atômica retomar as inspeções (como acordado em 2015). Nao é problema as inspeções… uma questão interessante sobre isso é que o Irã tem proibido as inspeções até que a AIEA diga o que achou dos bombardeios feitos pelos Estados Unidos”, afirmou a especialista.
As tensões entre os dois países dificultam a possibilidade de um acordo nuclear. Trump incita iranianos a manterem protestos contra o regime dos aiatolás, o que cria mais conflitos, uma vez que o Irã interpreta o ato como interferência externa na política do país, sinalizando que os EUA não devem se intrometer.
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